Viva Saúde
Edição 35 - Novembro/2006
 
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a visão médica sobre os mais diversos assuntos
  Na busca incansável pela beleza quem perde é a saúde

Avisão do corpo humano mudou ao longo do tempo, tornando- se o "cartão de visita" de seu proprietário nos dias atuais. A necessidade de apresentar uma estética corporal 'aceita' pela sociedade - seja para um encontro amoroso, uma oportunidade de trabalho ou para conseguir visibilidade entre um grupo de amigos - fez surgir, em especial entre os adolescentes e jovens adultos, comportamentos que chamam nossa atenção.

Os modelos de corpo reverenciados pela sociedade são praticamente inatingíveis pela imensa maioria dos jovens em função das características sociais, econômicas e culturais do meio onde se encontram inseridos. Assim, as drogas e técnicas são vistas como um auxílio rápido na busca de um corpo perfeito, para sua apresentação imediata no palco social.

Jovens entre 14 e 18 anos entrevistados, em 2003, a respeito do grau de satisfação com seus corpos demonstraram-se altamente descontentes. Essa insatisfação, que atingiu a cifra de 83% deles, foi em relação ao peso, força e massa muscular, altura, estética e silhueta. É fato que os adolescentes e jovens adultos têm uma capacidade de superar frustrações grandiosa. No entanto, os entrevistados afirmaram haver recorrido a técnicas e/ou substâncias químicas, sem orientação médica, para agilizar a conquista dos corpos desejados. Entre as mulheres, 17% delas tomaram remédios para emagrecer sem ter receita médica.

OS MODELOS DE CORPO REVERENCIADOS PELA
SOCIEDADE SÃO INATINGÍVEIS PELA MAIORIA
DOS JOVENS, EM FUNÇÃO DO MEIO ONDE
SE ENCONTRAM INSERIDOS

Os adolescentes insatisfeitos com o peso corporal (60% deles) lançaram mão de regimes (em sua maioria sem qualquer ajuda especializada), promoveram severas restrições alimentares, usaram diuréticos e medicamentos manipulados com anfetaminas, porém, só alguns praticavam atividades físicas com regularidade. No entanto, uma minoria, mas não menos preocupante, cerca de 2,7% dos garotos altamente insatisfeitos com a sua estrutura muscular e força, afirmou usar anabólicos esteróides androgênicos (as popularmente conhecidas "bombas").

Na busca pelo corpo perfeito, mesmo jovens com o Índice de Massa Corporal (IMC) dentro dos níveis de normalidade ou abaixo do peso ideal (valores para IMC entre 18,5 e 24), adotavam técnicas ou usavam drogas que agilizavam a perda do peso corporal. Esses comportamentos podem ser parcialmente associados a transtornos do comportamento alimentar, como anorexia e bulimia.

Os dados da pesquisa apontam para uma realidade preocupante. O uso de drogas não é somente, como alardeado pela mídia, para o rendimento esportivo de um atleta. Tem a ver com estética. Atinge inclusive os sedentários que buscam encontrar um corpo socialmente valorizado de forma fácil e rápida.

Parece-nos que a necessidade de um corpo dentro de padrões valorizados socialmente tem se mostrado muito mais necessária que a própria saúde física dos adolescentes. As alternativas da mídia para amedrontá- los não surtem o efeito desejado. Mas um amplo processo de orientação, discussão e uma atitude crítica são mais eficazes na alteração de tais comportamentos. Finalmente, a questão e suas interpretações devem fazer parte dos debates nas escolas e no aconchego da família.

DANIEL CARREIRA FILHO, DOUTOR EM SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E PROFESSOR DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL (SP)


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