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Edição 37 - Janeiro/2007
 
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  Filtros de saúde
A ingestão de água de boa qualidade, além de ser essencial ao bom funcionamento do organismo, é também garantia de uma vida mais saudável, livre de contaminações. Conheça algumas opções de purificação doméstica

POR SHIRLEY SANTOS
FOTOS FERNANDO GARDINALI

A história conta que ir até um rio, córrego ou até mesmo construir um poço no quintal de casa para obter água potável fazia parte de um cenário comum às mais variadas regiões brasileiras no início do século 20. Porém, a crescente urbanização dificultou a prática. Em bora na época, as redes públicas de abastecimento já começassem a fazer parte da vida da população, a água que saia das torneiras não possuía tratamento adequado que permitisse seu consumo para beber

Entre as técnicas mais antigas para obtê-la potável, estavam ferver a água ou deixá-la ‘descansando’ em talhas de argila para que as impurezas ficassem no fundo. Outro sistema utilizado era o ‘filtro de pedra’ — assim chamado porque funcionava como uma espécie de ‘pedra filtrante’, com aproximadamente 30 quilos. A prática consistia em sustentá-la em uma armação de ferro e a água era jogada sobre ela. Por ser porosa, a pedra absorvia a água que saía ‘purificada’.

Como ‘personagens’ da história do desenvolvimento dos filtros, a moringa e as talhas de argila também se destacaram, sendo utilizadas por grande parte da população tempos atrás. Foi na década de 1920 que os primeiros filtros de uso doméstico apresentaram um sistema mais efi- caz de filtragem — nascia o ‘filtro a vela”. No início, a aquisição de um produto como este era sinal de status — sua popularização ocorreu somente após 1950. Feitos de forma artesanal, eram moldados com argila e levados ao forno a uma temperatura de 1000 graus. Em seguida eram pintados, colocavam- se as velas e a torneira.

Desde então, a indústria se modernizou, as técnicas de purificação da água evoluíram, trazendo aos consumidores várias opções. Os filtros foram divididos em duas classes: por ‘gravidade’, que nos remete aos filtros de barro e de louça, e os mais modernos, por ‘pressão’, instalados diretamente nas torneiras. Estes, são classificados por alguns fabricantes como ‘purificadores’, por conterem camadas adicionais de filtragem com elementos físico-químico e, em alguns casos, microbiológicos.

Perigo de contaminação
Estima-se que hoje cerca de 54% dos lares brasileiros possuam algum sistema de tratamento doméstico de água. Mensalmente são consumidos 250 mil aparelhos do tipo ‘purificadores’ no país. Estes dados, baseados em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam, portanto, que parte considerável da população busca nos filtros garantias de água com menos impurezas, que possa proporcionar benefícios para a saúde. Os perigos da ingestão de água contaminada con tribuem para a causa de várias doenças, entre as principais estão a cólera e a hepatite A. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que “o consumo de água contaminada ocasiona cinco milhões de mortes anuais no mundo”.

Mesmo com o avanço no tratamento de água pelas redes de abastecimento, que garantem a qualidade do líquido até o ponto de entrada das casas, há casos de tubulações antigas, vazamentos que contribuem para o acúmulo de sujeira e a agravante falta de limpeza nas caixas de água. Diante deste quadro, os filtros domésticos continuam sendo uma opção útil e necessária para a obtenção de uma água mais saudável.

Certificado de qualidade No momento de decisão da compra, a melhor forma de se obter a garantia do aparelho é optar por aqueles que possuam o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Esta certificação garante qualificação ao produto, em atendimento às normas de qualidade e segurança exigidas para sua comercialização. Quem informa é a Associação Brasileira de Filtros e Purificadores de Água (Abrafipa), que visa o controle de qualidade destes itens. Segundo a entidade, 70% dos aparelhos disponíveis no mercado já contam com a certificação.

A Associação aconselha os consumi dores a observarem os seguintes quesitos antes da compra do apare lho: praticidade, necessidade e características de tratamento que o consumidor espera do seu aparelho, orçamento disponível. Há desde modelos simples, que fazem o tratamento físico (eliminação de resíduos em diferentes níveis), químico (absorção de elementos orgânicos e químicos — por exemplo, cloro) ou mais sofisticados, que combinam o tratamento físico-químico e microbiológico (eliminação ou retenção de bactérias e protozoários da água). E assim como os modelos, os preços também são variados: os aparelhos podem ser adquiridos, em média, a partir de R$ 30, podendo atingir até R$ 3.500. Agora é só fazer a escolha e saborear os benefícios que a água oferece.

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