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Infertilidade: a culpa pode ser deles Cerca de 40% dos fatores capazes de impedir uma gestação estão relacionados a problemas que atingem o sexo masculino. Especialistas revelam o que pode deixar os homens estéreis
POR ADRIANO CATOZZI FOTO FERNANDO

Aproximadamente 15% dos casais enfrentam dificuldades para engravidar.
Mas, se até pouco tempo a infertilidade era vista como uma questão quase
sempre relacionada à mulher, hoje essa perspectiva mudou. Os especialistas
estimam que 40% dos fatores que impedem a gestação partem de alterações
e problemas vindos do sexo masculino. Ou seja, o mesmo percentual de 'culpa'
que a literatura médica reserva às mulheres. Os 20% restantes dizem respeito
a ambos. "Por isso, a investigação no homem por um médico urologista é
tão necessária quanto na mulher e deve ser realizada ao mesmo tempo",
adverte o urologista Sidney Glina, presidente da Associação Brasileira
de Urologia.
Por "dificuldades para engravidar" entenda-se o insucesso após um ano
de tentativas realizadas no mínimo três vezes por semana. "Há casais que
depois de apenas dois meses tentando já ficam angustiados e nos procuram",
conta o médico. Angústia e ansiedade, aliás, são dois sentimentos com
os quais homens e mulheres que se deparam com a situação têm de aprender
a lidar. O processo de diagnóstico, os tratamentos e técnicas de reprodução
assistida, quando requeridas, costumam ser bastante estressantes e dispendiosos.
E não raras vezes interferem no próprio relacionamento do casal.
O fato é que, para ser fértil, o homem necessita ter espermatozóides
em grande quantidade - mais de 20 milhões por mililitro - e de grande
motilidade, pois estes têm de subir da vagina para o útero para fertilizar
o óvulo. As causas da esterilidade masculina são variadas e podem ter
origens genéticas ou, mesmo, idiopáticas - ou seja, desconhecidas pela
medicina.
O ginecologista Dirceu Mendes Pereira, especialista em infertilidade
e reprodução assistida, também acredita infertilidade: a culpa pode ser
deles em um aumento da infertilidade masculina (e feminina), nos últimos
tempos, em razão de fatores comportamentais. "Nas duas últimas décadas
vem crescendo o número de casais inférteis em decorrência da degradação
do meio ambiente, que gera poluentes, e dos maus hábitos. Tabagismo, alcoolismo,
drogas e o estresse da vida moderna contribuem para isso", garante.
PENSANDO
NO FUTURO |
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Muitas vezes as falhas na produção ou passagem dos espermatozóides
são provocadas pela presença de tumores no aparelho reprodutor masculino.
E o próprio tratamento indicado - quimioterapia ou radioterapia -
leva à infertilidade. Por isso, é importante que oncologistas atentem
para uma coleta de espermatozóides anterior ao início do tratamento.
"Geralmente o paciente é jovem e nem pensa em reprodução. Mas, anos
depois, quando está curado, quer ter filhos e não pode mais. Por isso
é importante guardar amostras", alerta o médico Sidney Glina. Foi
o que aconteceu com o microempresário do Espírito Santo, Marcelo Loureiro
Moulin, hoje com 37 anos. Ele teve um câncer linfático diagnosticado
aos 17 anos de idade e, à época, Marcelo e sua família só pensaram
na recuperação - o que felizmente ocorreu após um ano de quimioterapia
e quatro meses de radioterapia. "No Instituto Nacional do Câncer (Inca),
onde fui tratado, ninguém me alertou para a infertilidade causada
pelo tratamento", lamenta. Mais tarde, quando pensou em casar-se,
realizou alguns exames e foi constatada sua incapacidade de gerar
filhos. Hoje, está em um programa de reprodução assistida. |
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