
com a chegada do mês de junho, uma raiz utilizada como condimento e remédio
caseiro há pelo menos 5000 anos começa a ganhar espaço nos carrinhos de
supermercado e sacolas de feira. Afinal, assim como a camisa xadrez, as
bandeirinhas, a fogueira e a dança de quadrilha, o gengibre tem presença
garantida nas festas juninas, como ingrediente principal do quentão, bebida
obrigatória para aquecer os ânimos dos convidados.
Os méritos dessa especiaria de aspecto nada agradável, porém, não ficam
restritos a isso. Originária da Ásia, essa raiz tem sido estudada e reconhecida
por suas propriedades terapêuticas que não param de ser descobertas por
diversos órgãos, universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.
Quase um remédio
A propriedade descongestionante do gengibre não é novidade. Segundo a
nutricionista Flávia Bulgarelli, da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), chás feitos com pedaços da raiz são indicados para o combate
de gripes, resfriados, tosse e até mesmo para curar a ressaca. "Também
funcionam como anti-séptico e antiinflamatório, ajudando nos males que
acometem as vias respiratórias e garganta", afirma Flávia. É por isso
que profissionais que dependem da voz (cantores e professores, por exemplo)
vivem consumindo xaropes e balas de gengibre.
Até a Organização Mundial de Saúde (OMS) se rendeu aos encantos da raiz,
reconhecendo sua ação sobre o sistema digestivo. "Ingerir gengibre facilita
a digestão e evita enjôos e náuseas", explica a nutricionista. Sua função
bactericida também o faz um ótimo remédio para ferimentos e úlceras.
Estudos recentes revelam ainda possível ação anticancerígena. Segundo
pesquisadores do Instituto Hormel, da Universidade de Minnesota, nos Estados
Unidos, o gingerol, substância responsável pelo sabor exótico do gengibre,
seria capaz de deixar mais lento o crescimento dos tumores de intestino.
Já experiências da Universidade de Michigan (EUA) apontam o pó extraído
da raiz como um ótimo coadjuvante no tratamento do câncer de ovário, por
levar as células cancerígenas a cometerem apoptose (espécie de suicídio)
e autofagia (canibalismo).
E estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) atestaram os
benefícios da raiz para a circulação sangüínea. Se essa propriedade for
comprovada, o gengibre poderá ser indicado até para casos de disfunção
erétil no futuro. A nutricionista Flávia Bulgarelli lembra que "um indício
dessa contribuição para o sexo masculino já é o fato de o alimento ter
sido popularmente rotulado como afrodisíaco há muito tempo". Agora, confesse:
você verá com outros olhos aqueles caules amarelados e retorcidos, não?
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