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Especial Viva Saúde - Junho/2006
 
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  Entenda o diabetes
É necessário ficar alerta com essa doença, que é a terceira causa de morte no mundo. Informação e hábitos de vida saudáveis ajudam a combatê-la

Para começar a entender o diabetes é preciso primeiro relacionar o papel de duas substâncias que são interdependentes: a insulina (um hormônio) e a glicose (um açúcar). No indivíduo diabético, o pâncreas não produz insulina em quantidade suficiente, o que compromete o processo de transformação da glicose dos alimentos em 'combustível' que será levado a todas as células do organismo por meio da corrente sangüínea. O papel da insulina será o de facilitar o ingresso da glicose no meio celular.

Outra forma de manifestação da doença é quando a insulina, apesar de produzida, não consegue exercer sua função no ambiente celular por meio de um fenômeno conhecido como resistência à insulina.

Muitas vezes, os dois fenômenos acontecem ao mesmo tempo. Mas em todas as situações, o resultado corresponde a um excesso de glicose circulante - seja por carência total ou parcial de insulina. As complicações são geradas justamente a partir desse excesso de açúcar circulante, lesando as paredes dos pequenos e grandes vasos.

O diabetes é a terceira causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças cardiovasculares - das quais é um dos principais fatores de risco de aparecimento e agravamento - e pelo câncer. Calcula-se que, de cada 100 pessoas, sete padeçam os efeitos dessa enfermidade, o equivalente a aproximadamente 180 milhões em todo o planeta. Esse número tende a dobrar até 2025 - uma epidemia emergente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, existem hoje 5,5 milhões de diabéticos e o país caminha no sentido de se tornar o quarto colocado no ranking de casos de diabetes no mundo - o primeiro é a Índia. A previsão de crescimento desses índices acompanha os números da OMS: em 2025 chegaremos a 11 milhões de portadores da enfermidade.

O que significa cada tipo

Há duas formas principais de manifestação da doença:

Tipo 1: o distúrbio metabólico que afeta a produção da insulina pelo organismo é produto, na grande maioria dos casos, de herança genética, mas também de causas infecciosas (seqüelas de caxumba, coqueluche ou rubéola congênita). A perda da capacidade das células pancreáticas de produzirem insulina geralmente ocorre em crianças ou adultos jovens não obesos. "O diabete tipo 1 costuma aparecer na infância e de forma aguda. Geralmente, é desencadeado por uma virose. O organismo passa a produzir anticorpos que, além de combaterem o vírus, atacam o pâncreas, destruindo as células-beta, produtoras da insulina", explica o endocrinologista Leão Zagury, do Rio de Janeiro.

Tipo 2: é a forma mais comum do diabetes. Cerca de 90% dos pacientes apresentam essa configuração da doença. Ela resulta de uma predisposição genética que pode se manifestar ou não de acordo com os fatores ambientais. Os indivíduos com esse tipo de diabetes possuem menor capacidade de liberar insulina - há mesmo fatores imunológicos envolvidos quando anticorpos inibem a produção e secreção de insulina por parte das células-beta do pâncreas. Ao contrário dos pacientes com diabetes tipo 1, esses não são dependentes de injeções de insulina, mas têm que utilizar medicamentos orais para controlar o excesso de açúcar no sangue. Essa forma de manifestação da enfermidade geralmente aparece após os 40 anos de idade. "O diabetes tipo 2 está associada a um estilo de vida nada saudável, em que predominam dietas gordurosas, sedentarismo e excesso de peso. Combater esses fatores de risco é uma maneira de adiar o aparecimento do distúrbio", afirma o médico Leão Zagury.

A principal diferença entre uma e outra é que no primeiro caso, as células do pâncreas não produzem insulina suficiente e, ao longo do tempo, desenvolvem resistência às ações dessa substância. Já no diabetes tipo 2, o pâncreas chega a produzir o hormônio, porém em quantidade insuficiente.

 

Sem conhecimento real da doença

A responsável por esse quadro é uma mistura de desinformação com o pior da vida moderna, ou seja, sedentarismo e maus hábitos alimentares. "Uma ação educativa contínua pode levar à população o conhecimento sobre recursos, prevenção e a maneira de lidar com esse grave problema", considera a médica Fernanda D'Elia (SP), especialista no assunto.

Estudos realizados no Brasil mostram que boa parte dos pacientes diabéticos desconhece a enfermidade. "Por não fazerem exames, metade dos diabéticos não sabe que possui a doença. Entre os que receberam esse diagnóstico, menos de 50% segue o tratamento", afirma o médico Marcos Tambascia, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

A medida da glicose no sangue é realizada através de um exame denominado glicemia de jejum. Se a taxa de glicose for igual ou superior a 200 mg/dc, é diagnosticado o diabetes. Como muitas pessoas apresentam a doença sem perceber os sintomas, é recomendado que adultos maiores de 40 anos realizem o exame para diagnóstico e detecção precoce a cada três anos. Aqueles que apresentam qualquer fator de risco devem se submeter ao teste anualmente, mesmo que na ausência de sintomas. Mulheres grávidas com mais de 25 anos, obesas ou com história familiar da doença também devem pesquisar a enfermidade.

O paciente diabético deve ter especial atenção aos pés. Com a evolução da doença, podem ocorrer lesões nessa área, levando até mesmo à amputação.

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