Através dos tempos, a imagem de um homem bonito e saudável esteve associada a uma farta cabeleira. Por isso, embora seja extremamente comum, a calvície masculina não é bem-aceita pela grande maioria dos seus portadores e, junto com os cabelos, faz cair também a auto-estima dos homens. Muitos chegam ao ponto de não abrir mão dos chapéus e bonés, em qualquer ocasião, para disfarçar o problema; outros recorrem a penteados 'inusitados' ou até a perucas. Felizmente, hoje existem tratamentos clínicos capazes de atenuar o problema - inclusive o transplante capilar. Sonho de muitos carecas, por permitir que os cabelos voltem a crescer da mesma forma que os fios originais, porém, o método ainda causa muito receio e dúvidas.
Não é à toa. A simples imagem dos antigos implantes, nos quais a cabeça do paciente ficava parecida com uma plantação de cebolinhas já faz muitos mudarem de idéia. O que nem todos sabem é que as técnicas usadas para transplantar os fios evoluíram nos últimos anos e atualmente atingem um alto grau de naturalidade.
Para que esse resultado realmente agrade, no entanto, médico e paciente devem respeitar os limites impostos para cada caso. "O transplante capilar é ideal para quem já tem a calvície ou para aqueles cuja queda de cabelo venha aumentando de forma a ser evidente a instalação do problema no futuro. Mas só pode ser realizado se a pessoa estiver clinicamente bem para a cirurgia e possuir área doadora de fios saudáveis (normalmente a região occipital, ou seja, acima da nuca, que é imune à calvície)", explica o cirurgião plástico Sérgio Aluani, do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.
| O PROCESSO, FIO A FIO |
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A cirurgia depende da quantidade de cabelo presente na área doadora. Para leves entradas, são necessários cerca de 2 mil fios. Se a calvície se estender até o centro da cabeça, essa quantidade sobe para até 5 mil. Veja como é realizada a operação:
O paciente recebe a sedação intravenosa superficial (do tipo usado em exames de endoscopia), que o fará dormir durante o procedimento. Em seguida, o cirurgião aplica anestesia local sobre a área doadora, localizada perto da nuca. Essa é a única região na qual o hormônio dihidrotestosterona ou DHT (responsável pelo enfraquecimento e queda dos cabelos) não age
Com um microbisturi, o especialista retira uma fatia do couro cabeludo (parte pontilhada) de cerca de 12 cm x 2 cm e logo faz a sutura
Por meio de microscópios especiais, são separadas as unidades foliculares (anéis feitos de tecido conjuntivo e glândulas sebáceas), onde os fios são presos
O cirurgião abre orifícios na área calva com uma agulha para colocar cada unidade folicular. Isso permite que se faça um desenho da parte frontal bem natural
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Antigamente a técnica utilizada era aquela em que se retiravam tufos de cabelo da área doadora para serem transplantados na área calva. Mais fácil, o procedimento não tomava muito tempo como os atuais, que levam cerca de quatro horas de trabalho. Porém, o resultado era um antiestético aspecto de 'cabelo de boneca'. O médico Sérgio Aluani lembra que nem mesmo o surgimento de um aparelho para facilitar a retirada dos tufos em tamanhos menores resolveu a questão estética. Assim como o laser, que apresentava maus resultados na região onde os fios eram transplantados.
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