
Ela é muito dissimulada. Por isso, pode passar de 10 a 20 anos lesando
o fígado, um dos órgãos mais importantes do organismo, sem dar sequer
um sinal de sua presença. E é justamente esse silêncio que, em boa parte,
preocupa os médicos. De cada 100 pessoas contaminadas com o vírus da hepatite
C, 80 podem se tornar portadoras crônicas da doença. Alguns pesquisadores
acreditam que esse número pode ser ainda maior. Segundo os especialistas,
85% dos infectados que não são tratados no início da doença desenvolvem
a forma crônica. E o estado de alerta é geral. De acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a infecção esteja presente em 200
milhões de pessoas no planeta. "Isso sem contar os 57 países do Oriente
Médio, Leste Europeu, África e Ásia que não têm dados sobre a enfermidade",
revela a infectologista Maria Cássia Mendes Corrêa, do Hospital das Clínicas,
ligado à Universidade de São Paulo, e da Unidade de Referência para Doenças
Infecciosas Preveníveis (Urdip), que pertence à Faculdade de Medicina
do ABC.
Descoberto e classificado em 1989, o VHC (vírus da hepatite C) faz parte
de um grupo de outros vírus que costumam atacar o fígado causando a hepatite.
Esta é a inflamação no órgão que pode gerar danos leves ou doenças graves
como tumores malignos.
Nesse quesito, ela é a que motiva maiores preocupações nos médicos. Primeiro
porque o número de infectados é alarmante. Segundo por ser assintomática
- muitas vezes seu portador nem desconfia da presença da doença e não
procura tratamento. Dessa maneira, pode se tornar crônica e provocar seqüelas
irreversíveis. De cada 100 pacientes com hepatite C, 20 poderão desenvolver
cirrose hepática e, desse total, cinco correm o risco de ter tumor de
fígado do tipo carcinoma.
ATENÇÃO |
| |
Se existe a possibilidade de ter se contaminado com
o vírus, procure um médico para tirar a dúvida. Os casos considerados
de maior risco são:
• Quem recebeu transfusões de sangue antes de 1990.
• Pacientes que passaram por transplantes ou cirurgias antes
de julho de 1992.
• Pessoas que receberam anticoagulantes concentrados antes
de 1987.
• Pacientes em hemodiálises e diálises.
• Usuários e ex-usuários de drogas injetáveis e aspiradas
(os canudos se contaminam com o sangue do nariz), mesmo aqueles
que tenham sido consumidores eventuais.
• Profissionais da saúde e de segurança pública, médicos,
dentistas, enfermeiros, bombeiros, policiais.
• Crianças nascidas de mães portadoras do vírus da hepatite
C.
• Pessoas de vida sexual ativa que mantenham relações com
múltiplos parceiros ou parceiros não estáveis e que não costumam
usar preservativos. Ainda que a maior via de transmissão não seja
o sexo, é bom ficar atento a essa questão. |
 |
 |
|
|
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>