Viva Saúde
Edição 31 - Outubro/2006
 
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Sete perguntas para um especialista
  DOAÇÃO DE SANGUE: esperança de vida
A cada dois segundos, um paciente necessita de transfusão de sangue no Brasil. Três é o número de vidas salvas com cada doação. A seguir, tire suas dúvidas sobre o assunto para ajudar sem medo

POR WIVIAN MARANHÃO

1 QUEM PODE DOAR?

Indivíduos com boa condição de saúde entre 18 e 65 anos. Deve estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação); não estar com febre ou resfriado (se tomar vacina contra gripe, aguarde 30 dias); não estar grávida ou amamentando (a mulher pode voltar a doar depois de três meses se o parto for normal e seis meses se for cesariana). É preciso pesar também, no mínimo, 50 kg, pois o volume de sangue coletado está diretamente relacionado ao peso do doador. Uma vez que o anticoagulante presente na bolsa de coleta se liga ao sangue, impedindo que este coagule, e esse volume de anticoagulante é padronizado para um mínimo de 400 ml de sangue, uma pessoa com peso inferior a 50 kg não poderia doar o volume mínimo. Pessoas que fizeram tatuagem devem aguardar um ano, devido ao risco de transmissão de eventuais doenças. Não pode doar o indivíduo que contraiu hepatite após os 10 anos de idade, tiver evidência clínica ou laboratorial de doenças transmissíveis pelo sangue (como hepatites B e C, aids, doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas); usar drogas injetáveis ilícitas; que seja portador de malária e diabético insulinodependente (aquele que utiliza insulina).

2 COMO É FEITO O PROCEDIMENTO?

Depois de realizado o cadastro, o possível doador tem de se submeter a testes clínicos e laboratoriais, como teste de anemia, sinais vitais, triagem clínica - que avalia se essa doação pode trazer ou não riscos a ele ou ao receptor - e voto de auto-exclusão (caso o candidato não tenha sido sincero na entrevista e achar que seu sangue não deve ser utilizado, porque oferece algum risco. De maneira sigilosa, basta assinalar em um papel ou registrar eletronicamente que aquela bolsa deve ser excluída). Logo na recepção, o candidato recebe um código que o acompanha durante todo o processo. Na coleta, são retirados cerca de 450 ml de sangue em uma bolsa de uso único, estéril, sendo portanto a coleta de sangue totalmente segura. É oferecido um lanche no final. Vale ressaltar que o voluntário deve apresentar um documento de identidade original com foto emitido por órgão oficial.

3 HÁ RISCOS NO PROCESSO?

Todo o material utilizado na coleta do sangue é estéril, de uso único e descartável, o que elimina qualquer risco de contaminação para o doador. Eventualmente ele pode sentir tonturas e queda de pressão durante a doação, mas são manisfestações de natureza leve e momentânea. Ao contrário do que se acredita, a doação de sangue não altera o peso e nem afina ou engrossa o sangue, não enfraquece e não exige mais doações. O procedimento é simples, rápido e totalmente seguro.

4 PARA ONDE VAI O SANGUE APÓS A DOAÇÃO?

A bolsa é encaminhada para o fracionamento, onde será separada em até quatro componentes sangüíneos: plasma, hemáceas ou glóbulos vermelhos, crioprecipitado e plaquetas. O plasma é usado em pacientes com problemas de coagulação; o concentrado de hemáceas ou glóbulos vermelhos no tratamento de anemia; o crioprecipitado na terapia de coagulopatias e as plaquetas nos casos de hemorragia ou em concomitância com quimioterapia nos pacientes oncológicos. Em seguida, são levados ao armazenamento onde aguardam os resultados dos exames laboratoriais. Assim que todos os resultados confirmam que a bolsa é totalmente segura para transfusão, ela é transferida para os estoques de sangue da instituição onde foi realizada a doação.

5 O QUE É DOAÇÃO DE PLAQUETAS?

Esse processo que permite a separação e a coleta específica de plaquetas chamase aférese. A doação de plaquetas ajuda a muitas pessoas, principalmente as que sofrem de leucemia e outros tipos de câncer. E pode ser realizada toda semana. A reposição no doador é rápida: é feita em apenas 72 horas.

6 É MELHOR DOAR EM HOSPITAIS PRIVADOS OU PÚBLICOS?

Não há diferença entre os locais. Geralmente o sangue doado em um hospital privado é usado em pacientes do próprio local. Já os estoques do Pró- Sangue, por exemplo, estão à disposição de 300 hospitais da Região Metropolitana de São Paulo. A questão, portanto, é individual. As pessoas acabam optando pelo local, levando em conta o fácil acesso, ou mesmo pela necessidade de um parente, de um amigo ou de uma convocação feita pela mídia. Independentemente da opção, o fundamental é o doador estar ciente da importância do gesto. É preciso lembrar ainda que há uma necessidade constante nos bancos por todos os tipos de sangue.

7 QUAL O TIPO DE SANGUE QUE OS HEMOCENTROS MAIS PRECISAM?

É o tipo O Negativo. Conhecido como doador universal, ele pode ser transfundido em qualquer pessoa. É muito utilizado em hospitais, pois é o sangue que salva vidas em situações de emergência.

Aline Monteiro, médica hematologista da Fundação Pró-Sangue, Hemocentro de São Paulo


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