Viva Saúde
Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Gravidez na adolescência

Nesta sociedade, influenciada por novos padrões comportamentais, te mos observado um aumento significativo no número de mulheres grávidas com idade entre 15 e 19 anos. O fenômeno, que supostamente estaria relacionado aos países subdesenvolvidos, repercute igualmente em grandes potências econômicas, como Estados Unidos e muitos países da Europa. O curioso é que só no Brasil, a cada ano, cerca de 20% dos bebês que nascem são gerados por adolescentes. Isso representa um percentual três vezes maior do que a incidência de gestantes menores de 15 anos na década de 70.

Mas, analisando o cenário atual, podemos dizer que entre as principais causas que envolvem uma gravidez precoce estão o início da vida sexual muito mais cedo do que antigamente, bem como o desconhecimento dos métodos anticoncepcionais por boa parte da população jovem. Além disso, a dificuldade da sociedade geral em aceitar o fato de que essa garotada pratica sexo sim e muito ativamente, faz com que os jovens acabem optando por barreiras contraceptivas discretas, mas ineficazes, com o intuito de não serem descobertos, como a tabelinha e o coito interrompido.

O problema é que a maioria dessas meninas não tem condições financeiras, nem mesmo emocionais, para encarar a maternidade. E, geralmente, por conta da gravidez, acabam sendo vítimas de repressão familiar: muitas delas se vêem obrigadas a fugir de casa e a interromper os estudos, prejudicando o desenvolvimento social.

A adolescência é um período de transformações físicas, emocionais e sociais. A fase costuma ser conturbada, e o jovem se depara com questões importantes, inclusive na área da sexualidade, por marcar o início da vida reprodutiva. Por isso, a gestação não é bem-vinda, pois acaba antecipando mudanças mais complexas no processo natural de amadurecimento.

No entanto, após confirmada a gravidez, embora muitas vezes a família se oponha, o melhor a se fazer é aceitar o fato com respeito e buscar colaborar com a futura mamãe.

Até porque a rejeição e a incompreensão geram conflitos, fazendo a adolescente se sentir só, até mesmo com desejos de fugir de casa e mais vulnerável a abortos, sejam eles espontâneos ou voluntários. Nessa fase também é muito comum a menina ficar fragilizada emocionalmente e o sentimento de culpa pode surgir.

SÓ NO BRASIL, A CADA ANO, 20% DOS BEBÊS SÃO GERADOS POR ADOLESCENTES. ISSO REPRESENTA UMA INCIDÊNCIA TRÊS VEZES MAIOR DO QUE A REGISTRADA NA DÉCADA DE 70

Essa situação coloca em risco a saúde da gestante e da criança, algo que precisa ser preservado. Durante os meses seguintes, um dos elementos- chave para isso é o controle prénatal que envolve acompanhamento profissional e exames. Além da colaboração dos pais ou responsáveis, é fundamental que a equipe médica que irá cuidar dessa menina a acompanhe durante toda a gravidez até a hora do parto e da amamentação. Isso porque o corpo da garota ainda está em formação, podendo sofrer certas limitações, como o desenvolvimento incompleto da pelve e a falta de elasticidade dos músculos uterinos (exigidos no parto normal).

Outro ponto importante e pouco lembrado é que a jovem também precisa estar bem-informada. Quanto mais souber sobre sua situação e de como proceder, mais tranqüila ficará. A assistência médica e a assiduidade nas consultas e exames são vitais para garantir a saúde da mãe e de seu bebê. Mas isso não exclui o apoio psicossocial que irá ajudá-la a lidar com os altos e baixos da época e os prováveis conflitos que enfrentará. Neste sentido, torna-se essencial a participação dos familiares e principalmente, se possível, a do parceiro.

FOTO: DIVULGAÇÃO PATRÍCIA MAGIER, MÉDICA OBSTETRA, MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA


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