Viva Saúde
Edição 37 - Janeiro/2007
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  noni: você já ouviu falar ?
Descubra os reais benefícios desse alimento misterioso, só encontrado em suco e que promete maravilhas à saúde

POR JUREMA APRILE
ILUSTRAÇÃO BUSSADORI

• A presença de ômega 6 e óxido nítrico dilataria os vasos, melhorando a oxigenação e, conseqüentemente, a memória
• Especialistas dizem que a fruta contém betacaroteno, precursor da vitamina A, e acubina, que agrega propriedades antibióticas
• Possui escopoletina, substância antibacteriana, antifúngica e antiinflamatória, que também ajuda a dilatar os vasos sangüíneos — o que faria baixar a pressão arterial
• A fruta é rica em vitamina C

É só uma questão de tempo para as pessoas começarem a ouvir falar desse tal de noni e descobrir que não se trata de um ser de outro planeta. Com o nome científico de Morinda Citrifolia e originário dos mares do Sul, esse alimento que tem gerado uma certa curiosidade é, na verdade, uma fruta verdinha, com a aparência de fruta do conde, e que — acredite — não pode ser encontrada em feiras nem supermercados. Isso mesmo: o noni está prestes a fazer parte do grupo de coisas sobre as quais todo mundo fala, mas que ninguém vê por aí — algo como um chester vivo, ciscando no terreiro.

A fruta só existe por aqui em forma de suco engarrafado ou chá (embora atualmente esteja sendo cultivada na Amazônia peruana e, talvez, possa ser encontrada à venda em breve no Brasil). Mesmo nos Estados Unidos, o noni é vendido apenas sob forma de cápsulas, chás (feitos das folhas) ou sucos industrializados, para dezenas de milhões de consumidores.

Ao contrário de todas as frutas que são melhores quando consumidas frescas e com casca, essa não é muito palatável ao natural. “Parece fruta do conde, mas não tem nada de doce. O gosto é muito ruim e o cheiro não é dos mais convidativos”, garante o nutricionista vegetariano George Guimarães, de São Paulo, que teve oportunidade de prová-la. Quanto ao suco, este vem misturado com sucos de cranberry (ou de blueberry) e de uva, e, segundo o especialista, tem um sabor curioso.

Febre de consumo
Apesar da dificuldade de encontrá- lo in natura, o maior mistério em relação ao noni — e que também reforça sua popularidade — tem a ver muito mais com as suas supostas propriedades terapêuticas. Seu consumo no Brasil é recente, sendo mais popular nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. De acordo com estatísticas de 2003, uma garrafa do suco era vendida a cada dois segundos (ou menos) pelo mundo afora — sem falar das cápsulas e dos chás. “O sucesso está diretamente ligado ao fascínio que o homem sente por tudo que pareça mágico, milagroso e, sem muitas explicações precisas ou de forma vaga, anuncie-se capaz de curar várias doenças”, acredita o médico Leandro Pomini, de São Paulo.

Isso não quer dizer que o noni não tenha propriedades benéficas. Significa apenas que ainda não existem provas consistentes do ponto de vista científico de que realmente cure ou previna males. Há poucos estudos isentos a respeito — e nenhum com seres humanos, apenas ratos. “Essa fruta pode até vir a ser algo maravilhoso em termos de cura, mas ainda não existem provas conclusivas, nem estudos populacionais que sirvam de base para afirmar isso hoje”, diz a nutricionista Denise Schirch, de São Paulo.

Mesmo com a falta de informações precisas — o maior fabricante do suco no Brasil não quis dar informações nutricionais sobre o produto —, não se pode condenar a fruta. “Não faz mal algum consumir o noni”, garante George Guimarães. “Só pode haver algum risco se a pessoa deixar de seguir seu tratamento por causa disso”, acrescenta. É que os derivados do noni não são remédios, mas complementos alimentares. E o FDA e a Comissão Européia, organismos que funcionam como agências reguladoras de saúde nos Estados Unidos e na Europa, concluíram que não há evidências dos benefícios desse alimento para a saúde humana.

Motivo da controvérsia O noni e seus subprodutos geram polêmica porque anunciam ter uma substância chamada proxeronina, um precursor de um aminoácido denominado xeronina — que só um pesquisador descobriu até hoje. A xeronina foi encontrada e batizada pelo médico Ralph Heinicke, nos anos 50, quando ele fazia estudos com o abacaxi. Na ocasião o cientista ficou tão convencido dos poderes curativos de sua descoberta que passou anos estudando suas propriedades.

Quase não há menções a essa substância fora dos trabalhos de Heinicke e dos produtores de suco e de cápsulas obtidos a partir do noni. Quem fizer buscas em vários bancos de dados de pesquisa dificilmente encontrará algo sobre a xeronina ou sua precursora. O professor Richard Mithen, chefe da equipe de pesquisa do Centro John Innes e do Institute of Food Research, na Grã-Bretanha, afirma que nunca ouviu nada a respeito da xeronina e também não encontrou documentos científicos descrevendoa. Mesmo assim, Mithen, que recentemente produziu com sua equipe um superbrócolis que pode ajudar a prevenir câncer, acredita que o suco de noni é boa fonte de antioxidantes.

Estas substâncias são conhecidas por suas propriedades anti-radicais li vres, capazes de auxiliar na prevenção de tumores malignos — algo que, segundo o professor, o suco de laranja também pode fazer. “Todas as frutas contêm antioxidantes”, completa o nutricionista George Guimarães.

Em sucos industrializados com o noni, pode-se encontrar ainda a mistura com sucos de cranberry e uva, estes sim com propriedades reconhecidas cientificamente — podem ajudar a abaixar o nível de colesterol no sangue, por exemplo. Em tempo: o cranberry, uma frutinha vermelha do Hemisfério Norte, é parente da groselha e, acredita-se, do nosso cupuaçu. Tem qualidades comprovadas no tratamento de cistite (infecção urinária).

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.