Viva Saúde
Edição 25 - Maio/2006
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Cuide-se bem e previna-se contra o herpes
O vírus que provoca aquelas bolhinhas nos lábios quando o indivíduo apresenta febre tem uma forma equivalente para a região genital, levando a uma doença sexualmente transmissível. Não há cura, mas com os cuidados necessários é possível manter o problema sob controle

POR ADRIANO CATOZZI

O herpes genital é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais comuns no planeta. Sua incidência é crescente no mundo todo e a prevalência varia conforme o país. No Brasil, um estudo realizado com doadores de sangue do Rio de Janeiro revelou taxa de infecção de 29%. Nos Estados Unidos as pesquisas apontam variações entre 13% e 52%; na Europa, entre 10% e 27%; e, na África, entre 30% e 40%.

O responsável pela doença geralmente é o vírus herpes simples tipo 2, embora o tipo 1 também possa provocála. O tipo 1 normalmente afeta a região ao redor dos lábios, desencadeando lesões quando a pessoa tem uma queda de resistência - por exemplo, diante de um quadro febril, estresse ou exposição ao sol. Entretanto, a prática do sexo oral pode transmitir o herpes da boca para a região genital e vice-versa.

Uma vez infectada a pessoa permanece com o microorganismo no corpo para sempre. Entretanto, ele só causa sintomas nas crises ou reativações do vírus e, felizmente, já existem medicamentos antivirais capazes de mantêlo sob controle. Ou seja, diminuir consideravelmente o número de ocorrências e sua intensidade.

A presença das feridas também facilita que outras DSTs sejam contraídas

Como uma gripe

Os sintomas incluem pequenas feridas com bolhas na região genital e algumas vezes na anal, nas nádegas e coxas. Após alguns dias, essas bolhas se rompem e surgem pequenas úlceras superficiais, que duram de cinco dias a três semanas. A primeira infecção é a mais forte e pode apresentar sinais parecidos com os da gripe, como aumento dos gânglios (íngua), febre e dores no corpo. As crises seguintes costumam ser mais leves e curtas. As manifestações recorrentes podem ser provocadas por vários motivos como estresse emocional, desgaste físico, menstruação ou mesmo por relações sexuais mais vigorosas.

O período que antecede o surgimento das bolhas (um ou dois dias) é chamado de pródromo e é caracterizado por coceira, irritação ou formigamento na região afetada. Se o medicamento - sob a forma de pomadas de uso local e de comprimidos - for empregado nesta fase, aumentam as chances de sucesso do tratamento. Mas a maneira mais eficaz de prevenção é melhorar a imunidade geral. E isso se faz com boa alimentação, exercícios físicos regulares, proteção solar e controle do estresse.

O uso da camisinha nas relações sexuais é a melhor maneira de se evitar o contágio por qualquer DST - isso vale inclusive para o herpes genital

Reconhecendo os sintomas
O diagnóstico do herpes genital costuma ser fácil, pois trata-se da única DST cuja infecção apresenta bolhas antes de aparecerem as feridas. Existem medicamentos - como as sulfas - que podem provocar como efeitos adversos feridas e vesículas semelhantes as do herpes, mas são raros os casos. Para esclarecer as dúvidas, deve-se consultar um médico, que poderá recorrer ao diagnóstico através de material colhido da lesão ou, mais freqüentemente, por exames sorológicos. Além do herpes tipo 1 (boca) e 2 (genital), existe o herpes zoster, que pode apresentar lesões nas costas, face, abdômen e tórax e cujas crises são muito mais dolorosas. Não existem maiores conseqüências destas manifestações, tanto para os homens como para as mulheres, além da crise em si. "Como este tipo de infecção está intimamente relacionada à imunidade de cada um, é bastante comum a ocorrência em pessoas que apresentem algum tipo de infecção, que pode ser de uma simples gripe a tumores, infecção pelo HIV ou tratamentos com drogas imunossupressoras", diz o médico Júlio Máximo (SP).

Defesa imunológica

O contágio do herpes se dá normalmente pelo contato com uma pessoa que apresente as lesões bolhosas ou as feridas. "O beijo geralmente transmite o herpes tipo 1 e a relação sexual o do tipo 2", explica o urologista Júlio Máximo de Carvalho, diretor da Sociedade Brasileira de DSTs, Seção São Paulo. "É muito comum em um casal apenas um dos parceiros apresentar a forma clínica da infecção. Se realizarmos um exame sorológico (de sangue) para constatarmos a infecção, notaremos que os dois estarão positivos, ou seja, entraram em contato e formaram anticorpos contra o vírus. Aquele que não mostra infecção clínica tem uma defesa imunológica melhor para o herpes do que o companheiro que apresenta o problema várias vezes ao longo do ano", explica.

A incidência de manifestações varia de um indivíduo para outro: há quem possa apresentá-la a cada três anos e outros a terão várias vezes em um mesmo período. Daí a necessidade de manter o estado imunológico elevado para evitar constantes recidivas.

A fase do pródromo - a coceirinha que antecede as crises - também é contagiosa

DICAS DE AUTOCUIDADO
 

Além do tratamento com pomadas ou comprimidos, existem procedimentos que ajudam a inativar o vírus, promover a cicatrização e aliviar os sintomas das crises:

• Evite o contato sexual desde o pródromo até três dias depois do desaparecimento das lesões.
• Lave a região afetada com água e sabão neutro duas vezes ao dia e seque delicadamente com uma toalha ou secador.
• Aplique gelo (envolto em uma toalha) na região por 5 ou 10 minutos.
• Evite roupas íntimas apertadas e dê preferência às de algodão.
• Aplique água morna na região genital enquanto estiver urinando, para evitar a dor.
• Durante as crises, nunca toque os olhos sem lavar bem as mãos.

   

 


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.