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Especial Viva Saúde - Junho/2006
 
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  A medida da obesidade
O planeta está pesado: um bilhão de pessoas se encontram acima do peso - e 300 milhões delas sofrem de obesidade, ou seja, o índice de massa corpórea é superior a 30. O sinal de alerta foi disparado

De acordo com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 38 milhões de brasileiros com mais de 20 anos estão acima do peso. Desse total, 10 milhões são considerados obesos, ou seja, o índice de massa corpórea é superior a 30. Dados de 2003 da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF-IBGE) revelam que o excesso de peso afeta 41% dos homens e 39,2% das mulheres, sendo que, desse grupo, a obesidade atinge 8,8% dos homens e 12,7% das mulheres adultas. Nos Estados Unidos, os números são ainda mais preocupantes: 60% dos americanos estão fora de forma e, entre eles, 30% foram diagnosticados como obesos. Na Europa, os índices chegam a 25% em algumas regiões. A obesidade atingiu uma dimensão epidêmica. No ano de 2020, estima-se que, se nada mudar, os gordos serão a maioria da população.

Muito mais que uma questão estética, é a saúde o que está em jogo. É imensa a lista de inconvenientes dos centímetros a mais que a fita métrica acusa. A obesidade pode levar a doenças coronarianas; hipertensão arterial; diabetes do tipo 2; sobrecarga nas articulações; câncer de cólon, mama, rins e sistema digestivo; infarto; apnéia do sono; isolamento social; dificuldade maior de locomoção; depressão.

A vida moderna, sem dúvida, contribui para o aumento de peso na balança. Pequenas comodidades - controle remoto, mecanismos automáticos, entregas em domicílio - facilitam o cotidiano e evitam exercícios físicos por menores que sejam. Para se ter idéia da gravidade, o mal passou na frente do fumo como causa de doenças. Estudo publicado na revista Health Affairs mostrou que o peso excessivo leva mais indivíduos ao hospital do que outros problemas de saúde pública. E as mortes decorrentes já são quase tão freqüentes quanto as provocadas pelo cigarro.

Injustiça metabólica: Filhos de pais obesos têm duas vezes mais chances de serem obesos, devido tanto a fatores genéticos quanto hábitos de vida.

O peso da genética

Na pré-história, quando os homens levavam caça às suas cavernas, todos se fartavam até não poder mais, acumulavam gordura por uma questão de sobrevivência pois, provavelmente, ficariam vários dias sem comer. Hoje já não é mais preciso fazer essas reservas, mas o corpo 'não sabe disso'. Só que a genética poupadora resultou na tendência a engordar que, combinada a geladeira, as comidas gordurosas e fartas, além de pouco esforço físico, desemboca no sobrepeso.

A comunidade científica já identificou mais de 250 genes que favorecem o acúmulo de gordura, mantêm o metabolismo lento ou aumentam o apetite. Mas o fato de certos indivíduos terem negado a herança genética e feito as pazes com o espelho sugere que, nas tentativas frustradas de emagrecimento, outras razões mais fortes possam estar envolvidas. Ainda faltam comprovações exatas para dizer até que ponto fatores emocionais, culturais e sociais conduzem à obesidade, porém os médicos concordam que de alguma forma eles colaboram - e muito - para ganho e manutenção do peso.

Quem perde peso sem resolver aqueles problemas emocionais adiados todos os dias vai, com certeza, engordar de novo. E o pior: pode ganhar até alguns quilos a mais. Tudo porque antes de afinar o corpo é preciso emagrecer a mente, ou seja, buscar auxílio em uma terapia para tirar da cabeça a compulsão por comida - se não for possível conseguir sozinho.

É por isso que os pesquisadores consideram a obesidade um problema muito complexo, que precisa de um tratamento multidisciplinar para começar o ataque em várias frentes para chegar ao sucesso. Entre os profissionais que devem fazer parte do mutirão de emagrecimento estão endocrinologistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e, às vezes, até cirurgiões. O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolveu um tratamento desse tipo destinado aos obesos graves que estavam na fila de espera para fazer cirurgia de redução de estômago. O programa ensinou a comer, adaptou exercícios, enfim, deu suporte total. O resultado surpreendeu: 60 pacientes emagreceram, dispensando a operação.

