Sofrer as conseqüências por um vício não é nada bom — imagine correr o risco de seu organismo sofrer com doenças gravíssimas pelo vício dos outros. Um misto de impotência e de revolta: é assim que os fumantes passivos encaram esta ameaça que, às vezes, dorme na sua cama, senta ao seu lado na mesa do escritório e está dentro do seu próprio carro. Segundo a Associação Americana do Coração, os fumantes passivos têm o dobro de chance de sofrer um infarto em comparação às pessoas que se mantêm longe das tragadas dos colegas e parentes. Isso porque quem convive com tabagistas pode inalar por dia o equivalente a dois cigarros (quase como um fumante em pequenas quantidades). Além disso, a fumaça que o fumante por tabela inala é muito mais tóxica porque sai da ponta do cigarro sem passar pela proteção do filtro.
A Organização Mundial da Saúde fez um levantamento dos três lugares onde se está mais exposto ao vício alheio. O primeiro e mais perigoso é o ambiente doméstico, onde pais, esposos ou filhos fumam sem se importar com outras pessoas. Os próximos são: ambientes profissionais e de lazer.
De acordo com dados do Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis, a população brasileira parece ser conhecedora destes malefícios, uma vez que 90,9% dos entrevistados declararam ser verdadeira a afirmativa: “Pessoas que nunca fumaram e passam anos respirando a fumaça de outras podem, por estar em contato com o cigarro, morrer de várias doenças, inclusive do coração”.
Dependência precoce
Gestantes fumantes garantem aos seus filhos um futuro, no mínimo, repleto de fumaça tóxica. Os números de uma pesquisa internacional indicam que se todas as grávidas americanas parassem de fumar poupariam, pelo menos, 4.600 vidas por ano. Tudo porque as fumantes têm 40% de chances a mais de gerar prematuros, a probabilidade de abortar aumenta em 70%, além do risco de ter descolamento de placenta, o que pode causar a morte de 50% dos bebês.
Mais: a Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, constatou que no líquido amniótico de 52,4% de mulheres fumantes havia uma substância cancerígena. O mesmo fator foi detectado em apenas 6,7% das não fumantes.
Na infância, os efeitos imediatos da exposição à chamada poluição tabagística ambiental (PTA) incluem tosse, irritação nos olhos, manifestações nasais e aumento de problemas alérgicos. Outros efeitos a médio e longo prazo são a maior incidência de males cardíacos associados à hipertensão, redução na capacidade funcional respiratória, aumento do risco de arteriosclerose e de infecções respiratórias.
Na infância, os efeitos imediatos da exposição à chamada poluição tabagística ambiental (PTA) incluem tosse, irritação nos olhos, manifestações nasais e aumento de problemas alérgicos. Outros efeitos a médio e longo prazo são a maior incidência de males cardíacos associados à hipertensão, redução na capacidade funcional respiratória, aumento do risco de arteriosclerose e de infecções respiratórias.
Os riscos para os outros
A absorção da fumaça do cigarro em ambientes fechados com fumantes causa em:
Adultos não fumantes
Maior risco de
doenças por causa
do tabagismo,
proporcional ao tempo
de exposição à fumaça.
• Um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que indivíduos que não se expõem.
Crianças
• Maior freqüência
de resfriados
e infecções do
ouvido médio.
• Risco maior de
doenças respiratórias
como pneumonia, bronquites e piora no
quadro de asma.
Bebês
• Um risco cinco
vezes maior de
morte sem causa
aparente (Síndrome da
Morte Súbita Infantil).
• Maior risco de doenças
pulmonares até um ano
de idade, proporcional
ao número de
fumantes em casa.
Fonte: Ministério da Saúde |