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Cuide-se bem e previna-se contra o herpes O vírus que provoca aquelas bolhinhas nos lábios
quando o indivíduo apresenta febre tem uma forma equivalente para
a região genital, levando a uma doença sexualmente transmissível.
Não há cura, mas com os cuidados necessários
é possível manter o problema sob controle
POR ADRIANO CATOZZI
O herpes genital é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)
mais comuns no planeta. Sua incidência é crescente no mundo todo e a prevalência
varia conforme o país. No Brasil, um estudo realizado com doadores de
sangue do Rio de Janeiro revelou taxa de infecção de 29%. Nos Estados
Unidos as pesquisas apontam variações entre 13% e 52%; na Europa, entre
10% e 27%; e, na África, entre 30% e 40%.
O responsável pela doença geralmente é o vírus herpes simples tipo 2,
embora o tipo 1 também possa provocála. O tipo 1 normalmente afeta a região
ao redor dos lábios, desencadeando lesões quando a pessoa tem uma queda
de resistência - por exemplo, diante de um quadro febril, estresse ou
exposição ao sol. Entretanto, a prática do sexo oral pode transmitir o
herpes da boca para a região genital e vice-versa.
Uma vez infectada a pessoa permanece com o microorganismo no corpo para
sempre. Entretanto, ele só causa sintomas nas crises ou reativações do
vírus e, felizmente, já existem medicamentos antivirais capazes de mantêlo
sob controle. Ou seja, diminuir consideravelmente o número de ocorrências
e sua intensidade.
| A
presença das feridas também facilita que outras DSTs sejam contraídas |
Como uma gripe
Os sintomas incluem pequenas feridas com bolhas na região genital e algumas
vezes na anal, nas nádegas e coxas. Após alguns dias, essas bolhas se
rompem e surgem pequenas úlceras superficiais, que duram de cinco dias
a três semanas. A primeira infecção é a mais forte e pode apresentar sinais
parecidos com os da gripe, como aumento dos gânglios (íngua), febre e
dores no corpo. As crises seguintes costumam ser mais leves e curtas.
As manifestações recorrentes podem ser provocadas por vários motivos como
estresse emocional, desgaste físico, menstruação ou mesmo por relações
sexuais mais vigorosas.
O período que antecede o surgimento das bolhas (um ou dois dias) é chamado
de pródromo e é caracterizado por coceira, irritação ou formigamento na
região afetada. Se o medicamento - sob a forma de pomadas de uso local
e de comprimidos - for empregado nesta fase, aumentam as chances de sucesso
do tratamento. Mas a maneira mais eficaz de prevenção é melhorar a imunidade
geral. E isso se faz com boa alimentação, exercícios físicos regulares,
proteção solar e controle do estresse.
| O
uso da camisinha nas relações sexuais é a melhor maneira de se evitar
o contágio por qualquer DST - isso vale inclusive para o herpes
genital |
| Reconhecendo os sintomas |
| O diagnóstico do herpes genital costuma ser fácil, pois trata-se
da única DST cuja infecção apresenta bolhas antes de aparecerem as
feridas. Existem medicamentos - como as sulfas - que podem provocar
como efeitos adversos feridas e vesículas semelhantes as do herpes,
mas são raros os casos. Para esclarecer as dúvidas, deve-se consultar
um médico, que poderá recorrer ao diagnóstico através de material
colhido da lesão ou, mais freqüentemente, por exames sorológicos.
Além do herpes tipo 1 (boca) e 2 (genital), existe o herpes zoster,
que pode apresentar lesões nas costas, face, abdômen e tórax e cujas
crises são muito mais dolorosas. Não existem maiores conseqüências
destas manifestações, tanto para os homens como para as mulheres,
além da crise em si. "Como este tipo de infecção está intimamente
relacionada à imunidade de cada um, é bastante comum a ocorrência
em pessoas que apresentem algum tipo de infecção, que pode ser de
uma simples gripe a tumores, infecção pelo HIV ou tratamentos com
drogas imunossupressoras", diz o médico Júlio Máximo (SP). |
Defesa imunológica
O contágio do herpes se dá normalmente pelo contato com uma pessoa que
apresente as lesões bolhosas ou as feridas. "O beijo geralmente transmite
o herpes tipo 1 e a relação sexual o do tipo 2", explica o urologista
Júlio Máximo de Carvalho, diretor da Sociedade Brasileira de DSTs, Seção
São Paulo. "É muito comum em um casal apenas um dos parceiros apresentar
a forma clínica da infecção. Se realizarmos um exame sorológico (de sangue)
para constatarmos a infecção, notaremos que os dois estarão positivos,
ou seja, entraram em contato e formaram anticorpos contra o vírus. Aquele
que não mostra infecção clínica tem uma defesa imunológica melhor para
o herpes do que o companheiro que apresenta o problema várias vezes ao
longo do ano", explica.
A incidência de manifestações varia de um indivíduo para outro: há quem
possa apresentá-la a cada três anos e outros a terão várias vezes em um
mesmo período. Daí a necessidade de manter o estado imunológico elevado
para evitar constantes recidivas.
| A
fase do pródromo - a coceirinha que antecede as crises - também
é contagiosa |
DICAS
DE AUTOCUIDADO |
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Além do tratamento com pomadas ou comprimidos, existem
procedimentos que ajudam a inativar o vírus, promover a cicatrização
e aliviar os sintomas das crises:
• Evite o contato sexual desde o pródromo até três dias depois
do desaparecimento das lesões.
• Lave a região afetada com água e sabão neutro duas vezes
ao dia e seque delicadamente com uma toalha ou secador.
• Aplique gelo (envolto em uma toalha) na região por 5 ou
10 minutos.
• Evite roupas íntimas apertadas e dê preferência às de algodão.
• Aplique água morna na região genital enquanto estiver urinando,
para evitar a dor.
• Durante as crises, nunca toque os olhos sem lavar bem as
mãos. |
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