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Edição 34 - Novembro/2006
 
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  Meningite: saiba reconhecer os sintomas
Até porque o tratamento tem que ser rápido para minimizar o desconforto e evitar seqüelas mais graves

POR ROSE MERCATELLI ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

A diferença entre a meningite viral e a bacteriana, além do agente causador, está na evolução de cada tipo. As virais são mais leves. Os sintomas se assemelham aos de uma gripe ou de um resfriado. A doença atinge principalmente as crianças, que fi- cam moles, irritadas, apresentam febre e se queixam de dores de cabeça. No exame clínico, relatam dor quando o médico tenta analisar a quantas anda a flexibilidade da nuca. Depois de fechado o diagnóstico como meningite viral, a conduta recomendada é aguardar que o caso se resolva sozinho e passe em alguns dias, como acontece com os resfriados.

Afinidades indesejadas

Por isso, a meningite viral é considerada benigna e evolui bem, mesmo sem contar com medicamentos específicos destinados para destruir o vírus responsável pelo problema. “A exceção, no entanto, fica por conta da meningite causada pelo vírus Herpes simplex. Este tipo pode deixar seqüelas graves quando não tratada adequadamente”, avisa a infectologista Tânia Mara Varejão Strabelli.

A história muda de figura quando a meningite é causada por bactérias. Em geral, o quadro é muito mais sério e requer tratamento rápido. O microrganismo primeiro se instala nas vias aéreas superiores, como mu cosa nasal, amídalas e faringe. Na maioria das vezes, a bactéria provoca uma infecção na região, que pode ser curada sem maiores problemas. Porém, em alguns casos, uma das três principais bactérias que causam a meningite — meningococo, pneumococo e hemófilo —, depois de se alojar no aparelho respiratório, cai na corrente sangüínea e, por essa via, alcança o sistema nervoso. Daí, infiltra-se na meninge, iniciando assim a infecção.

Segundo pesquisas, parece haver uma afinidade entre o meningococo, o pneumococo ou o hemófilo com o sistema nervoso, o que facilita uma migração desses microrganismos para a meninge. A boa notícia é que são poucos os agentes que apresentam essa afinidade, já que todos os dias entramos em contato com inúmeras bactérias sem, entretanto, corrermos o risco de apanhar uma meningite cada vez que inspiramos.

A maioria das meningites meningocócicas apresenta uma evolução mais lenta, o que permite identificar a doença e iniciar seu tratamento rapidamente. “As meningites bacterianas são mais graves, pois promovem inflamações mais intensas. Há, inclusive, a possibilidade de reações inflamatórias em alguns vasos cerebrais, denominadas vasculites. Nesse caso, os vasos podem ficar obstruídos, o que pode acarretar sérios danos e morte das células nervosas. As conseqüências podem ocasionar grandes seqüelas e até mesmo levar à morte”, explica Jean Carlo Gorinchteyn.

O risco de seqüelas é tanto maior quanto mais tempo demorar para ser feito o diagnóstico e iniciar o tratamento. Essas lesões neurológicas, quase sempre irreversíveis, podem provocar surdez (por atingir o nervo auditivo) e alterações na percepção e movimento ou outras ainda muito mais graves, como déficits no aprendizado ou paralisias cerebrais.

A meningite é uma infecção tratável. Uma verdade é válida: quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menores os riscos de seqüelas

PARA BARRAR A DOENÇA

A prevenção de meningite causada por bactérias do tipo haemophilus (hemófilos) é feita com a vacina Haemophilus influenzae tipo b que já faz parte do calendário de imunizações obrigatórias. É administrada em três doses: aos dois, quatro e seis meses. Depois são realizadas outras doses de reforço. A vacina contra a meningite por pneumococo também existe, mas como o lançamento aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, ela foi feita para o tipo de bactéria que habita naquelas regiões, um pouco diferente do pneumococo ‘brasileiro”. Mesmo com algumas adaptações, sua proteção é eficaz. A vacina contra o meningococo também propicia uma imunidade satisfatória. “Em casos de epidemia, ela é fundamental para bloquear e controlar o surto. Já as meningites virais não apresentam vacinas específicas, até mesmo por mostrarem características benignas. Há exceções como a vacina contra a meningite provocada pelo arbovírus, que é transmitida por picada de insetos, mais comum em zonas de mata, e as meningo encefalites herpéticas, causadas pelo herpes vírus e que podem evoluir para quadros graves e deixar grandes seqüelas neurológicas”, finaliza Jean Carlo Gorinchteyn.

