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Edição 25 - Maio/2006
 
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  Um novo papel para o Ginecologista
Confira a entrevista com o médico Eliezer Berenstein, que possui vasta experiência na área de ginecologia e obstetrícia, mas que se destaca em meio a tantos outros bons profissionais pelo respeito e pela forma cuidadosa com que trata suas pacientes. Em sua própria definição é um feminólogo - aquele capaz de conhecer o corpo e a alma feminina

POR CARMEN CAGNONI
FOTO FERNANDO GARDINALI

Formado pela Faculdade Franciscana de Medicina (SP), com especialização em Ginecologia e Obstetrícia, pós-graduado em Sexualidade Humana e atualmente ocupando o posto de Delegado Regional da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH), Eliezer Berenstein também carrega na bagagem profissional a especialização em homeopatia fornecida pelo Conselho Federal de Medicina. Autor de dois livros - um que aborda a tensão pré-menstrual e outro o complexo metabolismo hormonal -, o médico acompanha atentamente as mudanças no universo feminino. "A taxa de fertilidade está diminuindo vertiginosamente. A primeira menstruação, a cada geração, esta ocorrendo um ano mais cedo. A expectativa de vida da mulher aumentou - assim como seu estresse. É preciso olhar essas transformações, não só com os olhos da ciência, mas de modo integrado. Corpo e mente devem ser analisados em conjunto para se obter qualidade de vida e saúde", diz. Confira as mudanças que o médico defende no trato com a paciente e porque ele se transformou em um expert em problemas femininos que causam poucos danos físicos, mas enormes conseqüências emocionais.

O senhor se define como um feminólogo. O que é feminologia?
Dr. Berenstein - É o estudo da mulher e de sua vida e, conseqüentemente, isso inclui suas doenças. Trata-se da verificação da feminilidade como entidade, por isso se diferencia da ginecologia, que estuda os órgãos genitais e suas enfermidades. O ginecologista, em geral, não leva muito em consideração o meio em que a mulher vive e o seu psiquismo. Com a feminologia, distúrbios com manifestações físicas pequenas e emocionais grandes, como a TPM, passaram a ser valorizadas. O objetivo é auxiliar a mulher no seu universo psíquico, físico, emocional e espiritual à luz das descobertas atuais e dos caminhos anteriores à medicina clássica.

Quando surgiu esse conceito?
Dr. Berenstein - Teve início em 1985, no ambulatório da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, sob a coordenação do professor Paulo Schmidt Goffi e agora está sob o comando do médico Sérgio Peixoto.

E o que é um feminólogo?
Dr. Berenstein - É o profissional que tem a sensibilidade de perceber a mulher como um todo e coloca em prática várias ações para ajudá-la. Estamos inaugurando o primeiro Centro de Estudos de Feminologia, chamado Nelson Vitiello - ginecologista considerado o primeiro feminólogo brasileiro. É uma homenagem devida a quem soube lidar com a feminilidade e seu valores.

Há muitos profissionais do gênero no Brasil?
Dr. Berenstein - Estamos ainda na fase de semear esse conceito. Ainda não há um curso oficializado, mas uma equipe multidisciplinar - que une psiquiatria, psicologia, antropologia - trabalhando para enriquecer aqueles que desejam ir por esse novo caminho. Para existir uma formação oficial, é necessário muita prática e o envolvimento de vários profissionais. É preciso vencer a resistência e trabalhar centenas de anos de repressão da mente feminina. Não é tarefa simples. No entanto, acredito que o conceito fará parte da visão de todo médico daqui alguns anos. E isso acontecerá, não porque os homens decidiram deixar de ser médicos convencionais, mas sim porque as mulheres não desistirão de ser melhores assistidas. Uma dica: para encontrar um feminólogo, procure por médicos que tenham uma visão holística, que agreguem ao trabalho contemporâneo ensinamentos de outras linhas de pensamento médico como a homeopatia, acupuntura e sexualidade.

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