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Edição 26 - Junho/2006
 
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  ERROS DE REFRAÇÃO: entenda a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo
A maioria das pessoas convive com algum desses defeitos de visão causados por modificações na estrutura dos olhos. Saiba a diferença entre eles e o que fazer para corrigi-los

POR JANETE TIR

1 O que são?
Alterações na formação do foco das imagens na retina desencadeadas pelo tamanho do olho ou por modificações da córnea ou do cristalino. Quando focamos um objeto, a luz incide em raios paralelos na córnea (membrana fina e transparente que reveste o globo ocular). Neste ponto, começa a convergência dos raios luminosos que continua no cristalino (lente mais interna localizada logo atrás da pupila). No olho normal, esses raios se convergem e caem exatamente sobre a retina, onde estão os receptores fotossensíveis. Lá, são transformados em ondas elétricas e conduzidos pelo nervo óptico ate o cérebro que, por sua vez, transforma esses sinais em imagem. Quando há qualquer defeito em uma dessas estruturas do olho, os raios convergem para um ou mais focos em região anterior ou posterior à retina, desencadeando diferentes problemas de visão, como miopia, hipermetropia e astigmatismo.

2 Quais as diferenças entre eles?
O míope tem olho muito grande ou córnea muito curva, por isso os raios de luz atingem um ponto anterior à retina, gerando dificuldade para se enxergar longe. Já as pessoas com hipermetropia têm o olho muito pequeno ou a córnea muito plana, e os raios são focados depois da retina. Neste caso, não conseguem ver com nitidez imagens próximas. Por fim, quem tem astigmatismo possui a curvatura da córnea em formato ovalado, semelhante a uma bola de futebol americano. Por isso, mais de um ponto de foco é formado anterior ou posterior à sua retina - o que causa visão embaçada para longe, para perto ou para ambas situações ao mesmo tempo.

3 Óculos e lentes são necessários?
Esses acessórios são desenvolvidos para ajustar o foco da imagem. Se os raios luminosos captados pela córnea estiverem convergindo antes da retina (miopia), uma lente divergente irá fazê-los rumar para o ponto certo. No caso de hipermetropia, ela precisa ser convergente. Para o astigmatismo, as lentes devem ser específicas para ajudar a pessoa a enxergar com nitidez. O uso desses corretivos varia conforme o tipo de erro de refração e o grau de dificuldade visual. Em geral, toda criança nasce com hipermetropia, mas os olhos vão crescendo e o grau diminuindo. Esse desvio é normal até os cinco anos e não há necessidade de lentes para corrigi-lo. Mas atenção: a partir de dois graus de hipermetropia, quem não usa óculos ou lentes costuma ter cansaço visual e dor de cabeça. Em casos de astigmatismo entre um e seis anos de idade, o problema tende a reduzir e até desaparecer, não havendo necessidade de correção nesta fase. Aliás, graus reduzidos de astigmatismo não reduzem a acuidade visual e, muitas vezes, dispensam a correção. Já a miopia, rara na infância, geralmente se instala mais tarde por conta do crescimento natural do olho. Quando o problema é muito acentuado (mais de seis graus), podem ocorrer lesões na retina e o paciente passa a ter predisposição ao descolamento da retina. Este risco, acredita-se, seja 40 vezes maior se comparado às chances de pessoas não-míopes.

4 Quando optar pela cirurgia?
Os médicos só indicam tal procedimento para maiores de 18 anos e com o problema visual estável (ou seja, sem aumento de mais de 0,5 grau no último ano ou mais de 1,0 nos dois últimos anos). O candidato à cirurgia deve ter boa saúde e não apresentar predisposição ao deslocamento da retina, distúrbios oculares (ceratocone, olho seco e infecções por herpes), nem mesmo doenças auto-imunes e diabetes, que podem se manifestar no olho após a cirurgia. Também fica descartado o procedimento em gestantes, porque as alterações hormonais podem dificultar a cicatrização ou fornecer resultados menos previsíveis.


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