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Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Alergia ao ar condicionado
Uma recente pesquisa concluiu que o maior culpado pelas crises de rinite alérgica provocadas pelo ar-condicionado é o choque térmico e não a contaminação por microrganismos

POR LILIAN HIRATA ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

A maioria das pessoas quando entra em ambientes com climatização por meio de arcondicionado sente algum tipo de irritação, como tosse, crise de espirro e dor de cabeça. Aqueles que têm rinite são os que mais se queixam, sofrendo de inflamação nas mucosas nasais e até nos olhos. A questão é que por muito tempo essa culpa foi atribuída à falta de limpeza dos filtros — cuja função é a de purificar o ar — que acumulavam sujeira e microrganismos nocivos à saúde. Foi então que se iniciou uma verdadeira batalha contra ácaros, fungos e bactérias. O lado bom de tudo isso foi a conscientização que despertou nas pessoas sobre a necessidade de cuidados adequados com tais aparelhos.

Verdadeiro culpado
Entretanto, segundo pesquisa pioneira conduzida pelo médico alergologista Gustavo Graundenz, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o que realmente causa as reações alérgicas é o ‘choque térmico’. Ou seja, a mudança brusca de temperatura à qual o indivíduo se submete ao sair de um ambiente natural e entrar em outro com ar condicionado. No entanto, o médico garante que essas pesquisas não têm a intenção de ‘endemonizar’ o uso do aparelho, mas sim de tentar entender melhor todos os mecanismos que desencadeiam essas reações alérgicas nas pessoas.

Segundo o alergologista, somente 10% dos casos estão associados aos microrganismos, considerando os aparelhos com manutenção adequada. Caso contrário, esses agentes, mesmo não sendo a principal causa de problemas, podem contribuir para as reações alérgicas. “Os fungos são grandes contaminadores do ar, pois soltam partículas potencialmente alergênicas”, afirma. O médico explica que o ácaro se sente muito mais confortável em casas ou apartamentos do que em áreas comerciais, inclusive escritórios. “Isso significa que ele não é um fator importante no ambiente de trabalho, pois é encontrado em pequeno número”, afirma.

Aliás, este fato levou a uma outra descoberta importante pela equipe de Gustavo Graundenz. A quantidade de microrganismos encontrada nesses filtros é insuficiente para desencadear crises de alergia, mesmo em pessoas com rinite crônica.

Os pesquisadores também identifi- caram os fungos responsáveis pelos episódios de rinite e concluíram que nem todos os tipos são agressivos, mas somente alguns — como alternaria, aspergillus e penicillium, conhecido como o ‘mofo verde’.

Avaliação da pesquisa

A equipe do alergologista Gustavo Graundenz, na primeira fase do estudo, analisou 2000 indivíduos. Destes, 1500 conviviam diariamente em ambientes com climatização artificial e os 500 restantes não freqüentavam locais com essa condição. O primeiro grupo apresentou 40% a mais de chance de desenvolver problemas respiratórios, comparado ao grupo sem exposição ao ar condicionado. Esse percentual, no entanto, também se assemelha a outras pesquisas realizadas em vários outros países.

A fase seguinte demandou processos mais específicos. Os pesquisadores confinaram por algumas horas indivíduos com e/sem rinite crônica em um local livre de qualquer contaminação — o laboratório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli) —, vestindo roupas com sistema de isolamento térmico, cujo termômetro marcava 20 graus.

Os voluntários foram submetidos a oscilações de temperatura provocadas pelo ar-condicionado central do laboratório. Após o experimento, aqueles que não apresentavam a doença, tiveram uma irritação momentânea da mucosa do nariz. Já os que sofriam de rinite alérgica desenvolveram, além disso, uma inflamação que persistiu durante os dias seguintes à realização do trabalho científico.

A equipe chegou a uma descoberta intrigante: o mecanismo alérgico provocado no organismo exposto a ambientes com climatização por arcondicionado é diferente do causado pelas alergias respiratórias, apesar de os sintomas serem parecidos. Os resultados das análises mostraram que quando uma pessoa está sob o efeito de ar condicionado há um estímulo excessivo de uma célula que participa do processo de defesa do corpo, chamada de neutrófilo. Essa célula, entretanto, não costuma ser ativada com tanta intensidade em processos alérgicos relacionados à rinite.

CUIDADOS EFICAZES

Segundo o alergologista Gustavo Graundenz, apesar de tudo, o ar-condicionado é indispensável em alguns lugares, principalmente em empresas e países onde o inverno é rigoroso. Entretanto, atitudes simples podem ser tomadas para se evitar complicações.
Realize a manutenção do aparelho apropriadamente.
Se você tem rinite, procure um profissional para tratá-la.
Pingue nas narinas soro fisiológico, algumas vezes ao dia.
Agasalhe-se antes de entrar em ambientes climatizados artificialmente para evitar o “choque térmico”.

Diferença entre os aparelhos

De acordo com o pesquisador Gustavo Graundenz, o ar-condicionado com sistema central — utilizado em ambientes de grande dimensão — é menos maléfico do que aquele de parede — indicado para pequenos espaços. Pois, o primeiro renova o ar, mas o último somente o resfria, colaborando para a proliferação de bactérias, fungos e vírus. Por isso “abra, de vez em quando, portas e janelas para proporcionar a troca de ar”, aconselha o médico.

 


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