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Edição 3 - Julho/2004
 
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  Síndrome do Respirador Bucal
O problema traz inúmeras conseqüências prejudiciais à qualidade de vida e ao desenvolvimento infantil

POR ALEXSANDRA BENTEMULLER

O número é significativo: 30% das crianças brasileiras respiram pela boca e apresentam a chamada 'síndrome da respiração bucal'. Entre narinas entupidas, desconforto na garganta e voz nasalada, instala-se um problema sério que, devido à falta de atenção dos pais, acaba prejudicando a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento dos pequenos. E isso por vários motivos, principalmente porque o ar que entra pela boca é mais agressivo ao organismo - já que chega ao pulmão com as impurezas do ambiente. "O nariz funciona como barreira: filtra, umedece e aquece o ar. O ser humano nasceu para respirar por ele, não pela boca", destaca a otorrinolaringologista Daniela Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela explica que é chamado de respirador bucal quem tem uma respiração oral por mais de quatro meses. E a pessoa não precisa estar com a boca escancarada, bastam os lábios e dentes ficarem entreabertos.

O diagnóstico nem sempre é fácil. Especialistas afirmam que várias são as complicações que levam uma criança a essa condição. As mais comuns são as rinites alérgicas e o aumento das amígdalas (localizadas na garganta) e adenóides (também conhecidas como carne esponjosa). Quando estas últimas ficam grandes demais, o ar não passa. Outras causas são as inflamatórias (sinusite), infecciosas e alterações anatômicas (desvio de septo).

O tamanho da encrenca
Ao longo do tempo, o hábito de respirar pela boca provoca flacidez dos músculos faciais, lábios e língua, alterações na postura corporal, deformidades faciais, insuficiência respiratória, má oclusão dentária, cansaço freqüente, boca seca, mau hálito, falta de apetite e noites mal dormidas. A fisioterapeuta Liu Chiao Yi (SP) explica que quem respira de forma incorreta tem uma postura caracterizada por ombros caídos, pés chatos, joelhos projetados para trás e uma retificação da região cervical (cabeça, ombros e braços deslocados para frente). "A correção é feita através de exercícios respiratórios, fortalecimento dos grupos musculares mais fracos e alongamentos, entre outros recursos", diz.

Por causa da flacidez na boca e na língua, o processo de mastigação e deglutição também fica comprometido. Resultado: a criança não tem uma alimentação adequada, já que é impossível triturar a comida e respirar ao mesmo tempo. "Ela come rápido, mastiga pouco, utiliza líquido para auxiliar na hora de engolir e prefere alimentos pastosos", diz a fonoterapeuta Zelita Guedes (SP), da Unifesp. Da mesma forma, a fala, o sono e a concentração sofrem danos. "Estudos ainda apontam uma menor oxigenação cerebral quando se respira pela boca, o que prejudica o aprendizado", completa a médica.

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