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Edição 37 - Janeiro/2007
 
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  Ajuda ao pé do Ouvido
70% DOS IDOSOS, ALGO EM TORNO DE 10 MILHÕES DE PESSOAS EM NOSSO PAÍS, SOFREM DE ALGUMA PERDA AUDITIVA. E COMO SEMPRE É TEMPO DE MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA, O USO DE APARELHO PODE SER UM BOM CAMINHO NESSES CASOS

POR LUCIANA FUOCO

Com o passar dos anos, todas as pessoas passam pelo processo natural de envelhecimento multissistêmico que envolve a estrutura auditiva, em suas vias periféricas e centrais. “Ao longo da vida, o ser humano fica exposto a fatores que poderão colaborar com a diminuição gradativa da audição. Entre eles, uso de certos medicamentos, exposição a ruídos intensos, hereditariedade, traumas, infecções de ouvido ou até outras patologias relacionadas à audição”, diz Patrícia de Rissio, fonoaudióloga e especialista em audiologia, da Unitron Hearing Brasil. Dados da coordenação da campanha pela saúde auditiva mostram, inclusive, que esse tipo de deficiência acomete cerca de 70% dos idosos, um montante relativo a 10 milhões de pessoas.

O envelhecimento do ouvido humano — chamado de presbiacusia — afeta, inicialmente, as freqüências altas (os sons agudos), progredindo para as freqüências relacionadas à fala humana e comprometendo significativamente a sua compreensão. “Assim como há problemas de visão e a pessoa passa a enxergar menos, com a idade ela também começa a ouvir com mais dificuldade. E da mesma maneira que é natural usarmos óculos para amplificar as imagens, também deveríamos recorrer a aparelhos de amplificação sonoros ou próteses auditivas, sem nenhum preconceito”, diz o médico Luiz Carlos Alves de Sousa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e coordenador da Campanha Nacional da Audição.

(os sons agudos), progredindo para as freqüências relacionadas à fala humana e comprometendo significativamente a sua compreensão. “Assim como há problemas de visão e a pessoa passa a enxergar menos, com a idade ela também começa a ouvir com mais dificuldade. E da mesma maneira que é natural usarmos óculos para amplificar as imagens, também deveríamos recorrer a aparelhos de amplificação sonoros ou próteses auditivas, sem nenhum preconceito”, diz o médico Luiz Carlos Alves de Sousa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e coordenador da Campanha Nacional da Audição.

Quando se percebe o problema, o melhor a fazer é buscar orientações com profissionais, como o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo. Mesmo não havendo uma idade pré-estabelecida para um acompanhamento da saúde auditiva, seria interessante e prudente que a realização de um teste de audiometria (exame que determina os limiares auditivos e sugere graus de perdas) fizesse parte do check-up e da rotina de todo e qualquer indivíduo. A partir dessa avaliação, pode-se recomendar o uso da prótese.

Pequenos e tecnológicos Indicados para os mais variados casos, os aparelhos contribuem para melhorar a qualidade de vida do paciente. Acontece que, às vezes, a própria pessoa resiste em admitir o pro blema e até tem preconceito. “O fato de usar aparelho não diminui ninguém”, diz Luiz Carlos de Sousa.

Os aparelhos auditivos são dispositivos eletrônicos que têm a função de amplificar os sons e trazê-los a um nível confortável para seus usuários. Portanto, não existe um produto pronto — você não vai entrar na loja, comprar e levar na hora para casa.

“Cada um tem suas especificações. O modelo escolhido irá depender da perda auditiva que acomete o paciente, pois seu grau interfere na potência. Normalmente os profissionais tentam aliar a estética com a perda a ser suprida. É de extrema importância que o paciente procure um profissional para avaliá-lo e determinar o melhor aparelho para sua necessidade”, enfatiza a fonoaudióloga Patrícia.

As versões podem ser analógicas, programáveis ou digitais. Os analógicos amplificam o som de maneira linear e são limitados a poucos controles que são ajustados manualmente pelo fonoaudiólogo com uma chave de fenda. Os programáveis apresentam sons similares aos analógicos, porém, os ajustes podem ser feitos por computador. Já os digitais são tecnologicamente mais avançados, oferecem vantagens em relação aos outros e melhor ajuste à perda auditiva e ao estilo de vida do usuário. Seus chips digitalizam o som e são programados através do computador.

Não existem contra-indicações, mas há restrições, por exemplo, nos casos em que o paciente apresenta episódios de infecções de ouvido. “Certas deficiências auditivas exigem outras ações que não somente o uso do aparelho e alguns pacientes nem podem usá-lo, mas esta determinação é exclusivamente médica”, explica Fernando Caggiano Junior, fonoaudiólogo da Widex.

No caso do idoso, o uso do aparelhinho favorece a relação com os familiares e o deixa mais ‘conectado’ com o mundo, evitando problemas como isolamento, depressão e perda da auto-estima. Fernando Caggiano, inclusive, gosta de lembrar o caso de uma paciente para a qual foi indicado o aparelho. “Entre lágrimas, ela me disse: ‘aos oitenta anos, você me fez nascer de novo. Muito obrigada’”.

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