
Eles são engraçadinhos, dóceis e se entregam incondicionalmente aos donos.
Dedicados e fiéis, cães e gatos domésticos vivem em busca de carinho que,
para eles, é a própria razão de viver. Esse convívio diário, que mais
parece uma lua-demel, dificilmente se abala, mesmo depois que atingem
a idade madura, com a chegada do cio. "Ela pode ocorrer entre seis e dezoito
meses na cadela, e dos quatro aos dez meses na gata - época em que seus
órgãos sexuais estão totalmente desenvolvidos e prontos para o acasalamento",
explica Mariana Pessoa Mauger, veterinária da Powervet - Farmácia de Manipulação
Veterinária, de São Paulo. Fase complicada essa, pois macho e fêmea ficam
dominados pelos hormônios - entra em cena o tal feromônio, um conjunto
de substâncias segregadas por animais que servem de meio de comunicação
entre seres da mesma espécie ou são atrativos sexuais.
"Por cerca de vinte dias (tempo do cio da cadela), os animais apresentam
alterações de comportamento: ficam mais agressivos ou mais dóceis, emitem
ganidos sem causa aparente, demonstram mais movimentação, aumento de apetite
e micções mais freqüentes", diz Mariana Mauger. Por vezes até se esfregam
nas pernas de visitas, causando constrangimento.
O ciclo canino acontece com a freqüência de, aproximadamente, seis em
seis meses. A vulva fica congestionada e inchada e expele um corrimento
seroso, que em seguida se torna sanguinolento. Mas essa secreção também
é sujeita a variações - em algumas cachorras é abundante, em outras pode
nem aparecer (cio seco), e às vezes é tão diminuta que nem se percebe.
Para as gatas, o período é mais breve (por volta de quinze dias), porém
mais complicado. "A ovulação só se efetiva com o cruzamento. E, se não
copular, ela entra novamente no cio e em um período muito mais curto",
relata a especialista. Talvez também seja por isso que a bichana se mostra
tão arisca nessa fase e até seus miados soam como lamentos - uma tortura
para os ouvidos. Em situações normais, ou seja, quando se dá o cruzamento,
o intervalo entre os ciclos nas gatas ocorre de quatro em quatro meses,
caso contrário é antecipado e passa a ser de dois em dois. E elas não
apresentam sangramentos, apenas liberam um odor bem atrativo para os machos.
Caso os ciclos de sua cadela ou gata sejam muito diferentes dos citados,
pode ser que haja algum problema orgânico e convém buscar ajuda veterinária.

Necessidade de quem?
Sob o ponto de vista médico não existe nenhuma necessidade fisiológica
de fêmeas e machos de cães e gatos cruzarem. "Na verdade, a própria sociedade
se incumbiu de disseminar alguns mitos como 'se eles não gerarem pelo
menos uma cria, podem desenvolver tumor de útero ou de mama'. Não há embasamento
científico nem estudos que comprovem tal afirmação", diz Rosangela Ribeiro
da Silva, médica veterinária da Arca Brasil - Associação Humanitária de
Proteção e Bem-Estar Animal. "É lógico que, como em todos os mamíferos,
a atividade sexual é governada pelos efeitos de determinados hormônios
sobre certos órgãos, e um animal não castrado vai apresentar todas as
alterações físicas e comportamentais que culminam com o desejo de copular,
desejo esse que é apenas físico - não existe consciência do 'querer cruzar
ou procriar'. Portanto podemos dizer que, na natureza, a importância do
acasalamento seria a perpetuação da espécie, mas na sociedade, com a interferência
da ação humana, não há fundamento médico ou psicológico que nos obrigue
a permitir que eles copulem, a não ser a vontade própria de que o animalzinho
tenha herdeiros", conclui a veterinária da Arca Brasil. Mariana Mauger
acrescenta: "E como não sentem prazer sexual, podem passar a vida inteira
sem sexo".
Aumentando a 'família'
Se a sua intenção for mesmo emprenhar seu bichinho, saiba que algumas
dificuldades podem surgir no meio do caminho, tais como:
Momento inadequado - as
cadelas possuem períodos diferentes dentro do cio, que pode variar de
4 a 27 dias (a média é 18 dias). Uma dessas fases é o proestro (quando
ocorre o surgimento da secreção sero-sanguinolenta, inchaço e hiperemia
da vulva), que dura em torno de 9 dias (a variação é de até 27 dias);
a outra é o estro (etapa de aceitação do macho, quando ocorrerá a ovulação),
com duração de 9 dias (variando de 4 a 24 dias). Por causa desta grande
diferença individual, muitas vezes a regra de promover o cruzamento no
90, 110, e 130 dia após o início do aparecimento do sangramento pode incorrer
em erros. Ou seja, a cadela pode ser levada ao macho antes ou após o momento
ideal e não aceitará a cobertura. O auxílio de um médico veterinário é
de grande importância, pois com o exame de citologia vaginal, vaginoscopia
e dosagens hormonais é possível encontrar a hora mais apropriada para
a cópula.
'Humanização' da fêmea -
normalmente quando são criadas muito próximas ao dono, sem contato com
outros cães, elas tornam-se agressivas no momento do acasalamento.
Não aceitação do macho
- algumas cadelas não gostam do animal escolhido para ser pai de seus
filhotes.
Fêmea dominante - ela também
pode vir a rejeitar o macho devido a sua condição hierárquica.
Fêmea inexperiente - geralmente
são aquelas que vão cruzar pela primeira vez na vida.
De qualquer maneira, caso a vontade de aumentar a 'prole' seja grande,
as especialistas aconselham: se após algumas tentativas e frustrações
constantes, a alternativa é lançar mão da inseminação artificial.
A
OPÇÃO POR CASTRAR |
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Existem muitas vantagens em se castrar cães e gatos,
tanto machos como fêmeas. "Estudos científicos comprovam que a esterilização
precoce nas fêmeas, antes do primeiro cio, previne o aparecimento
de neoplasias de mama e do aparelho reprodutivo, uma vez que durante
a castração são retirados útero, ovários e trompas. Quanto aos machos,
também é possível diminuir a incidência de tumores de próstata e de
testículos, além de outras alterações indesejáveis como aquelas relacionadas
à demarcação territorial com micções e agressividade exacerbada. Porém,
a maior vantagem é o controle populacional de cães e gatos de modo
seguro e definitivo", explica a médica veterinária Rosangela Ribeiro
da Silva. Segundo a especialista, o procedimento pode levar o animal
a ganhar peso. "Mas nada tão alarmante que não possa ser controlado
- basta passear com ele todos os dias", conclui. |
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FOTOS : FERNANDO GARDINALI. PRODUÇÃO: LUANA PRADE. AGRADECIMENTO: BRINQUEDOS
LAURA (CACHORROS DE PELÚCIA)