
Imagine passar a vida inteira sentindo-se inferior por que não consegue
planejar nem tomar decisões; é desorganizado, agitado, impulsivo; tem
dificuldade de iniciar e concluir tarefas; não consegue conciliar trabalho
com estudos, família e lazer...
Identificou-se? Então, leia esta reportagem até o fim. Você pode não
saber ainda, mas esses comportamentos podem ser na verdade sinais do Transtorno
do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), uma disfunção neuroquímica
que atinge de 3% a 7% da população mundial.
Atitudes suspeitas
"Na maioria dos casos a doença é herdada, em uma minoria deve-se a seqüelas
provocadas pelo consumo de álcool e cigarro na gravidez ou por complicações
no momento do parto", explica o médico Marcos Romano, psiquiatra e coordenador
do departamento de TDAH da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
"É uma condição médica relacionada à desatenção, inquietude e impulsividade
que afeta crianças, adolescentes e adultos de todas as idades, homens
e mulheres de todas as etnias e culturas", acrescenta Marcos.
A doença não se adquire na vida adulta. O que ocorre com freqüência é
que ela surge na infância e pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida.
Cerca de 60% das crianças com TDAH terão sintomas significativos na maturidade,
necessitando continuar o tratamento. Há ainda aquelas que apresentam melhora.
Alguns sintomas até desaparecem. "Mesmo assim, os poucos que permanecem
incomodando na fase adulta podem ganhar proporções maiores devido às pressões
comuns ao dia-a-dia do adulto", explica Mario Louzã, psiquiatra e coordenador
do projeto TDAH do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (PROTDAH).
Se não tratada, a doença pode trazer vários impactos negativos, atingindo
todas as áreas da vida do indivíduo. De acordo com os especialistas, vítimas
do transtorno divorciam-se com mais freqüência, não conseguem terminar
os estudos, têm mais empregos no mesmo período de tempo, estão mais suscetíveis
à depressão, ansiedade, alcoolismo e ao uso de drogas... "O impacto varia
não apenas em função da gravidade dos sintomas, mas também de fatores
como as condições socioeconômicas da família, as oportunidades que teve
ao longo da vida e outros aspectos pessoais", explica o especialista Marcos
Romano.
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