"Existe algum problema em fazer uso contínuo, sem pausas, de pílula anticoncepcional?”
E.P., Erechim (RS)
Nem todos os médicos têm a mesma opinião. Uma parte deles acha que essa prática é inofensiva e até saudável. Outra acredita que isso poderia interferir em alguns aspectos na saúde da paciente. Vários métodos anticoncepcionais são usados de forma ininterrupta, sem provocar flutuações importantes na quantidade dos hormônios femininos que bloqueiam a ovulação. Alguns exemplos são o dispositivo intra- uterino (DIU) hormonal, os implantes subcutâneos e as injeções mensais e trimestrais. Eles agem continuamente no organismo e a maioria suspende a menstruação enquanto estão sendo usados. A questão é: vale a pena interromper o ciclo menstrual?
A favor da suspensão contam fatores como a redução de sintomas da síndrome da tensão pré-menstrual (TPM), a possibilidade de se evitar anemia (nas mulheres que já têm tendência para essa condição) e simplesmente o conforto de ficar sem menstruar. Alguns especialistas defendem ainda que suspender a menstruação ajudaria a prevenir o aparecimento de miomas (tumores benignos no útero) e a endometriose (condição que remete a um período menstrual com mais desconforto e que pode impedir a gestação). Por outro lado, quem se opõe ao método alega que a menstruação é um bom sinalizador de que a saúde do corpo vai bem. Suspendê-la poderia, portanto, dificultar alguns tipos de diagnóstico. Além disso, há quem acredite que menstruar todo mês é um processo importante para as emoções da mulher.
E já que parar ou não de menstruar está no centro dessa discussão, você sabe por que a mulher que toma pílulas continuamente, sem pausas, pode ficar sem sangramentos mensais?
Para que a menstruação aconteça é necessário uma oscilação hormonal que marque o ciclo. Isso ocorre mensalmente com as mulheres que não tomam a pílula. Para aquela que faz uso do anticoncepcional, quando há uma queda abrupta dos hormônios femininos (na semana da pausa da cartela), o corpo recebe uma espécie de “comando”. O endométrio (revestimento do útero) pára de crescer, começa a se “desprender” das paredes uterinas e acontece o sangramento. Se não houver pausa, não há queda hormonal e, assim, não há sinal para menstruar. Em algumas mulheres a menstruação não chega a ser suspensa totalmente e ainda sobra um “escape” (chamado de “spotting”), um leve sangramento no meio do ciclo. Isso pode acontecer até com quem faz as pausas e, neste caso, é mais comum com o uso das pílulas modernas que possuem doses mais baixas de hormônio na fórmula.
O TEMA É POLÊMICO. HÁ ESPECIALISTAS A FAVOR E CONTRA. POR ISSO, O IDEAL É QUE AS MULHERES CONVERSEM ANTES COM O SEU MÉDICO PARA AVALIAR CUIDADOSAMENTE TODOS OS ASPECTOS QUE ENVOLVEM ESSA DECISÃO
No que se refere às pílulas, ainda vale um lembrete. Algumas condições de saúde exigem mais cuidado na hora da escolha do método anticoncepcional e da sua manutenção. Mulheres com hiscomportamento tórico de trombose, derrame, doenças cardíacas, insuficiência renal e problemas hepáticos não devem tomar pílula. Fumantes, diabéticas e portadoras de anemia falciforme também precisam de acompanhamento durante o uso das cartelas. Em resumo: há vantagens e desvantagens em manter ou interromper o ciclo e que precisam ser analisadas. Nada que uma boa conversa com o seu ginecologista não resolva. O perigo, todos concordam, está em você querer se automedicar sem levar em conta os riscos e sem acompanhamento do especialista, certo?
| |
 |
JAIRO BOUER É MÉDICO PSIQUIATRA (SP) |
| Escreva para Direto ao Ponto, por Jairo Bouer: Av. Alfredo Egídio de Souza Aranha, 100, Bloco B, 8o andar, Gja. Julieta, São Paulo, SP, CEP 04726-170 jairobouer@simbolo.com.br |
|
 |
 |
|
|