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Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Atenção pais: voz rouca não é charme
Conhecido por disfonia, o distúrbio que provoca rouquidão deve ser tratado o mais cedo possível. Assim, a criança poupa as suas cordas vocais e cresce sem dificuldades de fala

POR PATRICIA BOCCIA

O bebê chora rouquinho, emitindo sons mais graves do que agudos, e a família acha uma graça. Então, ele cresce e continua apresentando uma certa rouquidão ao tentar dizer as primeiras palavras. Uma marca, um charme... Nada disso. A voz rouca é o primeiro sinal de um distúrbio conhecido como disfonia - que requer tratamento especializado o quanto antes. Com o passar do tempo, de acordo com a fonoaudióloga Renata Rangel Azevedo, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a criança pode apresentar falhas na voz durante a pronúncia de frases, além de criar o hábito de falar sempre alto para ser escutada.

O principal alvo desse problema é a garotada com idade entre cinco e 10 anos. Nesta faixa etária, os pequenos ampliam o círculo de relacionamento e começam a usar a voz com mais fre qüên cia em casa, na escola, no clu be e na roda de amigos. Apesar de afetar ambos os sexos, a incidência de rouquidão na infância é maior entre eles, em uma proporção de três meninos para cada menina. Uma possível explicação para essa diferença, embora sem comprovação científica, seria a exigência social de um comportamento mais agressivo por parte dos garotos - em brincadeiras de luta e durante as partidas de futebol, por exemplo. "Menino grita mais do que menina, e essa má utilização da voz aumenta as chances desse grupo desenvolver a disfonia", explica Luciano Rodrigues Neves, otorrinolaringologista e mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Esse desvio vocal é mais comum do que se imagina, embora estudos epidemiológicos realizados em escolas indiquem uma incidência entre 6% e 23,4%. Para a fonoaudióloga Gisele Gasparini, de São Paulo, os pais e educadores dão pouca importância às alterações vocais na infância e a disfonia passa despercebida. "Os adultos chegam a valorizar a rouquidão, pois acham bonito, e não percebem que o filho, na verdade, convive com um distúrbio", acredita Gisele.

Geralmente, o alerta de que algo está errado com a criança vem dos pro fessores que identificam dificuldades na realização de certas tarefas, como ler em voz alta ou ao apresentar trabalhos escolares. Só então os pais se convencem de que precisam levar o filho a um especialista, neste caso ao otorrinolaringologista.

PISTAS QUE LEVAM À DISFONIA
Fique alerta se o seu filho apresenta...
...Rouquidão freqüente ou permanente
...Queixas de ardor ou coceira na garganta
...Voz fraca no final das frases
...Frases entrecortadas (falhas na voz durante a pronúncia)
...Tosse seca depois de falar muito
...Esforço para falar (as veias do pescoço ficam aparentes)

O que há por trás dessa rouquidão

Quando a criança é encaminhada ao médico com suspeita de disfonia, ela é submetida a exames específicos da laringe para que a causa do problema seja descoberta. "Só depois é que o especialista poderá indicar o tratamento mais adequado", explica a fonoaudióloga Renata Rangel.

Há vários fatores que podem levar a esse distúrbio vocal: pólipos, cistos, alterações estruturais (a criança nasce com uma espécie de defeitinho nas cordas vocais) e, em casos bem mais raros, tumores. Porém, a ra zão mais comum para a disfonia (i dentificada em 50% dos casos) é a presença de nódulos ocasionados pelo esforço exagerado das pregas vocais. Para respirarmos, os músculos dessas pregas ficam separados, per mitindo que o ar flua do nariz para os pulmões. Quando falamos, esses mús culos se encostam para vibrarem e produzirem o som. Se essa junção e vibração forem muito intensas (quem fala alto demais, por exemplo), ocorre irritação constante que, com o tempo, ocasiona uma espécie de calo na re gião.

Não é à toa que para tratar a disfonia o mais indicado é a terapia fonoaudiológica. Durante as seções semanais são aplicados exercícios para melhorar o padrão de voz. "Para as crianças, apresentamos este trabalho de forma lúdica", explica a especialista Gisele Gasparini. A professora Renata Rangel, da Unifesp, completa: "com três a quatro meses de tratamento, já é possível perceber melhoras no padrão vocal da garotada".

Às vezes, no entanto, quando a causa do problema diz respeito a pólipos, tumores ou até as imperfeições fisiológicas, o médico precisa intervir e eliminar a lesão cirurgicamente. O procedimento é simples, mas exige in ternação e anestesia. "É bom que fique claro que não adianta removermos a lesão e a criança continuar com um comportamento vocal inadequado. Por isso, acreditamos que a terapia fonoaudiológica é sempre indispensável", ressalta o otorrinolaringologista Luciano Rodrigues Neves.

Adolescentes também sofrem

A infância não é o único momento em que a disfonia pode se instalar. Até mais ou menos os 10 ou 11 anos a diferença de voz entre meninos e meninas é muito pequena. Quando o garoto entra na puberdade, tudo muda. Com o bombardeio dos hormônios sexuais e as alterações fisiológicas decorrentes da idade, começa a fase da chamada transformação da voz. É aquela desafinação geral que costuma deixar o adolescente meio sem jeito. Ao tentar disfarçar, ele, então, provoca um engrossamento forçado da voz. Já a mudança nas meninas é menos perceptível. De qualquer forma, segundo os especialistas, essa é mais uma fase em que os pais devem estar atentos à voz do jovem, pois a mudança ocasionada pela puberdade precisa ocorrer de forma natural. Rouquidão, desafinações exageradas e timbres ruins podem ser corrigidos com exercícios fonoaudiológicos que respondem tão bem quanto o tratamento empregado na infância.


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