Viva Saúde
Edição 24 - Abril/2006
 
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Gente que deu a volta por cima
  "Venci a doença com otimismo"
A estudante Larissa Rodrigues Simões, de 15 anos, conta como encarou e superou a leucemia

POR PATRÍCIA AFFONSO

FOTOS: DIVULGAÇÃO
A jovem submeteu-se a um transplante de medula. Sempre confiante, logo ela se recuperou e pôde retornar a sua rotina diária
" Era uma criança de 10 anos como qualquer outra. Estava tudo bem, mas repentinamente comecei a ter crises de enjôo e mal-estar. No início, meus pais acharam que era algo sem importância e deixaram passar. Porém, como os sintomas se repetiam, procuramos ajuda médica. Passei por várias consultas e exames, mas ninguém descobria nada. Decidimos tentar a homeopatia. Marcamos com um especialista e ele constatou que eu sofria de leucemia. No mesmo dia fui encaminhada para a internação. O médico explicou que era urgente, mesmo porque a doença já estava se manifestando há dois meses e o tempo era muito precioso no tratamento. Não sabia exatamente o que era leucemia e minha mãe me tranqüilizava dizendo ser simples. Ela, meu pai e o meu irmão me passavam a maior força, faziam de tudo para nada me preocupar. Mamãe evitava chorar na minha frente, mas às vezes percebia seus olhos marejados. Mesmo assim, não me deixava abater.


Foram seis meses de tratamento. Iniciei com quimioterapia. