
Formado pela Faculdade Franciscana de Medicina (SP), com especialização
em Ginecologia e Obstetrícia, pós-graduado em Sexualidade Humana e atualmente
ocupando o posto de Delegado Regional da Sociedade Brasileira de Sexualidade
Humana (SBRASH), Eliezer Berenstein também carrega na bagagem profissional
a especialização em homeopatia fornecida pelo Conselho Federal de Medicina.
Autor de dois livros - um que aborda a tensão pré-menstrual e outro o
complexo metabolismo hormonal -, o médico acompanha atentamente as mudanças
no universo feminino. "A taxa de fertilidade está diminuindo vertiginosamente.
A primeira menstruação, a cada geração, esta ocorrendo um ano mais cedo.
A expectativa de vida da mulher aumentou - assim como seu estresse. É
preciso olhar essas transformações, não só com os olhos da ciência, mas
de modo integrado. Corpo e mente devem ser analisados em conjunto para
se obter qualidade de vida e saúde", diz. Confira as mudanças que o médico
defende no trato com a paciente e porque ele se transformou em um expert
em problemas femininos que causam poucos danos físicos, mas enormes conseqüências
emocionais.
O senhor se define como um feminólogo.
O que é feminologia?
Dr. Berenstein - É o estudo da mulher
e de sua vida e, conseqüentemente, isso inclui suas doenças. Trata-se
da verificação da feminilidade como entidade, por isso se diferencia da
ginecologia, que estuda os órgãos genitais e suas enfermidades. O ginecologista,
em geral, não leva muito em consideração o meio em que a mulher vive e
o seu psiquismo. Com a feminologia, distúrbios com manifestações físicas
pequenas e emocionais grandes, como a TPM, passaram a ser valorizadas.
O objetivo é auxiliar a mulher no seu universo psíquico, físico, emocional
e espiritual à luz das descobertas atuais e dos caminhos anteriores à
medicina clássica.
Quando surgiu esse conceito?
Dr. Berenstein - Teve início em 1985, no ambulatório
da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, sob a coordenação do professor
Paulo Schmidt Goffi e agora está sob o comando do médico Sérgio Peixoto.
E o que é um feminólogo?
Dr. Berenstein - É o profissional que tem a sensibilidade
de perceber a mulher como um todo e coloca em prática várias ações para
ajudá-la. Estamos inaugurando o primeiro Centro de Estudos de Feminologia,
chamado Nelson Vitiello - ginecologista considerado o primeiro feminólogo
brasileiro. É uma homenagem devida a quem soube lidar com a feminilidade
e seu valores.
Há muitos profissionais do gênero no Brasil?
Dr. Berenstein - Estamos ainda na fase de semear esse
conceito. Ainda não há um curso oficializado, mas uma equipe multidisciplinar
- que une psiquiatria, psicologia, antropologia - trabalhando para enriquecer
aqueles que desejam ir por esse novo caminho. Para existir uma formação
oficial, é necessário muita prática e o envolvimento de vários profissionais.
É preciso vencer a resistência e trabalhar centenas de anos de repressão
da mente feminina. Não é tarefa simples. No entanto, acredito que o conceito
fará parte da visão de todo médico daqui alguns anos. E isso acontecerá,
não porque os homens decidiram deixar de ser médicos convencionais, mas
sim porque as mulheres não desistirão de ser melhores assistidas. Uma
dica: para encontrar um feminólogo, procure por médicos que tenham uma
visão holística, que agreguem ao trabalho contemporâneo ensinamentos de
outras linhas de pensamento médico como a homeopatia, acupuntura e sexualidade.
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