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Edição 26 - Junho/2006
 
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  Desatenção e hiperatividade
Mais do que uma forma de levar a vida, esses comportamentos na fase adulta podem indicar uma doença que atinge de 3% a 7% da população mundial

POR CRIS PAZ

Imagine passar a vida inteira sentindo-se inferior por que não consegue planejar nem tomar decisões; é desorganizado, agitado, impulsivo; tem dificuldade de iniciar e concluir tarefas; não consegue conciliar trabalho com estudos, família e lazer...

Identificou-se? Então, leia esta reportagem até o fim. Você pode não saber ainda, mas esses comportamentos podem ser na verdade sinais do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), uma disfunção neuroquímica que atinge de 3% a 7% da população mundial.

Atitudes suspeitas

"Na maioria dos casos a doença é herdada, em uma minoria deve-se a seqüelas provocadas pelo consumo de álcool e cigarro na gravidez ou por complicações no momento do parto", explica o médico Marcos Romano, psiquiatra e coordenador do departamento de TDAH da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"É uma condição médica relacionada à desatenção, inquietude e impulsividade que afeta crianças, adolescentes e adultos de todas as idades, homens e mulheres de todas as etnias e culturas", acrescenta Marcos.

A doença não se adquire na vida adulta. O que ocorre com freqüência é que ela surge na infância e pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida. Cerca de 60% das crianças com TDAH terão sintomas significativos na maturidade, necessitando continuar o tratamento. Há ainda aquelas que apresentam melhora. Alguns sintomas até desaparecem. "Mesmo assim, os poucos que permanecem incomodando na fase adulta podem ganhar proporções maiores devido às pressões comuns ao dia-a-dia do adulto", explica Mario Louzã, psiquiatra e coordenador do projeto TDAH do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (PROTDAH).

Se não tratada, a doença pode trazer vários impactos negativos, atingindo todas as áreas da vida do indivíduo. De acordo com os especialistas, vítimas do transtorno divorciam-se com mais freqüência, não conseguem terminar os estudos, têm mais empregos no mesmo período de tempo, estão mais suscetíveis à depressão, ansiedade, alcoolismo e ao uso de drogas... "O impacto varia não apenas em função da gravidade dos sintomas, mas também de fatores como as condições socioeconômicas da família, as oportunidades que teve ao longo da vida e outros aspectos pessoais", explica o especialista Marcos Romano.

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