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Especial Viva Saúde - Junho/2006
 
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Programa Saúde

O Ministério da Saúde criou em 2002 o Programa Nacional para Prevenção e o Controle das Hepatites Virais (PNHV), com o objetivo de promover ações que tenham por finalidade o combate à doença. Essas ações acontecem em três frentes: prevenção e controle, vigilância epidemiológica e assistência ao portador. “As ações vêm sendo implantadas de forma progressiva de acordo com a estruturação de serviços e situação epidemiológica de cada estado”, explica Gerusa Maria Figueiredo, coordenadora do Programa, ligado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Existe uma meta de vacinação contra o vírus B visando assistir as pessoas mais vulneráveis, ou seja, aquelas com risco acrescido de contrair a doença. Essa vacina tem se mostrado um importante instrumento para a prevenção contra o HBV, pois a sua eficácia gira em torno de 95%. São três doses, sendo a primeira aplicada no momento ‘zero’, a segunda em 30 dias e a terceira, 180 dias após a primeira dose. Como é uma vacina fabricada com tecnologia de engenharia genética, não há contra-indicações, podendo ser administrada inclusive em mulheres grávidas.

Aumentando a faixa de proteção

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em dois bilhões o número de pessoas que já tiveram contato com o vírus da hepatite B, tornando 400 milhões de portadores crônicos. Em contrapartida, a prevalência de hepatite B tem sido reduzida em países onde a vacinação foi implementada. “A vacina é extremamente importante pelo fato de aliar alta eficácia com ausência de efeitos colaterais”, afirma o infectologista Antônio Alci Barone, professor titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe do Laboratório de Hepatites do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FAMUSP). Estudos do final da década de 80 e início de 90 sugeriam um aumento da freqüência da região Sul em direção à região Norte.

Assim, considerava-se que ocorriam três padrões de distribuição da hepatite B: alta endemicidade na região Amazônica, sul do Espírito Santo e oeste dos estados do Paraná e Santa Catarina; endemicidade intermediária nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, e baixa endemicidade na região Sul do país. No entanto, essa infecção é muito dinâmica e variável. Com a implementação de campanhas de vacinação contra hepatite B em algumas regiões do estado do Amazonas, desde 1989, e sob a forma de rotina do calendário vacinal desde o início da década de 90 em regiões de alta endemicidade, esse padrão vem se modificando, como atestam estudos mais recentes. Nos últimos anos, com o objetivo de aumentar a taxa de proteção aos mais suscetíveis para a infecção pelo vírus HBV, a imunização foi estendida para a faixa etária até 19 anos em todo o território nacional. Quanto à hepatite C, ainda não existem estudos capazes de estabelecer sua real prevalência no país. Uma das poucas pesquisas de base populacional realizada revelou 1,42% de portadores de anti-HCV (marcador viral que indica contato com o vírus da hepatite C ) na cidade de São Paulo. Resultado semelhante foi obtido em um estudo de soro prevalência realizado na cidade de Salvador, com 1,5% de portadores de anti-HCV. Atualmente a transmissão da hepatite C via transfusão sangüínea e hemoderivados é rara, em conseqüência da introdução dos testes sorológicos em bancos de sangue.

Ao longo de 2004 e 2005, novo inquérito soroepidemiológico de base populacional foi realizado em algumas capitais brasileiras. Esse estudo está sendo conduzido pelo PNHV em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE). Nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Distrito Federal, onde o inquérito já foi concluído, foram encontradas baixas prevalências de portadores do HBV (variando entre 0,11 a 0,74%), alta prevalência de indivíduos que já entraram em contato com o HAV (variando entre 32,26 a 66,67%) de pessoas portadoras de anticorpo contra o HCV (entre 0,94 a 1,89%). Dado que a hepatite A não evolui para formas crônicas e a taxa encontrada diz respeito apenas a contato prévio, os números mais preocupantes são os referentes à hepatite C, que evolui para a cronicidade em cerca de 80% dos casos e para a qual não existe vacina. Medidas que evitem a veiculação de sangue, como o não compartilhamento de materiais perfurocortantes são fundamentais para a prevenção da doença.


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