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Especial Viva Saúde - Junho/2006
 
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  Alerta ao mal silencioso
A hipertensão é agravada por sedentarismo, obesidade, hábitos alimentares inadequados e estresse. E pior: os sinais só aparecem quando as complicações já estão instaladas

Chamada de 'mal silencioso' por se instalar no organismo muitas vezes sem apresentar sintomas, a hipertensão arterial é considerada uma epidemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A manifestação é facilitada e agravada por um estilo de vida que associa sedentarismo, obesidade, hábitos alimentares inadequados e estresse. A ausência de sintomas pode retardar o diagnóstico que, geralmente, é feito quando as complicações já estão instaladas. "A única maneira de saber se a pessoa apresenta o problema é medir sua pressão com regularidade. É preciso alertar para o fato de que nem os jovens estão livres da doença", afirma Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e professor livre docente da Faculdade de Medicina da USP.

Trata-se da doença crônica que mais afeta as pessoas no planeta sendo um dos principais fatores de risco cardiovascular - à medida que a idade aumenta, maior a chance de ocorrer alteração da pressão arterial. Há pelo menos 600 milhões de hipertensos no mundo. Desses, 500 milhões necessitam de intervenção médica imediata.

Medidas maiores ou iguais a 140/90 mmhg(milímetros de mercúrio) indicam pressão alta

 

Os hipertensos têm maior chance de apresentar problemas vasculares, tanto cerebrais, quanto cardíacos, porque na doença ocorre o estreitamento dos vasos. Por causa dessa vasoconstrição, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, fica hipertrofiado e a circulação sangüínea é comprometida. Vasos mais estreitos também são responsáveis por menor fluxo de sangue no cérebro. Ser hipertenso e não estar medicado pode significar um risco muito maior de apresentar doença vascular cerebral, doença arterial coronariana (e sua conseqüência direta e potencialmente fatal: o infarto agudo do miocárdio) e insuficiência cardíaca, outra manifestação que também pode resultar em infarto.

Hora da medição

O coração trabalha em fases alternadas, contraindo e relaxando. Quando a medição é realizada, o maior número (chamado pressão arterial sistólica) é a pressão do sangue nos vasos, quando o coração se contrai para impulsionar o sangue para o corpo. O menor número (chamado pressão diastólica), é a pressão do sangue nos vasos quando o coração entra na fase de relaxamento.

O mal ocorre comumente em homens com até 50 anos, e em mulheres após essa idade. "A maioria das pessoas demora de 10 a 15 anos para descobri- la. Aqueles sintomas de tontura e dor de cabeça relatados pelos pacientes ocorrem quando a doença já está instalada há tempos", explica Artur Beltrame, vice-presidente da SBH.

Adultos devem medir a pressão arterial a cada seis meses, principalmente se existirem pessoas hipertensas na família. Neste caso, não se trata de prevenção, mas de um diagnóstico precoce naquelas pessoas com maior perfil de risco. Somente através da medição regular da pressão, de acordo com os especialistas, é possível verificar as variações para cima. Esse simples cuidado permite garantir um período curto de instalação de uma doença que evolui lentamente, emitindo sinais mais graves à medida que o tempo passa.

Na maioria dos casos, o mal começa a se desenvolver por volta dos 40 anos de idade, o que torna a aferição periódica da pressão ainda mais importante. "O diagnóstico de hipertensão em um adulto é obtido quando, medindo a pressão arterial em repouso, obtém-se valores acima de 14 por 9. Esses são os números de referência. Acima deles, a pressão é considerada elevada; abaixo, é normal, e essa classificação independe da idade", esclarece o professor Décio Mion.

Segundo o cardiologista Mauricio Wajngarten, do Instituto do Coração (Incor), o processo de envelhecimento promove o que ele chama de "uma conspiração que nos vulnerabiliza para a doença". São três os fatores citados pelo médico: modificações biológicas importantes como o endurecimento das artérias; fatores de risco que tendem a ser potencializados na terceira idade em decorrência do próprio envelhecimento; maior vulnerabilidade social dos idosos. "É importante tentar contornar essa conspiração, identificando aquilo em que se pode atuar favoravelmente, como atividade física e uma dieta saudável quando se é jovem", diz o cardiologista.

Grupos de Risco

Idosos

No Brasil cerca de 65% dos idosos são hipertensos, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, (SBH) e entre mulheres maiores de 75 anos pode chegar a 80%. "Nessa fase, é comum a pressão máxima subir muito mais do que a mínima. Isso porque a elasticidade dos vasos diminui e o coração precisa fazer maior esforço toda vez que empurra o sangue nas artérias", explica o cardiologista Roberto Dischinger Miranda, da Unifesp.

Negros

A ocorrência da hipertensão na população negra é mais elevada que na população em geral, e também se manifesta com maior gravidade. "Nesse grupo o controle é mais difícil, provavelmente por fatores genéticos", afirma Fernando Nobre, da USP-Ribeirão Preto.

Mulheres

O risco cardiovascular na vida de uma mulher divide-se em antes e depois da menopausa. É após o término da menstruação que a mulher perde a proteção do estrógeno no sistema vascular. Os especialistas recomendam que o uso de anticoncepcionais orais seja evitado em mulheres com mais de 35 anos e em obesas, assim como portadoras de síndrome metabólica pelo aumento potencial do risco cardiovascular. Outra situação de perigo pode acontecer ao longo da gravidez. Neste caso, prevalece a velha cartilha dos hábitos de vida saudáveis como fórmula para manter a pressão controlada também nessa fase.


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