
Chamamos de hepatite toda inflamação no fígado. Ela pode ter várias causas como vírus, álcool, medicamento, fatores genéticos, entre outras. Dentre essas, destacam-se as hepatites virais, principalmente aquelas causadas pelos vírus dos tipos A, B, C, D e E, que são consideradas de grande interesse de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 325 milhões de portadores crônicos de hepatite B (HBV) e 170 milhões de portadores crônicos de hepatite C no mundo.
Hepatite A
É uma doença transmitida pelo vírus A da hepatite (HAV). É também conhecida como hepatite infecciosa ou epidêmica, sendo esta última denominação devido ao fato de poder ocorrer sob a forma de surtos.
A hepatite A é uma doença de evolução
benigna, ou seja, o paciente geralmente
evolui para cura sem seqüelas. Os sintomas,
quando presentes, são mal-estar, enjôos,
dor abdominal, icterícia (amarelo nos olhos
e na pele), falta de apetite, fraqueza, urina
escura e fezes claras. Não existe tratamento
específico, porém é recomendado o repouso,
que é uma condição imposta pela
própria condição do paciente. A utilização de dieta pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular. Porém, seu maior benefício é ser de melhor digestão para o doente sem apetite. A única restrição está relacionada à ingestão de álcool - deve-se evitá-lo preferencialmente por um ano ou, pelo menos, por um período de seis meses.
A principal forma de transmissão da infecção se dá pela via fecal-oral, ou seja, a pessoa pode se infectar ao ingerir água ou alimentos contaminados. A disseminação do vírus está relacionada às condições de saneamento básico, nível sócioeconômico da população, grau de educação sanitária e condições de higiene da população.
A melhor estratégia de prevenção desta hepatite inclui a melhoria das condições de vida, com adequação do saneamento básico e medidas educacionais de higiene. Outra forma de prevenção é a utilização da vacina específica contra o vírus A, que o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde disponibiliza para situações específicas, como portadores de outros tipos de hepatites que podem tornar-se crônicas.
Hepatite B
É uma doença infecciosa transmitida pelo vírus B da hepatite (HBV). Após o contato inicial, em pessoas adultas infectadas com o HBV, de 90% a 95% se curam espontaneamente, permanecendo o restante com o vírus por mais de seis meses e evoluindo para a forma crônica.
Na fase aguda, a pessoa pode ou não ter sintomas, sendo muito semelhantes ao já descritos para a hepatite A, quando presentes. Percentual inferior a 1% apresenta quadro agudo grave (fulminante). Em indivíduos que se tornam crônicos, o diagnóstico, na maioria das vezes, é feito por acaso. Uma parcela destes portadores pode evoluir para formas graves como a cirrose ou câncer de fígado. Na fase aguda, o tratamento é somente de suporte, como já descrito para a hepatite A. Na fase crônica o paciente deverá ser encaminhado para um serviço especializado para acompanhamento e exames laboratoriais, que irão indicar se há ou não necessidade de tratamento, o momento certo de sua instituição e o tipo de medicamento para cada caso.
A transmissão do HBV se dá através de relações sexuais desprotegidas, pois o vírus encontra- se no sêmen e nas secreções vaginais. Outra via é a sangüínea, embora transfusão de sangue e seus derivados sejam seguros desde a década de 70, quando foram estabelecidos os testes sorológicos para esta infecção em bancos de sangue. A transmissão também pode ser veiculada quando do uso de drogas (ao compartilhar agulhas e seringas), através do contato com instrumentos que venham conter sangue ou resíduo de sangue, como aqueles utilizados em procedimentos sem esterilização adequada ou utilização de material descartável: intervenções odontológicas e cirúrgicas, hemodiálise, tatuagens, perfurações de orelha, colocações de piercings.
A transmissão de mãe para o filho pode ocorrer no momento do parto ou durante a amamentação, caso a mulher seja portadora da doença. Porém o aleitamento sempre está indicado, desde que se proceda à vacinação da criança ainda na maternidade nas primeiras 12 horas de vida, acrescida da aplicação de Imunoglobulina contra a hepatite, rica em anticorpos contra este vírus.
Como medidas de prevenção contra a hepatite B, recomenda-se: usar preservativo; não compartilhar agulhas e seringas ou outros equipamentos que cortam ou furam; os bancos de sangue devem continuar testando as bolsas de transfusão; os profissionais de saúde devem usar equipamentos de proteção individual; e aqueles estabelecimentos que manipulam instrumentos que entram em contato com sangue devem mantê-los esterilizados ou usar material descartável. Existe vacina contra o HBV, que é bastante eficaz, oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde nos postos de todo o país. Ela está disponível para menores de 20 anos ou em qualquer idade para pessoas consideradas com um risco adicional de adquirirem a infecção, como profissionais da área da saúde e usuários de drogas, entre outros.
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