A recente declaração da atriz Cláudia Rodrigues, protagonista do seriado A Diarista, exibido pela Rede Globo, sobre ser portadora de esclerose múltipla, causou grande impacto no público brasileiro. Afinal, trata-se de uma doença inflamatória do sistema nervoso central que ataca cérebro, medula nervosa, nervos ópticos e cerebelo. É provocada pela associação de uma pré-disposição genética para desenvolvê-la a um fator ambiental, provavelmente um vírus ainda não identificado, que induz a alteração do sistema imunológico. Apesar de não ser fatal, pode comprometer partes físicas e cognitivas, alterando a memória, o humor, a atenção e a linguagem, desestruturando a vida do indivíduo e de todos ao seu redor. Daí a surpresa ao se constatar que uma pessoa cheia de vitalidade, como a artista, convivia com uma enfermidade sem cura. Mas ela não está só: atualmente existem cerca de 6 mil portadores no Brasil - o mal acomete 16 pessoas a cada 100 mil habitantes.
Esperança de cura? Ainda parece um sonho distante. Lembro que houve uma época em que a televisão falava da legalização do transplante de medula óssea como esperança para um novo e milagroso tratamento para a esclerose múltipla. O cantor Herbert Vianna, inclusive, vestiu uma camiseta da campanha e foi ao Congresso Nacional. Infelizmente, tudo em vão. O procedimento teve de ser abandonado por causar
altos índices de mortalidade após o transplante. Outras alternativas, porém, vêm surgindo. Especialmente em relação ao desenvolvimento de novos medicamentos com o intuito de controlar melhor a doença.
Nessa luta, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) se firma como um centro de neuro-reabilitação. Por meio da entidade, o portador recebe atendimento de médicos, como fisiatra (um especialista nessa tarefa), psiquiatra, urologista, acupunturista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e funcional, fonoaudiólogo, psicólogo, neuropsicólogo, nutricionista e assistentes social e jurídico.
COSTUMO DIZER QUE SEMPRE VALORIZAMOS O QUE NÃO PODEMOS MAIS FAZER, MAS DEVEMOS ESTIMAR AQUILO QUE AINDA SOMOS APTOS A EXECUTAR, COM OU SEM AJUDA, E TENTAR ENXERGAR NOVAS POSSIBILIDADES |
É o neurologista que faz o diagnóstico e inicia o tratamento. Mas acontece que, nessas condições, o paciente, que vê sua existência afetada sob todos os aspectos - social, biológico e psicológico -, necessita mais do que medicamento, ele precisa de apoio para reorganizar sua vida. E aí está a importância da reabilitação que irá auxiliá-lo a conhecer melhor suas dificuldades e limitações. O que se busca é permitir que a pessoa reaprenda a usar suas funções debilitadas ou até mesmo perdidas, desenvolvendo potencial máximo diante das incapacidades.
procedimenÉ o neurologista que faz o diagnóstico e inicia o tratamento. Mas acontece que, nessas condições, o paciente, que vê sua existência afetada sob todos os aspectos - social, biológico e psicológico -, necessita mais do que medicamento, ele precisa de apoio para reorganizar sua vida. E aí está a importância da reabilitação que irá auxiliá-lo a conhecer melhor suas dificuldades e limitações. O que se busca é permitir que a pessoa reaprenda a usar suas funções debilitadas ou até mesmo perdidas, desenvolvendo potencial máximo diante das incapacidades.
Encarando os novos desafios impostos pela moléstia por meio de exercícios físicos, técnica de conservação de energia e orientações de qualidade de vida, é possível transformar o cotidiano dessas pessoas. É dessa maneira que suas perspectivas são ampliadas, mesmo convivendo com uma doença incurável, assim como a atriz Cláudia Rodrigues, que procura viver dia-a-dia o seu melhor momento.
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NADINE RENZI ROSSI, MÉDICA FISIATRA, MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA |