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Entenda e previna o câncer Formada por um conjunto com mais de 100 doenças - cujo traço comum é o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos -, a enfermidade ocupa o topo da lista de preocupações com a saúde. Mas é possível evitá-la
Papiros egípcios foram os primeiros documentos localizados por arqueólogos com referência a tumores, mas foi o grego Hipócrates (460-370 a.C.), o pai da medicina, quem cunhou o termo câncer, que significa 'caranguejo' - livre associação entre as patas do animal e a formação de vascularização em torno do tumor. A idéia de que a doença era incurável foi proposta pelo médico romano Galeno (130-200 d.C.). A sentença inexorável de morte até então associada a essa doença somente começou a sofrer algum abalo a partir do século XVIII, quando um cirurgião escocês, John Hunter, anunciou que certos tumores poderiam ser extraídos por meio de cirurgia. Cerca de 100 anos mais tarde, o médico alemão Matthias Schleiden sugeriu que o mal seria fruto da divisão de células alteradas. A moderna oncologia tomaria impulso ao longo do século XX, com o desenvolvimento da cirurgia, radioterapia, medicina nuclear e quimioterapia.
O salto para o presente mostra que não falta arsenal de combate aos diversos tipos de cânceres, mas os números da doença também experimentam crescimento formidável. Em todo o mundo, as estimativas dão conta de que surgem em média 10 milhões de novos casos a cada ano, metade dos quais nos países em desenvolvimento, onde escasseiam alguns recursos para prevenir o surgimento de alguns tumores.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), calcula que surgirão 470 mil novos quadros da enfermidade ao longo desse ano. O órgão, vinculado ao Ministério da Saúde e com sede no Rio de Janeiro, prevê uma distribuição proporcional entre os sexos masculino e feminino. Quanto à incidência de tumores, estima-se que o câncer de pele não melanoma será o mais freqüente, seguido pelos tumores de mama feminina, próstata, pulmão, cólon e reto, estômago e colo do útero. Entre os homens, despontam os de pele não melanoma, próstata e pulmão. Para o sexo feminino, destacamse os tumores de pele não melanoma, mama e colo do útero.
Esclareça a seguir as principais dúvidas a respeito do assunto.

O que é?
Dá-se o nome de câncer a um conjunto de mais de 100 doenças cujo traço comum é o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Este processo ocorre por acúmulo de alterações genéticas em múltiplas etapas e sob impacto de agressões ambientais igualmente cumulativas. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Os diversos tipos também se diferenciam pela velocidade de multiplicação das células e pela capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases). |

Como Surge?
As células humanas são constituídas por três partes: a membrana celular (parte externa); o citoplasma, que constitui o corpo da célula; e o núcleo, que contém os cromossomos, por sua vez compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes. É através do DNA que os cromossomos passam as informações para o funcionamento da célula.
Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA. É a chamada mutação genética. As células cujo material foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. As mudanças podem ocorrer em genes especiais, denominados protooncogenes que, em células normais, têm a função de ativar a divisão celular de acordo com estímulos externos à célula. Quando mutados ou ativados, os proto-oncogenes passam a ser chamados de oncogenes, pois perdem o controle da divisão celular, passando a estimulá-la de maneira desordenada. "Essa é uma das razões pela qual essas células têm grande chance de tornarem-se malignas após alterações subseqüentes", explica o cirurgião oncologista Benedito Mauro Rossi, do Hospital do Câncer AC Camargo, de São Paulo.
Existem ainda dois outros grupos de genes: os supressores de tumor e os genes de reparo. Os primeiros funcionam de maneira inversa aos proto-oncogenes, diminuindo a velocidade do ciclo celular, enquanto os genes de reparo funcionam consertando erros que ocorrem eventualmente durante a divisão celular. Para entender melhor esse processo que ocorre na intimidade imagine um carro (célula em divisão), com o acelerador (proto-oncogenes), o freio (supressores) e o mecânico (reparo). Quando tudo está em ordem, não há intercorrências. Mas quando acontece uma falha em algum dos sistemas, existe uma grande probabilidade de ocorrer um acidente.
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Quais são as causas?
Elas são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando inter-relacionadas.
As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um meio social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, e estão ligadas à capacidade do corpo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais.
De todos os casos de câncer, 80% a 90% estão associados a fatores ambientais. Alguns deles são relacionados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca): o tabagismo, responsável por um em cada três casos de câncer; a exposição solar, causando câncer de pele; alimentos gordurosos, tidos como fatores de risco para tumores de intestino; e alguns tipos de vírus como o HPV, relacionado ao câncer de colo de útero.
O envelhecimento traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à transformação maligna. Isso, somado à maior exposição das células de pessoas idosas aos diferentes fatores de risco ambientais, explica em parte o porquê de o câncer ser mais freqüente nesses indivíduos. Os fatores de risco ambientais para o câncer são denominados cancerígenos ou carcinógenos. Segundo os especialistas, eles atuam como agressores para as células, e sua ação é cumulativa. Desse modo, o surgimento do câncer depende em boa parte da intensidade e duração da exposição aos agentes causadores. Por exemplo, o risco da pessoa desenvolver câncer de pulmão é diretamente proporcional ao número de cigarros fumados por dia e ao número de anos de vício.

