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Edição 33 - Outubro/2006
 
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  Sua tireóide está fazendo você engordar?
Apesar de pequena, a glândula é fundamental para o bom funcionamento de vários sistemas do organismo. Veja até que ponto ela pode ser responsável por seus quilinhos a mais

POR ROSE MERCATELLI E YARA ACHÔA

Há um conceito popular de que o mau funcionamento da tireóide, que a deixaria ‘preguiçosa’, leva ao ganho de peso. Basta o indivíduo aumentar dois ou três quilos e a ‘culpa’ cai sobre a pequena glândula situada no pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão, em formato semelhante ao de uma borboleta. Na verdade, a crença teve início há décadas, quando se associava uma hipofunção (funcionamento reduzido) da tireóide ao acúmulo de gordura no corpo. Segundo o endocrinologista Giuseppe Repetto, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), este fato era reforçado por um exame feito por um complexo aparelho que media o consumo de oxigênio em um sistema fechado, em jejum e em repouso, chamado de ‘metabolismo basal’. Os pacientes que tinham baixo consumo de oxigênio possuíam taxa metabólica basal mais baixa quando comparados ao padrão de normalidade, que relacionavam esse consumo à idade, ao sexo, ao peso e à altura de indivíduos considerados normais (o padrão ia de mais 10% a menos 10 % do consumo de oxigênio da normalidade). Números acima desse padrão eram relacionados com o excesso de funcionamento da tireóide e valores abaixo dele com a diminuição do funcionamento da tireóide.

UMA PEQUENA REGENTE

A tireóide é fundamental para o bom desempenho de vários sistemas e órgãos, entre eles os ovários, cérebro, fígado e rins e sua importância para a saúde é inversamente proporcional ao seu tamanho. “Ela possui dois lobos, direito e esquerdo, unidos por um istmo, o que a faz parecer uma borboleta. Levíssima, pesa em média 20 gramas. É no interior de seus lobos que são fabricados os hormônios tireoidianos, a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3). Porém, apesar de tão pequena, ela é a responsável pelo metabolismo do organismo”, diz Flávio Boturão Guerra, endocrinologista do Hospital Santa Paula, em São Paulo. O que não é pouco, diga-se de passagem. Para dar uma idéia da importância da glândula, é bom saber que metabolismo basal não se resume ao gasto calórico que acontece quando você faz atividades tão diferentes como correr uma maratona, digitar um texto no computador ou ainda ler um livro. “O metabolismo basal responde pelo nível de normalidade de todas as funções celulares do organismo. A glândula hipófise é responsável pela produção dos hormônios, que regulam a função da tireóide, das supra-renais, dos testículos dos homens, dos ovários das mulheres, do hormônio do crescimento, da prolactina (que regula a lactação), etc”, relata o endocrinologista Antonio Carlos do Nascimento em seu livro Tireóide para todos – tudo o que você precisa saber para ter uma vida mais saudável (Editora Matrix). Isso equivale a dizer que da harmonia geral do organismo e das glândulas entre si, com suas inter-relações, é que temos a boa função do corpo. Uma má função hipofisária pode gerar má função tireoidiana e vice-versa.

O DISTÚRBIO AFETA CERCA DE 1% A 3% DA POPULAÇÃO GERAL E É MAIS FREQÜENTE ENTRE AS MULHERES, EM UMA PROPORÇÃO DE QUATRO PARA UM EM RELAÇÃO AOS HOMENS

Os obesos, na sua maioria, tinham valores baixos. Segundo o especialista da Abeso, este fato é hoje explicado graças ao método da câmara metabólica nos estudos de calorimetria, no qual se verifica que, para cumprir as mesmas tarefas, os obesos gastam menos calorias do que indivíduos normais e, com isso, ‘queimam’ menos oxigênio. Portanto, além da suposição popular que dizia que a obesidade era uma doença das glândulas, o gordo tinha um ‘comprovante laboratorial’ de que o distúrbio era glandular, atribuível à tireóide.

Um dos muitos sintomas do hipotireoidismo — ou seja do funcionamento lento da glândula — pode ser, sim, o ganho de peso. Mas, antes de jogar toda a responsabilidade na tireóide, saiba que esse aumento na balança se traduz em apenas três, quatro ou cinco quilos, no máximo. “O hipotireoidismo é a disfunção mais freqüente da tireóide. Ele deixa toda a nossa ‘máquina’ mais ‘lenta’. A pessoa pode até passar por preguiçosa, sem força de vontade, pois está sempre se queixando de fadiga, sonolência, dores no corpo, desinteresse pelo trabalho, raciocínio lento e ganho de peso”, explica a endocrinologista Anete Hannud Abdo, do Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse aumento de peso, porém, regride com o tratamento que engloba, além do uso do medicamento, a prática de atividade física e a adoção de uma alimentação saudável. “Se você tem hipotireoidismo, mas toma medicamento à base de hormônio de tireóide para repor a deficiência na dose certa para normalizar as taxas no sangue, não terá mais sintomas. Não há motivo para engordar ‘por causa da tireóide’ se o tratamento está sendo feito corretamente”, avisa a especialista.

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