
Sabe-se que terapias alternativas, como acupuntura e fitoterapia, são
usadas há milênios para tratar problemas físicos e emocionais que acometem
a humanidade. O que poucos sabem é que o uso dessas técnicas em animais
é tão antigo quanto em seres humanos. Na China, há relatos de que no período
da Dinastia Chang (1765 a 1123 A.C) os cavalos feridos em batalhas já
eram submetidos a tratamento com agulhas aplicadas em pontos estratégicos
do corpo. A homeopatia, inclusive, já é reconhecida como especialidade
médico-veterinária há quase dez anos pelo Conselho Federal de Medicina
Veterinária. E apesar dos avanços e da invasão da tecnologia - capaz de
garantir aos animais remédios, vacinas e exames diagnósticos de última
geração, bem como intervenções cirúrgicas delicadas e eficazes que vão
desde uma simples castração até a retirada de tumores - a procura por
tratamentos coadjuvantes e menos invasivos em veterinária cresce a cada
dia. Em Cingapura, por exemplo, um zoológico passou a realizar sessões
de acupuntura em cavalos, orangotangos e até tartarugas. Mas os animais
domésticos é o que mais têm sido favorecido com a série de opções oferecidas
pelas clínicas. Não há dados oficiais sobre este crescimento. Porém, é
notável o aumento do número de profissionais e locais especializados em
veterinária alternativa. A Pet Center, por exemplo, a maior clínica de
São Paulo no setor de lojas para animais, há três meses, agregou aos seus
serviços as técnicas de acupuntura, cromoterapia, fitoterapia, quiropraxia,
massoterapia e florais. De acordo com Valéria Corrêa, gestora clínica
do local, essa decisão é resultado da intensa procura dos clientes.
Mas, na prática, essas terapias realmente funcionam no reino animal?
Segundo os especialistas, os resultados de muitos desses tratamentos considerados
alternativos são baseados em relatos e experiências individuais de donos
de animais e de médicos veterinários - e não em estudos científicos. Daí
a necessidade maior de se buscar sempre profissionais realmente habilitados
para evitar riscos à saúde dos mascotes. Outros veterinários alertam ainda
para o cuidado de se recorrer a este tipo de medicina somente como recurso
coadjuvante.
O ideal, garantem, seria equilibrar várias terapias com o intuito de
oferecer o melhor para os bichinhos. "Se o animal estiver com uma dor
intensa, utilizo medicamentos tradicionais até que ele se sinta melhor
para só então dar continuidade ao tratamento com outras técnicas", orienta
o veterinário Adriano Caquetti, de São Paulo.
Vale lembrar ainda que, em se tratando de cuidados alternativos, cada
mascote terá um tipo de terapia personalizada, mesmo em casos de enfermidades
idênticas. O tratamento dependerá de uma série de fatores, desde o resultado
de avaliações clínicas e laboratoriais até a conversa do veterinário com
o dono do bichinho. Mais ou menos como precisaria ocorrer com humanos,
antes de indicar um tratamento, o médico dos mascotes deve levar em conta
hábitos, histórico médico e até as características da raça.
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