Como pode ser tratado?
O tratamento do câncer, de acordo com os especialistas, está baseado em um tripé: cirurgia, radioterapia e medicamentos. O procedimento clínico pode ser realizado com três diferentes medicações: quimioterápicos, hormonioterápicos e imunoterápicos. As modalidades podem ser combinadas e, muitas vezes, é o que ocorre para se atingir melhores resultados de cura.
Para o oncologista Roberto Gil, do Rio de Janeiro, secretário de comunicação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o aumento do conhecimento no campo da biologia molecular tem apontado na direção de avanços significativos tanto na doença avançada quanto na fase inicial. O maior problema tem sido a explosão desses custos. "A SBOC acredita que somente com um pacto entre governo, indústria farmacêutica, operadores de saúde e prestadores de serviços - médicos, clínicas e hospitais oncológicos -, conseguiremos encontrar soluções para acompanharmos essa verdadeira revolução que vem ocorrendo na área oncológica", acredita o médico.
Considerando também que cada tipo de câncer apresenta-se como uma doença com características próprias e peculiares, o esquema de tratamento adotado é bastante diferenciado entre os vários tumores. Um dos fatores que determina a associação de recursos terapêuticos é o estadiamento (grau de evolução) do tumor, extremamente variável. A conduta a ser adotada, caso a caso, raramente é decidida por um único especialista, mas integra um número vasto de profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, entre outros. É importante destacar também que quanto mais precoce o diagnóstico é feito, maiores são os índices de cura. Prevenção, portanto, é a palavra de ordem.
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Hereditariedade
Cerca de 10% dos casos de câncer estão relacionados à hereditariedade. O que existe é uma maior predisposição à doença devido a fatores genéticos herdados, como acontece, por exemplo, com alguns tipos de câncer mama e intestino. Assim, o histórico familiar tem adquirido um peso considerável no risco de aparecimento dos tumores e na necessidade de um acompanhamento mais próximo dessas famílias. Mas o oncologista Benedito Mauro Rossi argumenta: "Não podemos esquecer que esses indivíduos também estão sujeitos às agressões ambientais. Além disso, constituem um grupo de risco importante e devem ser orientados para fazer uma prevenção rigorosa". Os dois sinais de alerta para a presença do fator hereditariedade são a presença de vários casos de câncer na família e a ocorrência de tumores em idade jovem, abaixo dos 45-50 anos.
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Medidas de prevenção primária
1.Controle do uso de tabaco
2.Redução do consumo de álcool
3.Estímulo à dieta com qualidade nutricional
4.Estímulo à prática de atividades
físicas regulares
Medidas de prevenção secundária
Exames periódicos para diagnóstico - em etapa inicial e mais facilmente tratável - de tumores de grande incidência (mama e colo do útero), cuja detecção pode ser feita por exames relativamente simples e baratos
Mamografia (de acordo com a faixa etária da
paciente) e Papanicolau.
No homem, o rastreamento do câncer de
próstata em visitas periódicas ao urologista.
Em ambos os sexos, prevenção do câncer
do intestino por meio de uma alimentação
nutritiva e rica em fibras.
(Fonte: Instituto Nacional do Câncer - Inca) |
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