Viva Saúde
Edição 25 - Maio/2006
 
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  Açúcar na medida

Por que algumas pessoas são verdadeiras 'formigas'?
  Segundo a nutróloga e endocrinologista, há pessoas que sofrem de "sugar craving" (compulsão por açúcar) e apresentam um déficit de serotonina. "Essa falta de serotonina, indispensável às células cerebrais, impede a sensação de calma e estabilidade de humor. O tratamento é feito através de um medicamento que eleva o nível de serotonina no cérebro, dando uma sensação de saciedade. Médicos lembram que os "ataques" dos chocólatras costumam ocorrer à noite, quando são comuns as crises depressivas. Nove em cada dez mulheres não resistem a um doce -- não é à toa que o açúcar se transformou no grande vilão da balança. Os hormônios têm as sua parcela de culpa nessa história. Nos dias que antecedem a menstruação, quando os níveis de progesterona estão em alta, pode pintar uma certa carência e até garotas disciplinadas se rendem aos encantos das sobremesas. E funciona porque o açúcar aumenta a taxa de serotonina, substância que promove o bem-estar. O carboidrato também tem esse efeito, mas um docinho é sempre um prazer maior na hora de espantar a tristeza. Em quadros depressivos e de ansiedade ocorrem alterações do apetite: deixa-se de comer ou se tem à compulsão por doces. Aí a saciedade atuaria como compensação de frustrações ou perdas. A compulsão por doces é fisiológica, mas termina sendo emocional, pois as pessoas que tem 'sugar craving' sempre encontrarão "um conforto" nos doces para melhorar sua parte emocional, que poderá estar abalada."
   

Dúvidas sobre o diabetes?

Confira entrevista, na íntegra, com o médico Marcos Tambascia, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

Viva Saúde: Sintomas de diabetes só aparecem quando a glicose está elevada? Quais seriam esses sintomas?
Marcos Tambascia:
Diabetes Mellitus é um conjunto de doenças que têm em comum o aumento dos níveis de glicose no sangue. Quando estes níveis estão discretamente elevados, muitos pacientes não apresentam sintoma algum e este fato dificulta o diagnóstico da doença. Sabemos que cerca de 50% dos pacientes diabéticos não sabem que apresentam a doença, pois não manifestam sintoma algum. Isso não significa que o paciente não esteja correndo o risco de complicações pela doença. Não é à toa que as sociedades médicas recomendam que todas as pessoas com mais de 45 anos façam uma determinação dos níveis de glicose sangüínea a cada três anos. Se forem obesos, hipertensos, apresentarem níveis de colesterol elevados, mulheres que tiveram diabetes gestacional ou pessoas com antecedente familiar direto de diabetes, os exames devem ser feitos anualmente. Quando os níveis de glicose estiverem em geral maiores que 180 a 200 mg/dL ocorrerá excreção da glicose pela urina. Este fato acarreta aumento do volume urinário e sede pela desidratação que ocasiona. Estes sintomas (urinar muito e sentir sede) aliados a alterações da acuidade visual, fome e perda de peso são os mais comuns achados clínicos do diabetes.

Viva Saúde: O que o senhor tem a dizer sobre os 'pré-diabéticos'? Existe essa categoria de paciente? Que riscos eles correm?
Marcos Tambascia:
O termo pré-diabetes se refere a duas condições. 1) Pessoas que apresentam os níveis de glicose maiores do que 100 mg/dL (que é o limite superior do normal) e menores que 126 mg/dL (limite inferior para o diagnóstico de diabetes) ou 2) Pessoas que ao se submeterem ao teste oral de tolerância à glicose (ingerir 75 g de glicose por via oral) e apresentarem níveis de glicose maiores que 200 mg/dL no tempo de duas horas após a ingestão da sobrecarga. Pacientes nesta categoria já correm o risco das complicações crônicas do diabetes e devem seguir as recomendações clássicas de manter o peso normal e uma rotina de atividade física.

Viva Saúde: O diabético poderá, algum dia, consumir açúcar sem medo?
Marcos Tambascia:
Não está proibido o uso de açúcares por pacientes diabéticos, desde que levado em consideração o total de calorias permitidas para impedir a obesidade. E desde que o paciente monitore a glicemia e use medicamentos para impedir o seu aumento além do limite esperado. Este remédio, na maioria da vezes, é a insulina de ação ultra-rápida.

Viva Saúde: Diabetes tem características hereditárias? É passada de pai para filho?
Marcos Tambascia:
Existem vários tipos de diabetes. A forma mais comum, cerca de 90% dos casos, é o que chamamos diabetes tipo 2. Esta doença tem como base a resistência à insulina, que na maioria das vezes é uma reação secundária à obesidade e ao sedentarismo. Os diabéticos tipo 2 também apresentam uma resposta de secreção de insulina insuficiente para a compensação metabólica. Esta dificuldade de produzir insulina é que é determinada pela base genética, de origem familiar.

Viva Saúde: O novo tratamento que vem por aí é indicado para todos os casos de diabetes tipo 2? Seria um tratamento para a vida toda, com ganho de qualidade de vida ao paciente? Quais são as perspectivas de futuro para o paciente diabético?
Marcos Tambascia:
Como já disse, diabetes é um conjunto de doenças com mecanismos de instalação diferentes e o tratamento com medicamentos depende de cada tipo da doença. No diabetes do tipo 2, os defeitos são também diferentes com o passar do tempo e em função desta característica medicamentos que são bons para um paciente podem não ser eficientes para outro paciente. É o médico que cuida do paciente que deve decidir qual medicamento está mais indicado.


Viva Saúde: Quais são os riscos para quem consome muito açúcar diariamente? Além de obesidade e diabetes, que outras doenças o consumo excessivo traria?
Marcos Tambascia:
Açucares são alimentos com alto poder energético e portanto com o potencial de induzir excesso de peso, se ingerido em excesso. Não é o açúcar em si, mas a obesidade, conseqüente do consumo exagerado de nutrientes, açúcares ou não, que pode induzir ao diabetes.

Viva Saúde: Todo obeso será diabético? Magros e fanáticos por doces também correm o risco do diabetes?
Marcos Tambascia:
Nem todo obeso será diabético, pois se apresentarem um funcionamento adequado do pâncreas com boa capacidade de secretar insulina não ocorrerá hiperglicemia. O que não quer dizer que a obesidade não trará outros problemas.

Viva Saúde: Qual a relação obesidade-diabetes?
Marcos Tambascia:
O excesso de tecido adiposo leva ao aumento da produção de substância produzidas por este tecido e que tem a capacidade de interferir no mecanismo de ação da insulina, levando assim ao aumento dos níveis de glicose

Viva Saúde: Em caso de suspeita de diabetes, que exames devem ser solicitados?
Marcos Tambascia:
Na suspeita de diabetes, o exame comprovatório é a determinação da glicemia (níveis de glicose sangüínea). Devem ser também avaliados os níveis da gorduras (colesterol e triglicérides), devido à ocorrência desse problema em comum ser freqüente.

Viva Saúde: Quais são as perspectivas de futuro para o paciente diabético? Que tratamentos facilitarão a vida do diabético?
Marcos Tambascia:
Vários medicamentos estão em estudo e vários estão sendo lançados no mercado farmacêutico com a finalidade de facilitar o controle metabólico. Deve ser esclarecido aqui que as complicações da doença não ocorrem pelo fato do paciente apresentar diabetes e sim pelo fato de não manter o controle adequado dos níveis de glicose. Medicamentos que visem melhorar a grau de controle trarão benefícios na prevenção das complicações.


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