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Edição 27 - Julho/2006
 
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Testosterona na medida
  Especialistas revelam quando repor a testosterona
A queda hormonal também é um problema masculino, conhecido como andropausa, e que pode causar desde ganho de peso até disfunção erétil e depressão após os 40 anos. Repor o hormônio masculino é a solução para alguns casos

POR ADRIANO CATOZZI

Quando procurar tratamento

Não existe uma idade certa para o homem buscar ajuda médica. De acordo com o consenso da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) sobre o Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), o diagnóstico correto parte da presença de alguns sinais para que sejam indicados exames laboratoriais - e isso pode ser considerado já a partir dos 30 anos. "O diagnóstico deve estar alicerçado na constatação de níveis laboratoriais de testosterona inferiores à normalidade, além de sintomas característicos do problema", explica o urologista Geraldo Garcia. Eventualmente, podem ser solicitados exames de outros hormônios.

Segundo a endocrinologista Ruth Clapauch, como existe uma oscilação natural nos níveis de testosterona durante o ano, somente fazer uma única dosagem não é suficiente. O diagnóstico deve ser confirmado com uma segunda amostra. Ela explica que, durante o envelhecimento, os níveis de testosterona total podem estar ainda na faixa normal (até 400 pg/ml)*, porém a testosterona ativa, em baixa. Isto ocorre porque, com a idade, há uma elevação da proteína ligadora dos esteróides sexuais (SHBG) que imobiliza o hormônio masculino e não permite sua ação nos tecidos.

Nos homens com mais de 40 anos, o ideal é obter uma primeira dosagem da testosterona total; se estiver menor que 4000 pg/ml, na amostra confirmatória deve-se dosar também a SHBG para obter-se, então, os níveis da testosterona livre calculada.

A hora de repor os hormônios

Se os níveis de testosterona estão comprovadamente abaixo do esperado, é indicada a terapia de reposição hormonal. Esse tratamento é feito principalmente por meio de injeções intramusculares de enantato, cipionato e proprionato de testosterona aplicadas a cada duas ou três semanas. Embora eficiente, estes compostos atingem pouca estabilidade nos níveis plasmáticos, ou seja, alcançam "picos" logo que são administrados e caem a níveis abaixo do desejado ao final do intervalo. Há ainda comprimidos de derivados de testosterona, mas que podem apresentar toxicidade hepática. Um novo tratamento, à base de undecanoato de testosterona, acaba de chegar ao Brasil sem apresentar esses inconvenientes, sendo aplicado somente a cada três meses. "O medicamento propicia uma liberação gradual do hormônio, mantendo níveis estáveis de testosterona no sangue", explica a médica Ruth Clapauch.

Apesar da reversão dos sintomas provocados pela deficiência hormonal, a reposição de testosterona apresenta riscos: crescimento da próstata (por isso a contra-indicação para pacientes portadores ou com suspeita de câncer de próstata), disfunção do fígado, alterações hematológicas e do sistema cardiovascular e até apnéia do sono - normalmente reversíveis com a interrupção do tratamento. "Tudo depende da dose e de uma boa avaliação médica antes do tratamento", ressalta a médica endocrinologista Ruth Clapauch. "Estes parâmetros devem ser reavaliados a cada três meses no primeiro ano de reposição da testosterona e, depois, uma vez ao ano", acrescenta o urologista Geraldo Garcia.

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS
A queda hormonal ocorre de forma diferente em homens e mulheres

ANDROPAUSA X MENOPAUSA

A maior diferença entre a andropausa (masculina) e a menopausa (feminina) é que, na mulher, existe uma pausa brusca da produção de estrogênios, o que acarreta sintomas evidentes como ondas de calor, alterações sexuais e psíquicas, além da falta da menstruação - geralmente por volta dos 45 a 55 anos. No homem, ao contrário, não existe parada brusca da produção de testosterona e sim um decréscimo lento e progressivo de 1% ao ano, em geral a partir dos 40 anos. Também não são todos os homens que são acometidos pela andropausa: a queda ocorre em 20% dos homens entre 60 e 69 anos, 30% daqueles entre 70 e 79 anos e de 50% dos que estão com idade acima de 80 anos. Como a diminuição da produção de testosterona é muito lenta, geralmente os sintomas não são identificados - o que é um problema. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia, que escreveu as Diretrizes para Diagnóstico e Tratamento desta condição, adotadas pela Associação Médica Brasileira, recomenda o termo Hipogonadismo Masculino Tardio, pois se refere à diminuição da função gonadal masculina (testicular) no homem idoso.

*CADA PG EQUIVALE A UM TRILIONÉSIMO DE GRAMA

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