Ao olhar seu exame de sangue você já tem uma noção a quantas andam suas taxas de colesterol bom (HDL) e mau (LDL). Mas aposto que empaca no quesito triglicéride. Afinal, em que time ele joga: no dos mocinhos ou dos bandidos? E quando o médico fala que será preciso controlar ou baixar o índice, o que fazer? Em primeiro lugar, é preciso entender seu papel. "Triglicéride são partículas de gordura com a principal função de produzir energia para o funcionamento do organismo. Representa a segunda fonte rápida de energia (a primeira é a glicose). E, como o colesterol, também é necessário para a vida", explica o cardiologista Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo.
Resposta rápida
Mas se por algum tempo seu nível apresentar-se elevado - principalmente pelo consumo excessivo de gorduras, bebidas alcoólicas e carboidratos -, transforma-se em fator de risco para várias doenças vasculares no cérebro, coração e nos vasos sangüíneos das pernas. Funciona assim: toda vez que ingerimos gordura, a taxa de triglicéride no sangue aumenta. Essa elevação depende de seus níveis basais. Para se ter uma idéia: um indivíduo que em jejum apresente triglicéride igual a 80 e almoce cheeseburger, batata frita e milkshake, poderá ter um acréscimo entre 15% e 20% em seus níveis. Ainda que esses valores subam de 92 a 96, estarão dentro do que é considerado normal. Porém, o mesmo cardápio saboreado por uma pessoa com valores basais próximos a 300, fará subir os índices para mais de 350 - o que é totalmente desaconselhável.
O melhor é que, em comparação com as outras gorduras, o triglicéride é de mais fácil controle. "A reeducação alimentar individualizada, com a ajuda de um nutricionista, corrige a maior parte dos casos, sem sofrimento", diz o médico Nabil Ghorayeb.
As modificações na dieta são bastante eficazes, especialmente porque ela afeta os níveis de triglicéride de forma muito mais evidente do que os do colesterol. Por exemplo: enquanto evitar alimentos ricos em gorduras saturadas (frituras e gordura animal) reduz o colesterol em 5% ou 10%, o triglicéride cai de 20% a 30%.

REPENSANDO SEU PRATO
Confira as sugestões da nutricionista Cynthia Antonaccio, de São Paulo, para equilibrar o triglicéride e o colesterol
Reduza o consumo de gorduras saturadas, pois são as que mais aumentam o colesterol. Elas estão presentes em grande quantidade nos produtos de origem animal (carnes gordas, vísceras como fígado, rim, miolo) e produtos derivados do leite integral (manteiga, creme de leite e queijos), além de alguns óleos vegetais como o de palma, o de coco, o azeite de dendê (que muitas vezes estão em produtos como biscoitos, misturas para bolos, congelados).
Opte pelo azeite de oliva a outros óleos vegetais, pois é rico em gordura monoinsaturada - o que ajuda a manter o colesterol bom elevado e diminuir o ruim. E consuma-o, de preferência, sem aquecer.
Mas, se precisar de óleo para levar ao fogo, escolha o de canola que também é rico em monoinsaturados. Porém não esqueça: todas as gorduras têm o mesmo valor calórico por grama e, em excesso, podem prejudicar.
Evite consumir produtos moídos e congelados, recheados, empanados, que geralmente levam grande quantidade de pele e gordura. Compre produtos frescos e moídos na hora, para você poder ver a peça inteira antes.
Fique atento à forma como você prepara os alimentos. Troque a margarina ou o óleo do refogado por suco, água, molho de ervas ou vinho. Prefira grelhados, assados, cozidos ou preparações feitas no microondas, na churrasqueira ou no vapor.
Ao consumir produtos industrializados, verifique a composição nos rótulos das embalagens para evitar o consumo excessivo de gordura saturada, gorduras hidrogenadas, manteiga de cacau, banhas, óleo de coco ou de dendê.
Sopas são ótimas porque satisfazem sua fome com poucas calorias - é claro que feitas com pouca gordura. Geralmente, quando consumidas fora de casa, as sopas de caldo transparente são menos calóricas, pois as cremosas e espessas contêm muita gordura.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>