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Edição 38 - Janeiro/2007
 
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a visão médica sobre os mais diversos assuntos
  Não se deve temer a psoríase, é preciso conhecê-la e tratá-la

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
INAYA LAVOR, DERMATOLOGISTA, MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

Doença infl amatória da pele, a psoríase assusta por dois motivos: não tem cura e a pele de seus portadores apresenta um aspecto anti-estético, com lesões avermelhadas que descamam e que podem provocar coceira, dor e incômodo na região afetada. Em alguns casos, o problema acomete as articulações, desencadeando uma artrite psoriática.

Ninguém pega psoríase no ar, na piscina, nas relações sexuais ou mesmo no contato com a pele ou objetos do doente. Apesar de não ser uma enfermidade contagiosa, porém, a aparência de seus portadores em situações de crise costuma colocá-los em situações bem constrangedoras. O escritor norte-americano e portador de psoríase John Updike, em um desabafo, descreveu qual a sensação da maioria das vítimas. “A apresentação dessa doença é a seguinte: manchas, placas e avalanches de excesso de pele produzidas pela derme, avançando e lentamente migrando através do corpo como musgo em uma lápide. Minha tortura está na profundidade da pele, não há dor, nem mesmo coceira. Ironicamente, somos saudáveis nos outros aspectos. Temos desejo, mas somos repugnantes para amar. Enxergamos bem, embora odiemos olhar para nós mesmos. O nome dessa doença, espiritualmente falando, é humilhação”.

A psoríase é um tanto comum: afeta de 1% a 3% da população mundial, ou seja, quase 200 milhões de pessoas. Só no Brasil, são cerca de cinco milhões. Em torno de 30% dos doentes têm familiares com o problema. Mas ainda há muita falta de informação. Muitos acreditam, erroneamente, que a doença é contagiosa ou é sinal de falta de higiene pessoal. Esse preconceito acaba excluindo os portadores de psoríase do convívio social.

PARA AS VÍTIMAS
DESSA DOENÇA,
MAIS DIFÍCIL
DO QUE ENFRENTAR
O DESCONFORTO
FÍSICO, É
TER DE LIDAR
COM A FALTA DE
INFORMAÇÃO E O
PRECONCEITO

No dia-a-dia, esses indivíduos passam freqüentemente por situações que os deixam embaraçados. Principalmente nesta época do ano em que o lazer está associado a praias e aos clubes, onde as pessoas expõem seus corpos. Todo esse aspecto, somado ao impacto físico e psicológico provocados pela doença, reduz drasticamente a qualidade de vida desses indivíduos. Tanto é assim que dados disponíveis na literatura médica mostram que o estrago físico e mental relacionado à psoríase é semelhante ao sofrido por pacientes com câncer, artrite, doenças cardíacas e depressão.

Certamente sempre há o fator genético en vol vido nos casos da doença. Mas há variáveis ambientais que podem agravar, e muito, o quadro da doença, como a ingestão regular de bebidas alcoólicas, o tabagismo ou ainda a manipulação das lesões que costumam coçar. Alguns medicamentos que agem no tratamento dos sintomas devem ser evitados por quem sofre com a psoríase, como os corticóides injetáveis ou os tomados por via oral. Apesar de proporcionarem uma melhora imediata, quando seu uso é interrompido, pioram signifi - cativamente o mal (nós costumamos chamar isso de “efeito rebote”).

Nada disso, porém, é tão prejudicial aos portadores de psoríase do que o estresse psicológico provocado pelo desconhecimento e preconceito da população em geral. Por isso, o melhor remédio para amenizar a doença é divulgar cada vez mais informações sobre ela. O apoio da família, dos amigos e de toda sociedade é fundamental aos que sofrem com o problema.


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