Viva Saúde
Edição 3 - Julho/2004
 
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  "Minhas chances eram de 1%..."
Silvana Romano, hoje com 44 anos, foi submetida a uma delicada cirurgia na cabeça

DEPOIMENTO A LETICIA CALMON

"Aos 40 anos decidi ter um filho. Era uma 'produção independente'. Minha gestação foi normal e nada senti de diferente, a não ser um certo desequilíbrio do corpo para o lado esquerdo. Na época, trabalhava como gerente comercial em uma grande rede de supermercados. Pouco antes de ter o filho, fiz alguns exames (um teste de audição e um outro neurológico) para saber a razão desse desconforto. Foi aí que soube da existência de um tumor muito grande, em uma área delicada da cabeça (perto da orelha). Fiquei preocupada, pois teria que passar por uma microcirurgia, mas tentei me segurar por causa do bebê.

O Lucas nasceu em novembro de 1999. Um mês depois, faria a operação. Os médicos disseram que, em conseqüência dela, poderia ficar com o lado esquerdo do corpo paralisado. O pior, porém, foi escutar da minha família e dos médicos, momentos antes de entrar na sala de cirurgia, que tinha 1% de sobrevida. O que significava chances reduzidíssimas de viver depois da intervenção. Só deu tempo de dar um monte de beijos em meu filho. No caminho para a sala cirúrgica, foi impossível segurar o choro. Pensava 'não é justo ir embora agora...'

Acordei para a vida
A operação durou 14 horas. Abri os olhos e me senti como em um filme. A primeira coisa que pensei foi: 'Lucas, eu estou aqui!' Fiquei com o lado esquerdo do rosto paralisado. Mas o que importava é que estava viva. Comecei a fazer fisioterapia e, alguns meses depois, passei por uma cirurgia reparadora, o que melhorou esteticamente meu rosto.

Considero o tumor como um divisor de águas, passei a ver a vida de forma diferente. A profissão entrou no embalo dessa mudança e escolhi trabalhar em casa. Hoje vendo quadros, doces que eu mesma faço e jóias que aprendi a produzir em cursos. Assim, posso me dedicar mais a meu filho, minha grande paixão!"

ENTENDA BEM
 
O neurinoma cresce no canal interno do ouvido e pode se espalhar até o cérebro.
O neurocirurgião Hallim Ferez Junior (SP), do Hospital Israelita Albert Einstein, conta que este problema tem o nome de neurinoma do acústico. Trata-se de um tumor benigno (ou seja, não se espalha pelo organismo) que se desenvolve no nervo auditivo. As causas não são conhecidas. Ele começa no canal interno do ouvido e pode crescer até atingir o o cérebro. Os primeiros sintomas são normalmente relacionados com perda de audição, barulhos no ouvido (zumbidos) ou falta de equilíbrio.

Enquanto se expande, lentamente, pode envolver nervos ou estruturas vizinhas responsáveis por funções vitais. Quando o tumor mede até 2 cm de diâmetro, pode-se tratá-lo com radiocirurgia (o sistema de radiação é direcionado e é possível, assim, controlá-lo); nos maiores (o de Silvana media cerca de 4 cm de diâmetro) a cirurgia se faz necessária.

 



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