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que algumas pessoas são verdadeiras 'formigas'? |
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Segundo a nutróloga e endocrinologista, há pessoas
que sofrem de "sugar craving" (compulsão por açúcar) e apresentam
um déficit de serotonina. "Essa falta de serotonina, indispensável
às células cerebrais, impede a sensação de calma e estabilidade de
humor. O tratamento é feito através de um medicamento que eleva o
nível de serotonina no cérebro, dando uma sensação de saciedade. Médicos
lembram que os "ataques" dos chocólatras costumam ocorrer à noite,
quando são comuns as crises depressivas. Nove em cada dez mulheres
não resistem a um doce -- não é à toa que o açúcar se transformou
no grande vilão da balança. Os hormônios têm as sua parcela de culpa
nessa história. Nos dias que antecedem a menstruação, quando os níveis
de progesterona estão em alta, pode pintar uma certa carência e até
garotas disciplinadas se rendem aos encantos das sobremesas. E funciona
porque o açúcar aumenta a taxa de serotonina, substância que promove
o bem-estar. O carboidrato também tem esse efeito, mas um docinho
é sempre um prazer maior na hora de espantar a tristeza. Em quadros
depressivos e de ansiedade ocorrem alterações do apetite: deixa-se
de comer ou se tem à compulsão por doces. Aí a saciedade atuaria como
compensação de frustrações ou perdas. A compulsão por doces é fisiológica,
mas termina sendo emocional, pois as pessoas que tem 'sugar craving'
sempre encontrarão "um conforto" nos doces para melhorar sua parte
emocional, que poderá estar abalada." |
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Dúvidas sobre o diabetes?
Confira entrevista, na íntegra, com o médico Marcos Tambascia, presidente
da Sociedade Brasileira de Diabetes
Viva Saúde: Sintomas de diabetes só aparecem
quando a glicose está elevada? Quais seriam esses sintomas?
Marcos Tambascia: Diabetes Mellitus é um conjunto de doenças
que têm em comum o aumento dos níveis de glicose no sangue. Quando estes
níveis estão discretamente elevados, muitos pacientes não apresentam sintoma
algum e este fato dificulta o diagnóstico da doença. Sabemos que cerca
de 50% dos pacientes diabéticos não sabem que apresentam a doença, pois
não manifestam sintoma algum. Isso não significa que o paciente não esteja
correndo o risco de complicações pela doença. Não é à toa que as sociedades
médicas recomendam que todas as pessoas com mais de 45 anos façam uma
determinação dos níveis de glicose sangüínea a cada três anos. Se forem
obesos, hipertensos, apresentarem níveis de colesterol elevados, mulheres
que tiveram diabetes gestacional ou pessoas com antecedente familiar direto
de diabetes, os exames devem ser feitos anualmente. Quando os níveis de
glicose estiverem em geral maiores que 180 a 200 mg/dL ocorrerá excreção
da glicose pela urina. Este fato acarreta aumento do volume urinário e
sede pela desidratação que ocasiona. Estes sintomas (urinar muito e sentir
sede) aliados a alterações da acuidade visual, fome e perda de peso são
os mais comuns achados clínicos do diabetes.
Viva Saúde: O que o senhor tem a dizer
sobre os 'pré-diabéticos'? Existe essa categoria de paciente? Que riscos
eles correm?
Marcos Tambascia: O termo pré-diabetes se refere a duas condições.
1) Pessoas que apresentam os níveis de glicose maiores do que 100 mg/dL
(que é o limite superior do normal) e menores que 126 mg/dL (limite inferior
para o diagnóstico de diabetes) ou 2) Pessoas que ao se submeterem ao
teste oral de tolerância à glicose (ingerir 75 g de glicose por via oral)
e apresentarem níveis de glicose maiores que 200 mg/dL no tempo de duas
horas após a ingestão da sobrecarga. Pacientes nesta categoria já correm
o risco das complicações crônicas do diabetes e devem seguir as recomendações
clássicas de manter o peso normal e uma rotina de atividade física.
