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Edição 26 - Junho/2006
 
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  Infertilidade: a culpa pode ser deles
Cerca de 40% dos fatores capazes de impedir uma gestação estão relacionados a problemas que atingem o sexo masculino. Especialistas revelam o que pode deixar os homens estéreis

POR ADRIANO CATOZZI
FOTO FERNANDO

Aproximadamente 15% dos casais enfrentam dificuldades para engravidar. Mas, se até pouco tempo a infertilidade era vista como uma questão quase sempre relacionada à mulher, hoje essa perspectiva mudou. Os especialistas estimam que 40% dos fatores que impedem a gestação partem de alterações e problemas vindos do sexo masculino. Ou seja, o mesmo percentual de 'culpa' que a literatura médica reserva às mulheres. Os 20% restantes dizem respeito a ambos. "Por isso, a investigação no homem por um médico urologista é tão necessária quanto na mulher e deve ser realizada ao mesmo tempo", adverte o urologista Sidney Glina, presidente da Associação Brasileira de Urologia.

Por "dificuldades para engravidar" entenda-se o insucesso após um ano de tentativas realizadas no mínimo três vezes por semana. "Há casais que depois de apenas dois meses tentando já ficam angustiados e nos procuram", conta o médico. Angústia e ansiedade, aliás, são dois sentimentos com os quais homens e mulheres que se deparam com a situação têm de aprender a lidar. O processo de diagnóstico, os tratamentos e técnicas de reprodução assistida, quando requeridas, costumam ser bastante estressantes e dispendiosos. E não raras vezes interferem no próprio relacionamento do casal.

O fato é que, para ser fértil, o homem necessita ter espermatozóides em grande quantidade - mais de 20 milhões por mililitro - e de grande motilidade, pois estes têm de subir da vagina para o útero para fertilizar o óvulo. As causas da esterilidade masculina são variadas e podem ter origens genéticas ou, mesmo, idiopáticas - ou seja, desconhecidas pela medicina.

O ginecologista Dirceu Mendes Pereira, especialista em infertilidade e reprodução assistida, também acredita infertilidade: a culpa pode ser deles em um aumento da infertilidade masculina (e feminina), nos últimos tempos, em razão de fatores comportamentais. "Nas duas últimas décadas vem crescendo o número de casais inférteis em decorrência da degradação do meio ambiente, que gera poluentes, e dos maus hábitos. Tabagismo, alcoolismo, drogas e o estresse da vida moderna contribuem para isso", garante.

PENSANDO NO FUTURO
Muitas vezes as falhas na produção ou passagem dos espermatozóides são provocadas pela presença de tumores no aparelho reprodutor masculino. E o próprio tratamento indicado - quimioterapia ou radioterapia - leva à infertilidade. Por isso, é importante que oncologistas atentem para uma coleta de espermatozóides anterior ao início do tratamento. "Geralmente o paciente é jovem e nem pensa em reprodução. Mas, anos depois, quando está curado, quer ter filhos e não pode mais. Por isso é importante guardar amostras", alerta o médico Sidney Glina. Foi o que aconteceu com o microempresário do Espírito Santo, Marcelo Loureiro Moulin, hoje com 37 anos. Ele teve um câncer linfático diagnosticado aos 17 anos de idade e, à época, Marcelo e sua família só pensaram na recuperação - o que felizmente ocorreu após um ano de quimioterapia e quatro meses de radioterapia. "No Instituto Nacional do Câncer (Inca), onde fui tratado, ninguém me alertou para a infertilidade causada pelo tratamento", lamenta. Mais tarde, quando pensou em casar-se, realizou alguns exames e foi constatada sua incapacidade de gerar filhos. Hoje, está em um programa de reprodução assistida.

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