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Edição 37 - Janeiro/2007
 
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  O que pesa em você ?
Chega de distorcer sua própria imagem e veja o que realmente conta na hora de estabelecer seu peso ideal. E mais: quilos a menos ou a mais nem sempre são sinônimos de doença

POR LILIAN HIRATA

Após a morte da modelo Ana Carolina em decorrência da anorexia, levantou-se uma po lêmica acerca da ditadura que é o padrão de beleza dentro e fora do mundo da moda. Até mesmo as agências de modelo comprometeram-se a cuidar mais de perto da saúde de suas profissionais, os pais levaram a questão em suas casas e a mídia abordou o assunto abertamente. Agora que já estamos bem informados sobre o tema (considerando o montante de informações que recebemos), quero compartilhar com você as dúvidas que me surgiram quando estava lendo os artigos e histórias publicadas envolvendo a anorexia — doença que faz com que a pessoa mesmo sendo muito magra se considere gorda a ponto de deixar de se alimentar. Talvez elas também ocorram a você. Afinal, toda vez que um assunto como este vem à tona, traz inúmeras indagações.

Bem, sou magérrima, dessas que fica muito bem em roupas compradas na seção infantil, acredite! Tenho 1,59m de altura distribuídos em 42 Kg. Fazendo as contas, meu Índice de Massa Corporal (IMC: peso dividido pela altura ao quadrado) é de 16,6 Kg/m2. Muito abaixo do normal em um adulto saudável, que é entre 18,5 a 24,9 Kg/ m2. Não, isso não é um depoimento, mas uma reflexão que pode esclarecer você, caro leitor (e a mim mesma, claro). E, por conta disso, costumo ouvir frases do tipo: “você come bem?”, “coma mais um pouco, é tão magrinha”, “mais um pedaço de bolo não vai fazer mal” e por aí vai.

Acontece que sempre fui assim (aliás, como meu pai e minha avó). E não é por falta de comida. Faço todas as refeições do dia, meu prato é balanceado e não dispenso o café da manhã. Tudo bem, confesso, adoro doces — apesar de saber que, em excesso, fazem mal. Mas sou saudável. Não tenho nenhuma doença grave. No entanto, lendo as reportagens sobre a anorexia, mesmo já conhecendo as complicações do problema, fiquei impressionada com os relatos de meninas que sofrem dessa doença, cujo índice de mortalidade chega a 20% dos casos. Muitas delas, por exemplo, citam que sentem dor na região dos glúteos quando estão sentadas, pois não têm gordura suficiente para suavizar o peso dos ossos. Eu não tenho anorexia, sou consciente de que sou magra e já tentei ganhar alguns quilos fazendo musculação ou mesmo aumentando a quantidade de calorias que consumo diariamente.

Enquanto a mídia abordava a questão, comecei a ficar inquieta com minha própria condição física. Será que, mesmo sem transtorno alimentar algum, minha magreza é prejudicial? E quem tem dois, três ou quatro quilos acima do considerado ‘normal’ também corre perigo? Afinal, qual seria nosso (o meu e o seu) verdadeiro peso ideal? O que realmente conta na hora de se estabelecê-lo?

Apenas uma peça Busquei a resposta com especialistas. No meu caso, que sou magra por natureza, tal fato não é pre judicial à saúde. Segundo Márcio Mancini, vicepresidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), muitos pais consideram o baixo peso dos filhos um problema e acabam enchendo a dispensa com alimentos gordurosos para que ganhem peso. “Se eles são magros, provavelmente serão a vida toda”, diz. Por outro lado, é normal que algumas crianças mais gordinhas dêem aquele ‘estirão’ ao chegar à adolescência passando a sensação de que emagreceram.

O IMC sempre foi o principal parâmetro para se dizer se uma pessoa está ou não acima do peso. A lógica é essa: quando o índice estiver fora da categoria normal (de 18,5 a 24,9), indica maior propensão a problemas de saúde. No entanto, nos últimos tempos, chegou-se à conclusão de que na prática o IMC não pode ser considerado isoladamente, mas visto com um conjunto de fatores que envolvem, além da idade, estrutura óssea, percentual de gordura (existem aparelhos que fazem essa medição exata), massa muscular e etnia.

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