Calcule seu índice de massa corpórea(IMC)
Divida o peso pela altura ao quadrado:
(peso) / (altura x altura) = (IMC)
Resultado
Avaliação
Abaixo de 18,5 Baixo peso
Entre 18,5 e 24,9 Peso saudável
Entre 25 e 29,9 Sobrepeso
Entre 30 e 39,9 Obesidade
Acima de 40 Obesidade grave
Exemplo:
Uma pessoa de 1,60 m com 67,5 kg.
(67,5) / (1,60 x 1,60) = (26,36).

Resultado: sobrepeso.

Estes valores de IMC são para adultos entre 20 e 60 anos. Os valores para crianças, adolescentes, gestantes e idosos são diferentes

 

Desequilíbrio emocional

Pesquisas feitas pela Universidade Estadual de Campinas confirmam a instabilidade psíquica de obesos graves: 75,5% dos pacientes apresentam altas taxas de transtornos de humor - e comem compulsivamente por desequilíbrio psíquico. Em uma clínica especializada, em São Paulo, dos 363 pacientes que passaram pela avaliação, 315 apresentavam quadros de ansiedade e 255 sofriam também de depressão.

Quem combate a obesidade encontra as mesmas dificuldades das pessoas que tentam se livrar das drogas ou do alcoolismo. Às vezes, parece ainda pior. Afinal, uma pessoa que deixa o álcool, não precisa ter contato com bebidas alcoólicas, mas aquele que faz dieta come todo dia, porém em porções reduzidas - uma tortura!

A privação pode até ser menor se o gordinho seguir um programa de atividade física. Assim, queimando calorias dá para saciar certas vontades. Mas a matemática simples é difícil de ser entendida quando se está no olho do furacão. Em cada 100 casos de aumento de peso, 75 são provocados por maus hábitos alimentares e falta de exercícios, segundo pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Mexer o corpo, portanto, parece ser uma das principais chaves para combater o excesso de peso. Até porque o hábito alivia o estresse e a ansiedade (que induzem a comer demais), queima calorias e, fundamental, 'acorda' o metabolismo preguiçoso.

Alimentação e peso saudáveis

Uma alimentação saudável é a chave para manter o peso adequado a vida toda. Confira algumas recomendações:

Consuma diariamente alimentos como cereais integrais, frutas, legumes e verduras, leite e derivados e carnes magras, aves ou peixes.

Coma pelo menos três porções de legumes e verduras nas refeições e três porções de frutas como sobremesas e em lanches, diariamente.

Diminua o Consumo de frituras e alimentos que contenham elevada quantidade de açúcares, sal e gorduras.

Evite 'Beliscar' e substituir refeições por sanduíches e biscoitos.

Evite bolos, biscoitos, refrigerantes e doces. Coma-os menos que três vezes por semana. Esses alimentos geralmente são ricos em açúcar e favorecem o aparecimento de cáries, além de sobrepeso e obesidade.

Leia os rótulos dos alimentos. Evite alimentos com alto teor de gordura total, gordura saturada, gordura trans, sódio e açúcar.

Descobertas recentes

A revista da Academia Nacional de Ciências Americana, a PNAS, acaba de publicar um estudo sobre uma nova droga para combater a obesidade e o colesterol alto, a KB-141. Ela é o resultado de uma parceria da Universidade da Califórnia com o Instituto Karolinska e pode ser uma excelente alternativa para o tratamento da gordura, sem apresentar efeitos colaterais. Seria o fim da busca por um medicamento que faça perder peso pela queima de energia - e não pela redução da quantidade de alimentos que a pessoa ingere. Também é recente a descoberta que o cérebro demora 10 minutos para entender que o estômago está cheio - tempo suficiente para continuar à mesa e fazer um estrago. Para evitar isso, pesquisadores da Universidade norte-americana John Hopkins identificaram um composto químico, o C75, que 'enganaria' o cérebro fazendo-o acreditar que o organismo já se alimentou o suficiente. Com menos comida e o mesmo nível de atividade, perde-se peso. Até agora, porém, os testes não foram aplicados em humanos.


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