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"A terapia salvou a minha vida" A aposentada Célia Gangl, de 57 anos, conta como conseguiu recuperar a sua auto-estima e confiança, após um longo período de depressão
POR PATRÍCIA AFFONSO
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Foram necessários oito anos de sessão, com a mesma terapeuta, para Célia voltar a sorrir como antes |
"Sempre vivi de forma muito plena e ativa. Posso dizer que consegui realizar tudo o que desejava: me relacionava bem com as pessoas, tinha um bom emprego. Cheguei até a morar no exterior. Foram 18 anos viajando por diversos países, trabalhando, conhecendo lugares, culturas e me enriquecendo como pessoa. Nunca tive grandes problemas, daqueles de tirar o sono. Mesmo assim, há cerca de nove anos, enquanto ainda morava no exterior, comecei a sentir uma angústia grande, que não passava nunca. Junto a esses sentimentos vinham crises de choro, enxaquecas terríveis e uma sensação de desânimo total, de verdadeiro desinteresse por tudo o que me cercava. O mais estranho foi a saudade que passei a sentir do Brasil. Me sentia só, queria voltar, mas ao mesmo tempo não tinha iniciativa alguma para mudar aquela situação que me incomodava.
Foi então que essa falta de cuidado comigo mesma culminou em uma atitude extrema: tomei 40 comprimidos tranqüilizantes, de uma só vez, em uma tentativa desesperada de suicídio. Por sorte, ou milagre, uma amiga foi me visitar e me encontrou lá, desacordada. Assustada, ela me levou até o hospital, onde recebi atendimento e fiquei bem.
Diante desse acontecimento, os diretores da empresa em que trabalhava decidiram pagar a minha viagem de volta. No caminho para a casa foi caindo a ficha: estava doente e precisava de ajuda. Por aqui, fiquei de licença médica por três meses. Essa foi uma das piores fases: só chorava e vivia alternando longos períodos de sono com noites passadas em claro. Tentei o suicídio novamente, da mesma forma, mas desta vez ingerindo o dobro de comprimidos. Novamente, fui socorrida há tempo, por familiares.
A volta do fundo do poço
Os médicos me receitaram alguns antidepressivos, que além de não ajudar no meu caso, provocaram muitos efeitos colaterais. Parei de usá-los e, finalmente, aceitei a sugestão de amigos e da família para encarar a terapia — mesmo sem acreditar muito na eficácia desse tipo de intervenção. Após consulta com alguns especialistas que não me agradaram, acabei me identificando com uma terapeuta.
A cada sessão, notava que minha confiança na profissional crescia. Fui me entregando, me abrindo e me conhecendo melhor. Aos poucos e com muita paciência fui retomando o ânimo, aprendendo a lidar com minhas emoções, traumas e, sobretudo, com as minhas frustrações. Recebi alta ao completar quatro anos de terapia. Mas aquelas consultas me faziam tão bem que decidi seguir com o trabalho por mais quatro anos. Só parei agora, pois me sinto completamente segura e pronta para encarar qualquer desafio.
Não foi fácil passar por isso. As pessoas não te compreendem, não sabem lidar com a depressão. Para muitos, o assunto ainda é tabu. Como tentei dar fim à minha vida, muitos me apontavam como louca, se afastavam, tinham receio de ficar ao meu lado. E tudo isso justamente em um período que eu mais precisava de apoio, de companhia. Costumo dizer que a terapia certa, com a terapeuta certa, foi o alicerce que eu precisava. Ela me estendeu a mão e me puxou do fundo do poço, literalmente.
Acreditei na cura
A depressão é muito comum hoje em dia e para as pessoas que passam por isso eu recomendo, acima de tudo, ter muita perseverança. No início, me faltou essa força e ela faz muita diferença. É importante ter em mente que a cura e o controle são possíveis, seja por meio de remédios ou de acompanhamento terapêutico. Você é quem vai identificar o que funciona melhor para o seu caso. Hoje, para atenuar minhas oscilações de humor, recorro a aulas de meditação e ioga. Os resultados têm sido excelentes. Redescobri o prazer de viver, voltei a ser uma mulher feliz comigo e com o mundo.” |
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