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"Minhas chances eram de 1%..." Silvana Romano, hoje com 44 anos, foi submetida a uma delicada cirurgia na cabeça
DEPOIMENTO A LETICIA CALMON
"Aos 40 anos decidi ter um filho. Era uma 'produção independente'. Minha
gestação foi normal e nada senti de diferente, a não ser um certo desequilíbrio
do corpo para o lado esquerdo. Na época, trabalhava como gerente comercial
em uma grande rede de supermercados. Pouco antes de ter o filho, fiz alguns
exames (um teste de audição e um outro neurológico) para saber a razão
desse desconforto. Foi aí que soube da existência de um tumor muito grande,
em uma área delicada da cabeça (perto da orelha). Fiquei preocupada, pois
teria que passar por uma microcirurgia, mas tentei me segurar por causa
do bebê.
O Lucas nasceu em novembro de 1999. Um mês depois, faria a operação.
Os médicos disseram que, em conseqüência dela, poderia ficar com o lado
esquerdo do corpo paralisado. O pior, porém, foi escutar da minha família
e dos médicos, momentos antes de entrar na sala de cirurgia, que tinha
1% de sobrevida. O que significava chances reduzidíssimas de viver depois
da intervenção. Só deu tempo de dar um monte de beijos em meu filho. No
caminho para a sala cirúrgica, foi impossível segurar o choro. Pensava
'não é justo ir embora agora...'
Acordei para a vida
A operação durou 14 horas. Abri os olhos e me senti como em um filme.
A primeira coisa que pensei foi: 'Lucas, eu estou aqui!' Fiquei com o
lado esquerdo do rosto paralisado. Mas o que importava é que estava viva.
Comecei a fazer fisioterapia e, alguns meses depois, passei por uma cirurgia
reparadora, o que melhorou esteticamente meu rosto.
Considero o tumor como um divisor de águas, passei a ver a vida de forma
diferente. A profissão entrou no embalo dessa mudança e escolhi trabalhar
em casa. Hoje vendo quadros, doces que eu mesma faço e jóias que aprendi
a produzir em cursos. Assim, posso me dedicar mais a meu filho, minha
grande paixão!"
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