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Edição 27 - Julho/2006
 
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  Sete perguntas sobre o uso de aparelhos na infância
Atenção pais: especialistas revelam sete verdades sobre dentes tortos, defeitos na arcada dentária e o uso de aparelhos ortodônticos na infância

POR ROSE MERCATELLI
FOTOS FERNANDO GARDINALI

ILUSTRAÇÕES: MG STUDIO

Há pouco mais de uma década, quando uma criança apresentava dentes tortos, falta de espaço na arcada dentária ou defeitos na mordida - problemas que, muitas vezes, obrigam os dentes a nascer tortos e em posição errada -, a maioria dos dentistas aconselhava o uso de aparelho somente por volta dos 12 anos, quando, em geral, se encerra a erupção da dentição permanente (com exceção dos terceiros molares, os populares dentes do sizo).

Hoje, a recomendação é outra. Os dentistas já não esperam mais tanto tempo para começar a intervir. Ao contrário. Viva Saúde consultou especialistas para saber por que o número de crianças que fazem uso dos aparelhos corretivos cresceu, se é possível para a garotada ficar livre desses acessórios (que ainda são motivo de piadas e complexos na turma), qual a melhor hora para colocá- los e o que existe de novidade neste tipo de tratamento. Confira a seguir.

APARELHOS CORRETIVOS:

indicados quando os desvios da dentição já estão instalados e o paciente atingiu uma idade em que não há mais crescimento nos ossos da face. Isso ocorre dos 12 aos 14 anos, mais ou menos. Nesses casos, só resta ao ortodontista mexer na posição dos dentes. Também fazem parte dessa categoria os aparelhos extra-orais, um misto de fixo com um anteparo colocado na nuca, que ajudam a posicionar melhor a mandíbula quando o paciente apresenta alterações no encaixe dos primeiros molares.

1.Quais os problemas dentários freqüentes na infância?
DESVIOS NO ALINHAMENTO DENTÁRIO: os dentes se apresentam uns sobre os outros, porque a arcada dentária (superior ou inferior) é pequena para acomodar a dentição que já nasceu ou a que ainda está por vir.
RELAÇÃO INCORRETA ENTRE AS ARCADAS DENTÁRIAS: este problema é observado pelo especialista que analisa o encaixe dos primeiros molares permanentes, que nascem aos seis anos de idade. Há três formas possíveis de classificar este tipo de desvio:
a. Quando o molar inferior está apenas um pouco à frente do superior, mas recoberto por este. Esta é a relação desejável, conhecida como normoclusão.
b. Quando o primeiro molar inferior se posiciona bem atrás do seu correspondente superior, deixando a mandíbula mais curta e um queixo pequeno.
c. O primeiro molar inferior está muito à frente do superior. O paciente fica com a mandíbula projetada à frente, dando a impressão de ter um queixo grande. Os problemas também podem ser classificados pelo jeito da mordida.

Mordida aberta
Mordida cruzada
Sobremordida

MORDIDA ABERTA: quando os dentes anteriores se encontram projetados para frente.

MORDIDA CRUZADA: unilateral ou bilateral, quando os dentes inferiores se encaixam por fora dos superiores, sendo que o correto é a posição inversa, isto é, os de cima 'cobrindo' os de baixo.

SOBREMORDIDA: em condições normais, os dentes anteriores superiores cobrem apenas uma pequena parte dos inferiores. Porém, quando as dimensões das arcadas dentárias estão alteradas, muitas vezes a mordida torna-se muito profunda e os incisivos superiores chegam a recobrir totalmente os dentes de baixo. Nesse caso, os dentistas dizem que houve uma perda da dimensão vertical, pois as arcadas dentárias não se desenvolveram em altura de maneira apropriada, conferindo à face da criança um ar envelhecido.

2.A alimentaçao errada pode afetar os dentinhos?
Uma das principais causas para que as crianças tenham tantos problemas de má oclusão (tipos de encaixe incorreto dos dentes) é a falta de uso da dentição. A alimentação cada vez mais pastosa, facilitando a mastigação e a deglutição, contribui para essa ausência de estimulação. Resultado: Os dentes de leite demoram a cair, impedindo ou atrapalhando a erupção dos permanentes. "Hoje, é comum a necessidade de extrair dentes de leite que ainda estão na arcada, enquanto os correspondentes da dentição permanente já nasceram em má posição", revela a odontopediatra e ortodontista Maria Lúcia Guimarães Briso (SP). E alerta: "o descompasso no processo de reabsorção da raiz do dente de leite, seguido de sua queda e erupção do permanente, é capaz até de afetar o crescimento do osso da arcada em sua altura.

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