Viva Saúde: O diabético poderá,
algum dia, consumir açúcar sem medo?
Marcos Tambascia: Não está proibido o uso de açúcares
por pacientes diabéticos, desde que levado em consideração
o total de calorias permitidas para impedir a obesidade. E desde que o
paciente monitore a glicemia e use medicamentos para impedir o seu aumento
além do limite esperado. Este remédio, na maioria da vezes,
é a insulina de ação ultra-rápida.
Viva Saúde: Diabetes tem características
hereditárias? É passada de pai para filho?
Marcos Tambascia: Existem vários tipos de diabetes. A
forma mais comum, cerca de 90% dos casos, é o que chamamos diabetes
tipo 2. Esta doença tem como base a resistência à
insulina, que na maioria das vezes é uma reação secundária
à obesidade e ao sedentarismo. Os diabéticos tipo 2 também
apresentam uma resposta de secreção de insulina insuficiente
para a compensação metabólica. Esta dificuldade de
produzir insulina é que é determinada pela base genética,
de origem familiar.
Viva Saúde: O novo tratamento que
vem por aí é indicado para todos os casos de diabetes tipo
2? Seria um tratamento para a vida toda, com ganho de qualidade de vida
ao paciente? Quais são as perspectivas de futuro para o paciente
diabético?
Marcos Tambascia: Como já disse, diabetes é um
conjunto de doenças com mecanismos de instalação
diferentes e o tratamento com medicamentos depende de cada tipo da doença.
No diabetes do tipo 2, os defeitos são também diferentes
com o passar do tempo e em função desta característica
medicamentos que são bons para um paciente podem não ser
eficientes para outro paciente. É o médico que cuida do
paciente que deve decidir qual medicamento está mais indicado.
Viva Saúde: Quais são os riscos
para quem consome muito açúcar diariamente? Além
de obesidade e diabetes, que outras doenças o consumo excessivo
traria?
Marcos Tambascia: Açucares são alimentos com alto
poder energético e portanto com o potencial de induzir excesso
de peso, se ingerido em excesso. Não é o açúcar
em si, mas a obesidade, conseqüente do consumo exagerado de nutrientes,
açúcares ou não, que pode induzir ao diabetes.
Viva Saúde: Todo obeso será
diabético? Magros e fanáticos por doces também correm
o risco do diabetes?
Marcos Tambascia: Nem todo obeso será diabético,
pois se apresentarem um funcionamento adequado do pâncreas com boa
capacidade de secretar insulina não ocorrerá hiperglicemia.
O que não quer dizer que a obesidade não trará outros
problemas.
Viva Saúde: Qual a relação
obesidade-diabetes?
Marcos Tambascia: O excesso de tecido adiposo leva ao aumento
da produção de substância produzidas por este tecido
e que tem a capacidade de interferir no mecanismo de ação
da insulina, levando assim ao aumento dos níveis de glicose
Viva Saúde: Em caso de suspeita
de diabetes, que exames devem ser solicitados?
Marcos Tambascia: Na suspeita de diabetes, o exame comprovatório
é a determinação da glicemia (níveis de glicose
sangüínea). Devem ser também avaliados os níveis
da gorduras (colesterol e triglicérides), devido à ocorrência
desse problema em comum ser freqüente.
Viva Saúde: Quais são as
perspectivas de futuro para o paciente diabético? Que tratamentos
facilitarão a vida do diabético?
Marcos Tambascia: Vários medicamentos estão em
estudo e vários estão sendo lançados no mercado farmacêutico
com a finalidade de facilitar o controle metabólico. Deve ser esclarecido
aqui que as complicações da doença não ocorrem
pelo fato do paciente apresentar diabetes e sim pelo fato de não
manter o controle adequado dos níveis de glicose. Medicamentos
que visem melhorar a grau de controle trarão benefícios
na prevenção das complicações.