Pescoço rígido

A meningite, seja ela bacteriana ou viral, apresenta sinais que antecedem sua instalação. Estes são conhecidos pelos médicos pelo nome de pródromos. São sintomas gripais como febre entre 38°C e 39°C, tosse seca, nariz entupido e dores pelo corpo, que podem permanecer estáveis entre 24 e 48 horas. “Depois, o quadro pode evoluir para dor de cabeça intensa e piora do estado geral. Surgem vômitos em jato, sonolência, prostração e alterações da pressão arterial”, explica o médico Jean Carlo Gorinchteyn.

Um recente estudo realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, alerta ainda que sintomas como mãos frias, fortes dores nas pernas e palidez acentuada podem estar relacionados com o mal. Segundo os pesquisadores, de 448 crianças com meningite 72% apresentaram esses três sinais cerca de oito horas após a infecção. “Esperamos que esse trabalho mude a maneira como o diagnóstico inicial é feito e salve vidas”, diz Denise Vaughan, diretora-executiva da Fundação de Pesquisa sobre Meningite, que patrocinou a pesquisa.

Um sinal característico de meningite, porém, é a rigidez na nuca. O paciente apresenta dificuldade em aproximar o queixo do peito. “O movimento de flexão do pescoço estira as meninges inflamadas, provocando dores”, explica a infectologista Tânia Mara Varejão Strabelli. Pode ocorrer, principalmente nos casos de meningite meningocócica, o aparecimento na pele de pequenas manchas vermelhas, conhecidas como petéquias. Elas dão importantes indícios ao médico de que há grande quantidade de bactérias circulando pelo sangue que podem vir a causar uma infecção generalizada, antes mesmo de se instalar nas meninges. Em medicina, esse quadro é conhecido como septicemia, que ocasiona a queda brusca da pressão arterial, o que pode levar ao choque. Nesse caso, o índice de mortalidade se aproxima de 30%, mesmo em hospitais bem equipados. Já nos casos em que a criança não apresente essas manchas a mortalidade é bem menor.

Rapidez é fundamental

O diagnóstico de meningite é feito a partir do histórico do paciente, mais o exame clínico efetuado pelo médico com a realização do teste para verifi- car se há rigidez na nuca. Além disso, existe um exame de laboratório fundamental para fechar o diagnóstico. “Trata-se da retirada do líquido da espinha (líquido cefalorraquidiano) por meio de uma punção com agulha na região lombar ou suboccipital (nuca) que irá confirmar ou não o diagnóstico de meningite”, explica o infectologista Jean Carlo Gorinchteyn.

A análise do aspecto do líquor, normalmente límpido e incolor, também ajuda a diferenciar o agente causador da doença. E aqui vale um aviso: muitos pais se assustam quando são orientados sobre a necessidade do teste. Porém, é bom que se diga que ele é fundamental para o profissional fechar o diagnóstico com precisão.

Cada tipo de meningite tem um tratamento, dependendo do agente causador. “O da meningite bacteriana é feito com antibióticos por via venosa por, pelo menos, 10 dias. Já a do tipo viral é realizado apenas com repouso e uso de medicação para aliviar os sintomas”, avisa a médica Tânia Mara Varejão Strabelli. A internação hospitalar é necessária para ambas.

Nos casos de meningite meningocócica em crianças, os médicos costumam prescrever, igualmente, medicamentos para as pessoas que morem na mesma casa, com a finalidade de prevenir a doença nos adultos que, eventualmente, possam ter sido contaminados pela bactéria. Porém, todos os médicos são unânimes em afirmar: “nos casos de meningites bacterianas quanto mais rápido começar o tratamento, melhor”.

 

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