Viva Saúde
Edição 34 - Novembro/2006
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Atenção aos gânglios
Aqueles carocinhos que aparecem de vez em quando nas axilas, no pescoço ou na virilha nem sempre indicam a presença de um processo infeccioso. Eles também podem ser o primeiro sinal de linfoma - um dos tipos de câncer que mais crescem no mundo e preocupam os especialistas

POR STELLA GALVÃO

Os gânglios são notados em regiões próximas às dobras da pele, como as virilhas, geralmente como reação de um processo infeccioso. Mas, se esse foco não for identificado e se o pequeno nódulo não provocar dor, é preciso investigar a presença de um linfoma

É difícil não perceber quando se forma uma espécie de caroço em alguma região próxima às dobras da pele, especialmente em axilas, pescoço ou virilha. Essa estrutura aumentada é chamada de linfonodo ou gânglio linfático. Normalmente, esses gânglios crescem quando o organismo está atravessando um processo infeccioso, o que é considerado uma reação orgânica natural. Do ponto de vista fisiológico, esses carocinhos têm função protetora e estão distribuídos por todo o organismo. Eles são formados por linfócitos (glóbulos brancos do sangue), cuja função é atuar na defesa do corpo humano contra a ação de agentes agressores como bactérias e vírus. Há diversas subespécies de linfócitos: B, T, NK (natural killer) e macrófagos. “Quando eles encontram um agente externo agressor, concentram a resposta imunológica nos gânglios e é por essa razão que ocorre o aumento do volume no local onde está se processando esse embate”, explica Jairo Sobrinho, onco-hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

A detecção do agente invasor gera uma reação inflamatória que aumenta o tamanho do gânglio e deixa a região quente, avermelhada e dolorida. Se for uma infecção viral, por exemplo, os gânglios podem aparecer aumentados em diversas áreas do corpo como as regiões inguinais e maxilares. Já os gânglios envolvidos em processos bacterianos, como amidalites ou infecções dentárias, surgem no pescoço, próximos ao local em que está instalada a infecção. Após o tratamento do processo infeccioso, os sintomas regridem e a pessoa se recupera. Até aí, está tudo dentro da normalidade.

Reprodução descontrolada

O problema maior ocorre quando esse mecanismo de defesa é ativado de forma anômala por alterações intracelulares. “Então, esses linfócitos começam a se reproduzir de maneira descontrolada ou perdem a capacidade de morrer naturalmente — o que favorece a multiplicação ou o acúmulo de linfócitos ou ainda a combinação dessas duas situações”, explica o médico Jairo Sobrinho.

Nesse caso, os gânglios crescem gradativamente, mas não provocam dores. Este é o primeiro sinal clínico de que a pessoa desenvolveu um linfoma, também conhecido como câncer do sistema linfático e cuja incidência na população brasileira e mundial vem aumentando. Hoje, estima-se que a doença atinja cinco pessoas a cada 100 mil. Nos últimos 20 anos, o número de casos praticamente dobrou. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2004 foram registradas 3.194 mortes em decorrência do linfoma, uma média de 8,5 mortes por dia. De acordo com o oncologista clínico Waldec Jorge David Filho, professor da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, este crescimento estatístico se deve em boa parte à maior precisão no diagnóstico dos diversos linfomas que acometem a população — desde crianças até idosos. Aliás, só para ter uma idéia da quantidade de tipos e subtipos desse câncer, um levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última década identificou mais de trinta variações.

Os fatores de risco

As alterações genéticas nos linfócitos que acabam desencadeando os linfomas são adquiridas ao longo da vida e não herdadas dos pais, como explica o oncologista clínico Waldec Jorge David Filho. “O fator hereditário que costuma ser associado a outros cânceres é praticamente inexistente no linfoma”, garante. Além disso, trata-se de uma doença intrinsecamente relacionada à vida moderna. “Quanto mais o mundo se moderniza, mais surgem linfomas”, acrescenta o onco-hematologista Jairo Sobrinho. Dois fatores ambientais associados à doença são o contato com alguns solventes derivados de benzeno e a exposição a fontes radioativas (como na explosão de um dos reatores da usina nuclear na Ucrânia, que atingiu a população de Chernobyl, em 1986, ou o vazamento do elemento radioativo Césio-137, em Goiânia, em 1987).

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.