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Edição 34 - Novembro/2006
 
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  Atenção aos gânglios
Aqueles carocinhos que aparecem de vez em quando nas axilas, no pescoço ou na virilha nem sempre indicam a presença de um processo infeccioso. Eles também podem ser o primeiro sinal de linfoma - um dos tipos de câncer que mais crescem no mundo e preocupam os especialistas

POR STELLA GALVÃO

A primeira suspeita do linfoma costuma se dar com a descoberta do carocinho pelo próprio paciente. Um clínico geral deve ser consultado e, se houver indicação, exames de sanguem são requisitados para fechar o diagnóstico

Por outro lado, os médicos admitem que há um fator incógnita muito forte no surgimento da doença. “Existe uma interação entre o agente agressor, o hospedeiro (paciente) e o meio ambiente que pode predispor à doença”, explica o médico Jairo Sobrinho. O que já se sabe de forma consistente é que pessoas com imunodepressão (baixa imunidade), seja congênita ou adquirida (pela infecção pelo vírus HIV ou HTLV, por exemplo), têm maior propensão a desenvolver linfomas. Também já houve associação com algumas bactérias como Helicobacter Pylori (que vive no muco que reveste a superfície do estômago) e do gênero Borrelia (responsáveis por febres recorrentes), a primeira com linfoma no sistema digestivo e a segunda com linfoma de pele.

Sinais de alerta

Gânglios com câncer, ou seja, linfomas, não doem, não alteram a temperatura local e geralmente não deixam foco infeccioso identificável. “Esses linfonodos aumentam de tamanho sem qualquer percepção dolorosa por parte do paciente e em alguns casos eles podem ainda aumentar ou diminuir”, afirma o onco-hematologista Jairo Sobrinho.

A primeira suspeita diagnóstica do linfoma costuma se dar com a descoberta do nódulo pelo próprio paciente. “Ele é o primeiro a perceber algo de errado, no caso dos linfonodos periféricos, também chamados de linfonodos externos”, informa o oncologista clínico Waldec Jorge. Há, porém, os linfonodos internos, como aqueles que ocorrem no mediastino (região do tórax que se situa entre os pulmões) ou intrabdominais. Neste caso, não há como perceber o aumento dos gânglios e os sintomas aparecem sob a forma de tosse, dor, dispnéia (falta de ar), sudorese, entre outros, que passam despercebidos por muito tempo, ao menos em sua associação com o câncer.

Como rastrear este câncer

Nos linfomas exteriorizados, visíveis e palpáveis, o paciente deve procurar um clínico-geral, apto a diferenciar uma suspeita de linfoma de um aumento de linfonodo (ou gânglio) causado por infecção. É este profissional que o encaminhará, se houver indicação, para a realização da biópsia local. Exames de sangue também permitem excluir a hipótese de que doenças parasitárias, virais ou bacterianas estejam por trás do aumento indolor do linfonodo.

Na etapa seguinte, são realizados diagnósticos por imagem para avaliação do grau de desenvolvimento do câncer, o que será decisivo para estabelecer o tratamento adequado. “Os exames prestam-se também a identificar eventuais focos da doença pelo corpo”, lembra o oncologista Waldec Jorge. O paciente pode estar no estágio I, quando só tem um gânglio no pescoço acometido pelo câncer, ou no estágio IV, com gânglios no pescoço e na virilha, nódulos no fígado e no pulmão e com a medula óssea comprometida.

Nesta etapa, aliás, o paciente já deverá estar sendo acompanhado por um oncologista, e um dos exames mais solicitados passa a ser a tomografia computadorizada. Embora o médico costume pedir também ultra-sonografia e ressonância magnética. Nos casos mais difíceis e/ou disseminados o exame de escolha para o rastreamento é a tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-Scan ou PET/CT), um método mais preciso que utiliza uma técnica de medicina nuclear para detalhar o câncer.

HODGKIN E NÃO-HODGKIN

Dependendo do tipo de lesão genética ou da alteração que o linfócito sofreu, haverá uma doença com características bastante diferentes. E, com um maior conhecimento sobre a forma pela qual os tipos específicos de linfoma avançam, é possível determinar a possibilidade de progressão e as formas de terapia necessários. “Há dois grandes grupos de linfomas, os Hodgkin e os não-Hodgkin”, resume o médico Waldec Filho. O primeiro grupo tem comportamento mais previsível, dissemina-se para os linfonodos próximos e tem prognóstico mais favorável, com taxas de cura próximas a 80%. Ocorre mais freqüentemente em jovens de 10 a 40 anos, de descendência européia. O tratamento envolve quimioterapia associada ou não à radioterapia. O segundo grande grupo de linfomas (não-Hodgkin) responde por 80% a 90% de todos os linfomas. E podem ser subdivididos em dois tipos: o folicular (ou indolente) e difuso (ou agressivo). O folicular cresce em ritmo lento, com manifestação de poucos sintomas e incidência mais freqüente nos idosos. É o tipo mais difícil de ser curado e representa 40% de todos os linfomas não-Hodgkin. Já no difuso, apesar de mais agressivo, a cura é obtida em 60% a 70% dos casos tratados. A incidência deste subtipo aumenta progressivamente com a idade.

Formas de tratamento

Identificado o linfoma, qualquer que seja o tipo ou subtipo, a base do tratamento é a quimioterapia, que em algumas situações pode ser complementada pela radioterapia ou por outras formas mais novas de intervenção, indicadas especialmente para pacientes que não respondem às sessões de quimio. A novidade incorporada nos últimos anos ao tratamento é o anticorpo monoclonal, que veio se somar à terapia disponível para casos específicos. “Infelizmente, o alto valor do anticorpo, cuja ação é dirigida às células afetadas pelo câncer, tem inviabilizado seu uso em maior escala”, relata o oncologista Waldec Jorge. Há ainda o recurso da quimioterapia de altas doses com transfusão de células progenitoras (do próprio paciente ou de doador) ou transplante de medula óssea, indicado nos casos em que os linfomas tratados voltaram a manifestar-se ou para aqueles que não responderam à quimioterapia convencional.

NA ABRALE, APOIO COMPLETO

Fundada há quatro anos por pacientes e familiares, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) tem hoje cadastrados 6.500 mil portadores destes tipos de cânceres relacionados ao sangue — no INCA, o cadastro para leucemia e linfoma reúne 50 mil pacientes. Além da sede na capital paulista, há núcleos regionais nas cidades de Campinas (SP), Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Caxias do Sul (RS). A entidade busca informar sobre a doença e orientar os pacientes para obterem tratamento. Há encontros semanais com palestras ministradas por profissionais de destaque na especialidade onco-hematológica. Os encontros também propiciam interação entre os pacientes, com troca de informações sobre a doença e sua evolução e tratamento. A programação inclui oficinas para melhorar a auto-estima e informações sobre terapias complementares ( ioga, acupuntura, homeopatia). O site da Abrale funciona como fonte de informações, inclusive para os profissionais da área, que acompanham as últimas pesquisas relacionadas a linfoma e leucemia. A Associação também oferece suporte jurídico para obtenção de medicamentos e de exames de custo mais elevado pela via judicial, além de apoio psicológico. “Nosso esforço visa melhorar as políticas de saúde e ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos”, fala Merula Stergall, presidente da Abrale. Mais informações: www.abrale.org.br ou pelo tel. 0800 773-9973.

 

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