Viva Saúde
Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Osteoporose

Perfil de uma vítima potencial da doença

Indivíduo muito magro
Sedentário: nunca se exercitou durante a vida ou não realizou qualquer atividade física no último ano antes de constatar a doença
Idoso. Há uma diminuição natural da massa óssea com o avançar da idade
Fumante, principalmente aquele que fuma mais de um maço por dia
Bebe além das doses de álcool tolerada -- o alcoolismo aumenta em 2,8 vezes o risco de osteoporose
Usuário constante de corticóides por causa de bronquite, por exemplo. Essas substâncias inibem a absorção intestinal do cálcio, o mineral essencial para o fortalecimento dos ossos
Possui histórico na família -- principalmente por parte materna -- de fratura não-traumática (ou seja, aquela ocasionada sem a necessidade de um acidente ou trauma)
Grande consumidor de proteínas e cafeína
Não gosta de se expor ao sol, mesmo nos horários permitidos. Os raios solares ultravioletas têm a função de ajudar a vitamina D a ser absorvida pelo organismo. Esse nutriente, quando ativo, favorece a formação óssea e facilita a absorção intestinal do cálcio.

Osteoporose seletiva
Homens brancos, magros e fumantes têm mais chance de ter a doença

A cor da pele pode influenciar na incidência de osteoporose. Durante a pesquisa do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia (Into) do Ministério da Saúde, a prevalência da doença nos homens brancos foi de 22,4%; nos mulatos, de 16,8%; e nos negros, de 11,4%. A massa corpórea também se revela como fator propício à osteoporose. Em indivíduos magros, com índice de massa corporal (IMC) – peso dividido pela altura ao quadrado – menor que 20kg/m2, a prevalência de osteoporose foi de 68,6%, enquanto que obesos (com IMC maior que 30kg/m2) apresentaram apenas 7%. Outro dado importante, cerca de 29% dos participantes que apresentaram a doença fumavam. “Já os homens que tomam diurético por causa de pressão alta e problemas cardíacos têm uma massa óssea melhor”, revela Zerbini.

Como a osteoporose se instala

O remodelamento ósseo é um processo contínuo de retirada de osso para o sangue e formação de osso novo, ocupando 20% a 30% do esqueleto a cada momento. Por meio do remodelamento, o tecido ósseo substitui células velhas por novas (o que ocorre em todos os tecidos) e o organismo pode dispor de elementos importantes que são armazenados nos ossos, como o cálcio. Os osteoclastos são as células responsáveis pela reabsorção durante o remodelamento.

No início de cada ciclo de remodelamento os osteoclastos “escavam” o osso, formando lacunas na sua superfície e cavidades no seu interior. Após cerca de duas semanas os osteoclastos são deslocados pelos osteoblastos (células formadoras de osso), que em um período aproximado de três meses, preenchem a área absorvida com osso novo.

Até cerca de 30 anos a quantidade de osso reabsorvido é reposta de forma equilibrada e igual. A partir daí, inicia-se um lento balanço negativo que irá provocar, ao final de cada ativação das unidades de remodelamento, discreta perda de massa óssea relacionada com a idade – osteoporose senil –, no qual, ao longo de suas vidas, as mulheres perderão cerca de 35% de osso cortical (fêmur, por exemplo) e 50% de osso trabecular (vértebras), enquanto os homens perderão dois terços desse número.

Índices de perda
• Até 10% de perda de massa óssea a partir do pico é considerada normal.
• De 10% a 25% a partir da menopausa ou andropausa: osteopenia.
• Mais de 25% de perda: osteoporose.
• Se houver fratura é considerada osteoporose densitométrica.

Por que elas são as principais vítimas

“A mulher tem mais fatores de risco do que o homem, principalmente por causa do hormônio feminino, que é um protetor do osso. Na menopausa, ocorre a queda mais abrupta desse hormônio e a maior probabilidade de perder massa óssea. Fora isso, o homem possui, em média, independente da idade, 20% a mais de massa óssea do que a mulher”, explica médico-assistente do serviço de reumatologia do Hospital Heliópolis, Cristiano Zerbini, de São Paulo.

 


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