"Descobri outras formas de arte"
Pianista de fama internacional, Maria Augusta de Oliva Morgenroth, de 79 anos, teve os movimentos das mãos comprometidos, mas não se deixou abater e continua produzindo
" Sou pianista clássica, me dedico à música desde a infância e fiz, inclusive, apresentações no Carnegie Hall, em Nova York. Fui a única solista brasileira da Orquestra Filarmônica de Viena, além de ter sido solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Apaixonada pelas artes, fundei a Escola de Ballet do Teatro Castro Alves - a primeira escola de dança da Bahia - e a Associação Baiana de Arte. E sempre acreditei que devemos buscar uma força interior para superar os males que nos acontecem no decorrer da vida. Há três anos e meio, levei um tombo no canteiro de uma árvore, indo para a casa de minha irmã. A dor que senti naquele momento foi terrível, sem saber que a dor maior ainda estava por vir. Fiquei imobilizada durante seis meses, esperando a calcificação do osso, pois tive três graves fraturas no braço direito (a maior delas no úmero). No final, me submeti a uma cirurgia para a colocação de uma haste. Como fiquei seis meses imobilizada, a cirurgia foi complicada, o nervo radial foi manuseado, causando a paralisia e atrofiamento do braço e da mão, comprometendo meus movimentos e originando um formigamento constante e muitas dores. Fiz sessões de fisioterapia na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Rio de Janeiro, na tentativa de recuperar os movimentos. O ortopedista constatou a necessidade de uma cirurgia reparadora, pois os movimentos estavam comprometidos, devido à haste malcolocada . Em maio de 2004, fui operada pelos cirurgiões Sérgio Franco (ortopedista) e Mário Galvão (especialista em nervos), para substituir a haste por uma placa.
O show deve continuar
Durante este período de 'férias forçadas', longe do piano e do palco, entrei em ação para não sentir a conseqüência do nefasto tombo. Busquei descobrir outras habilidades. Peguei um gravador e comecei a fazer uma retrospectiva de minha vida desde a infância. Graças à minha eficiente acompanhante, fui passando tudo para o computador. Assim nasceu minha autobiografia lançada no ano passado.
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| Maria Augusta junto a um dos seus 40 quadros e ao piano: duas paixões |
Entusiasmada com essa nova perspectiva artística, resolvi escrever um romance, O Ciclo da Vida, lançado recentemente. O livro fala de temas atuais como aids, eutanásia e Alzheimer. O objetivo é fazer as pessoas refletirem e analisarem vários acontecimentos. Com o auxílio da mão esquerda, já que a direita ficou atrofiada, agora também pinto quadros. Já produzi 40 ao todo, o que me possibilitou participar de duas exposições, uma na Bahia e a outra no Rio de Janeiro. Quanto à música, já que não posso mais tocar, dou aulas de piano e pintura. E assim vou levando a vida..."