As gorduras trans, conhecidas como transinsaturadas (ou simplesmente trans) tornaram-se centro das atenções nas últimas semanas nos mais diversos veículos de comunicação e já são alvo de críticas e preocupações, tanto por parte da classe médica quanto da própria população - que aprendeu a ler rótulos de produtos na hora da compra.
Tal comportamento é conseqüência da divulgação da principal característica dessa gordura: a de provocar o aumento do colesterol ruim (LDL) e a diminuição do colesterol bom (HDL), favorecendo o acúmulo de placas gordurosas nas artérias (aterosclerose) e aumentando o risco de infarto ou derrame.
Hoje as doenças cardiovasculares representam a maior causa de morte no mundo. Mas, além do consumo de gorduras trans e dieta desequilibrada, há outros fatores que influenciam o desenvolvimento de enfermidades relacionadas ao coração como fumo e sedentarismo.
Não é à toa que toda essa repercussão em torno do assunto impulsionou algumas medidas, como a da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em exigir que, desde o último mês de agosto, a indústria alimentícia identifique e especifique a quantidade de gorduras trans nas embalagens dos produtos. O intuito a partir de agora é proporcionar ao consumidor a possibilidade de controlar melhor seu consumo diário.
As gorduras trans sempre fizeram parte de nossas mesas, isso porque elas são formadas naturalmente no processo de ruminação dos animais e repassadas para seus subprodutos, como carnes e leites. Na indústria, são formadas durante a transformação do óleo vegetal - que é líquido - em uma gordura sólida.
A INDÚSTRIA TEM PROCURADO SUBSTITUIR A GORDURA TRANS DE SEUS PRODUTOS, SEM AFETAR A QUALIDADE E A CONSISTÊNCIA DESSES ALIMENTOS. ENTRE AS SOLUÇÕES ESTÃO O USO DO ÓLEO DE PALMA E A INTERESTERIFICAÇÃO |
Este processo, chamado de hidrogenação, é utilizado na fabricação de margarinas, biscoitos, bolos, sorvetes, salgadinhos, entre outros produtos. Mas, antes da instituição da resolução da Anvisa, o rótulo desses alimentos trazia nomes como 'gordura vegetal hidrogenada' e 'gordura vegetal' para indicar a presença da gordura trans.
Desde que as evidências científicas apontaram os efeitos indesejáveis que podem ser provocados pelo consumo excessivo de trans, a indústria busca alternativas viáveis para substituí-las, sem prejudicar a qualidade de seus produtos.
Hoje já existem algumas alternativas tecnológicas e a mais conhecida é a interesterificação, uma técnica utilizada para produzir margarinas e cremes vegetais, sem que haja formação das gorduras trans durante o processo. Outro ingrediente que está sendo usado no lugar da gordura trans é o óleo de palma, um alimento vegetal, mais saudável e capaz de garantir consistência satisfatória aos produtos finais.
A importância de eliminar ou reduzir ao máximo as taxas de gordura trans dos produtos industrializados também tem o aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da American Heart Association. Estas entidades recomendam que sua ingestão não ultrapasse 1% das calorias diárias, o qu e corresponde a apenas dois gramas em uma dieta de 2000 calorias, por exemplo.
E mais: uma alimentação com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares tem de ser equilibrada e dar preferência às gorduras mono e polinsaturadas.
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ELIZABETH VARGAS,
NUTRICIONISTA
DA UNILEVER BRASIL |