Viva Saúde
Edição 27 - Julho/2006
 
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  Gente que deu a volta por cima

POR YARA ACHÔA

"Descobri outras formas de arte"

Pianista de fama internacional, Maria Augusta de Oliva Morgenroth, de 79 anos, teve os movimentos das mãos comprometidos, mas não se deixou abater e continua produzindo

FOTOS: DIVULGAÇÃO" Sou pianista clássica, me dedico à música desde a infância e fiz, inclusive, apresentações no Carnegie Hall, em Nova York. Fui a única solista brasileira da Orquestra Filarmônica de Viena, além de ter sido solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Apaixonada pelas artes, fundei a Escola de Ballet do Teatro Castro Alves - a primeira escola de dança da Bahia - e a Associação Baiana de Arte. E sempre acreditei que devemos buscar uma força interior para superar os males que nos acontecem no decorrer da vida. Há três anos e meio, levei um tombo no canteiro de uma árvore, indo para a casa de minha irmã. A dor que senti naquele momento foi terrível, sem saber que a dor maior ainda estava por vir. Fiquei imobilizada durante seis meses, esperando a calcificação do osso, pois tive três graves fraturas no braço direito (a maior delas no úmero). No final, me submeti a uma cirurgia para a colocação de uma haste. Como fiquei seis meses imobilizada, a cirurgia foi complicada, o nervo radial foi manuseado, causando a paralisia e atrofiamento do braço e da mão, comprometendo meus movimentos e originando um formigamento constante e muitas dores. Fiz sessões de fisioterapia na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Rio de Janeiro, na tentativa de recuperar os movimentos. O ortopedista constatou a necessidade de uma cirurgia reparadora, pois os movimentos estavam comprometidos, devido à haste malcolocada . Em maio de 2004, fui operada pelos cirurgiões Sérgio Franco (ortopedista) e Mário Galvão (especialista em nervos), para substituir a haste por uma placa.

O show deve continuar

Durante este período de 'férias forçadas', longe do piano e do palco, entrei em ação para não sentir a conseqüência do nefasto tombo. Busquei descobrir outras habilidades. Peguei um gravador e comecei a fazer uma retrospectiva de minha vida desde a infância. Graças à minha eficiente acompanhante, fui passando tudo para o computador. Assim nasceu minha autobiografia lançada no ano passado.

Maria Augusta junto a um dos seus 40 quadros e ao piano: duas paixões

Entusiasmada com essa nova perspectiva artística, resolvi escrever um romance, O Ciclo da Vida, lançado recentemente. O livro fala de temas atuais como aids, eutanásia e Alzheimer. O objetivo é fazer as pessoas refletirem e analisarem vários acontecimentos. Com o auxílio da mão esquerda, já que a direita ficou atrofiada, agora também pinto quadros. Já produzi 40 ao todo, o que me possibilitou participar de duas exposições, uma na Bahia e a outra no Rio de Janeiro. Quanto à música, já que não posso mais tocar, dou aulas de piano e pintura. E assim vou levando a vida..."


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