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Edição 33 - Outubro/2006
 
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  Epilepsia não é doença
Estima-se que 3% a 4% da humanidade tenha algum grau desse transtorno provocado por um descontrole dos sinais elétricos do cérebro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a epilepsia afeta 50 milhões de pessoas no mundo - 3,5 milhões só na América Latina

POR JUREMA APRILE

Para entender o que é a epilepsia, o melhor mesmo é explicar tudo o que ela não é. Para começar, não é considerada doença porque pode ocorrer associada a várias outras alterações ou patologias do sis tema nervoso central (SNC). Atual mente, ela é definida como um transtorno que determina o aparecimento de um sintoma, a crise epiléptica. Também não se enquadra entre os distúrbios mentais, nem torna a pessoa inválida. Ao menos sete em cada 10 pessoas com epilepsia podem levar uma vida normal.

Há vários tipos de crise, mas todas são causadas pela mesma condição: uma mudança repentina nos sinais elétricos que as células do cérebro, os neurônios, mandam umas para as outras — essas ligações são o que a medicina chama de sinapses.

O cérebro funciona transmitindo eletricidade de um neurônio para outro. Quando se quer mexer um membro qualquer, por exemplo, há uma descarga elétrica na região motora cerebral correspondente que vai resultar no movimento. Na crise epiléptica, essa descarga nos neurônios é muito forte e fora de controle — e pode se manifestar em todo o cérebro ou em apenas uma área restrita.

A epilepsia pode ser determinada por qualquer causa que afete o cérebro, incluindo tumores e acidentes vasculares. Algumas vezes a propensão para a epilepsia é herdada — mas em geral não se conhecem as origens desse transtorno, que só se caracteriza quando as crises acontecem de tempos em tempos. Uma única crise não se encaixa na definição médica da epilepsia.

Imagens como em sonhos

Muita gente pensa que manifestação epiléptica é sempre cena de convulsão em que a pessoa cai, inconsciente e se debate com abalos e tremores generalizados. Nada disso.

Há eventos que passam despercebidos para quem não sabe do problema. “A crise pode ser focal, quando uma descarga elétrica excessiva atinge somente um grupo de neurônios do cérebro”, explica a médica Maria Luiza Giraldes de Manreza, coordenadora do Ambulatório de Epilepsia do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Se a região cerebral atingida for a motora, podem ocorrer sintomas como balanços e tremores, que afetam um braço ou perna. Se atingir a área visual, é comum haver alucinações, a pessoa vê imagens como se fossem sonhos.

Quando a descarga elétrica excessiva acomete todo o cérebro ao mesmo tempo, tem-se a crise generalizada. Neste caso, pode acontecer o que se chama popularmente de convulsão ou “ataque epiléptico”: a vítima perde a consciência, fica com os músculos enrijecidos (chamada de fase tônica) e depois se debate (fase clônica).

Outra forma de manifestação epiléptica generalizada é mais comum na infância. A criança só se “desliga” por alguns segundos, em uma reação conhecida como crise de ausência. Há casos em que a pessoa nem chega a perder a consciência, mas apresenta um sintoma motor brusco no braço ou na perna, é a crise mioclônica.

Manifestação precoce

Sabe-se que pelo menos 50% dos casos começam na infância ou adolescência. Nesse período, as crises mais comuns são as benignas: muitas vezes têm um fundo genético e ocorrem em crianças normais.

“A mais freqüente na infância é a epilepsia rolândica, que vem do sulco central do cérebro, também chamado área de Rolando”, diz a especialista Maria Luiza Giraldes de Manreza, autora do livro Epilepsia: infância e adolescência (Lemos Editorial). São crises que ocorrem geralmente à noite durante o sono em crianças com idades entre três e nove anos. Ao acordar durante a noite, a criança não consegue falar, porque sente um formigamento na boca, baba bastante — e geralmente está consciente e percebe tudo o que acontece. Em segundos ou minutos tudo pode passar, restando apenas uma leve sonolência, ou evoluir para uma crise generalizada, terminando em uma convulsão.

A PALAVRA EPILEPSIA VEM DO GREGO EPILAMBANEIN, QUE SIGNIFICA ‘SER ACOMETIDO, TOMADO OU ATACADO’. IBN SINA, O MESTRE MÉDICO DA ANTIGA PÉRSIA, EMPREGOU ESSE TERMO HÁ 10 SÉCULOS

Na adolescência, é mais freqüente a epilepsia mioclônica juvenil: quando o jovem apresenta sinais motores, como “trancos”, ao despertar.

“Todos esses casos são tratados com medicamentos por um certo pe ríodo, e a criança ou o jovem leva uma vida normal durante e depois do tratamento”, diz Maria Luiza.

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