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Especial Viva Saúde - Junho/2006
 
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  Para superar o alcoolismo
O consumo de álcool está culturalmente enraizado na sociedade, mas também pode trazer conseqüências negativas e precisar de tratamento. Nestes casos, familiares, amigos e profissionais de saúde podem ajudar

FOTO: FERNANDO GARDINALI. PRODUÇÃO: LUANA PRADE. COPO DE WISKY ART MIX (11) 3064-8991

Uns goles a mais vencem a timidez, proporcionam uma euforia e podem dar muita dor de cabeça. E não se trata apenas da ressaca do dia seguinte: em cada 10 pessoas que consomem álcool uma vai desenvolver compulsão pela bebida, ou seja, uma necessidade completamente fora de controle de continuar bebendo. O prazer de tomar uma cerveja com os amigos pode se transformar, em 10% dos casos, em dependência de álcool, em sofrimento, desagregação e perdas afetivas, profissionais e pessoais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o problema é responsável por mais de 350 doenças.

Como o álcool é uma droga socialmente aceita e muitas vezes até incentivada, não é à toa que o abuso represente uma preocupação mundial.

Estima-se que mais de 550 milhões de pessoas no mundo sejam dependentes da bebida. Nos Estados Unidos, o custo do combate ao alcoolismo saltou de 115 bilhões de dólares, em 1983, para 130 bilhões em 1990, chegando a 246 bilhões em 1998. No Brasil, um levantamento realizado em 2002 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Cebrid/Unifesp) revelou que 60% dos brasileiros consomem bebidas alcoólicas regularmente e 11,2% são dependentes, em números atuais representa 19 milhões de pessoas. A dependência do álcool representa 40% das faltas ao trabalho, 39% das ocorrências policiais, 20% dos acidentes do trabalho e 75% de acidentes fatais no trânsito.

Aos domingos, dia da semana em que se costuma beber mais, pelo menos 15 milhões de pessoas se embriagam, de acordo com o Cebrid. Esta pesquisa também concluiu que 90,3% das internações hospitalares por dependência de drogas ligam-se ao abuso de álcool, que é o maior motivo de demissões, a terceira causa de aposentadoria por invalidez, o maior fator de influência nos episódios de violência doméstica. Os estudos constataram ainda que o índice de suicídios é 58% superior entre os alcoolistas.

Doenças associadas ao consumo de álcool

Os dependentes de álcool podem ter diversos problemas físicos e agravos à saúde. Alguns exemplos:

Intoxicação alcoólica: é a embriaguez característica da pessoa que bebeu demais, mesmo que não seja alcoolista. Os sinais mais evidentes são fala arrastada, falta de coordenação motora, prejuízos na memória, caminhar vacilante, movimentos horizontais rápidos dos olhos e comportamento social inadequado. Costuma desaparecer quando o álcool é eliminado pelo organismo.

Síndrome amnésica: também conhecida por síndrome Wernicke-Korsakoff (SWK), é caracterizada por 'brancos' de memória sobre fatos recentes, confusão mental, falta de coordenação motora e movimentos rápidos dos olhos ou paralisia de alguns músculos oculares, com efeito semelhante ao do estrabismo. Os problemas motores podem ser revertidos se o alcoolismo for tratado a tempo, mas o déficit da memória será permanente.

Síndrome demencial alcoólica: é outro quadro que envolve prejuízos sérios de memória. A pessoa perde a capacidade emitir idéias coerentes, sua personalidade se altera e ela passa a depender dos outros para atividades simples, em um estado semelhante ao das vítimas do mal de Alzheimer. Nesse estágio, os danos se tornam quase irreversíveis.

 

Questão de saúde pública

A dependência de álcool apresenta um quadro clínico bem definido, onde, resumidamente, o álcool passa a ser o único interesse na vida e deve ser consumido sempre. Não é muito fácil saber se uma pessoa é alcoolista ou alguém que bebe muito de vez em quando e apresenta problemas relacionados ao consumo de álcool. No entanto, existem sinais que indicam o risco de dependência. Entre eles: persistir no uso do álcool apesar das conseqüências negativas, abandonar outros interesses em favor da bebida e apresentar a síndrome de abstinência, caracterizada por ansiedade, insônia, tremores, náuseas, irritabilidade, dor de cabeça.

A dependência de álcool é determinada por uma combinação de fatores:
Biológicos: a genética é um dos fatores que podem contribuir no desenvolvimento da dependência, mas especialistas garantem que ela por si só não seja determinante. É inegável que o estímulo prazeroso que a bebida provca em certas regiões do cérebro também pode levar ao abuso.

Psicológicos: indivíduos muito ansiosos, depressivos, tímidos ou com baixa auto-estima têm maior tendência de utilizar a bebida como uma 'muleta emocional'.

Ambientais: incluem as experiências familiares, a fase da vida em que se está e o ritual que cerca o ato de beber. Além disto, a disponibilidade de bares e a propaganda de bebidas podem contribuir no início do uso de álcool.

Negar a dependência e não querer ver que causou danos por estar alcoolizado são argumentos comuns do dependente para defender-se sempre que familiares ou amigos tentam propor tratamento. No entanto, é importante que o dependente também tenha vontade de se tratar, sob pena do tratamento ser ineficaz. Reforçar o o desejo que a pessoa tem de mudar pode ser a melhor alternativa para o início do tratamento e de resultados positivos..

FOTO: FERNANDO GARDINALI. PRODUÇÃO: LUANA PRADE. COPO DE WISKY ART MIX (11) 3064-8991

O Álcool é a droga mais consumida no planeta. O uso excessivo pode prejudicar praticamente todos os órgãos do corpo e contribuir para o aparecimento de inúmeras doenças.

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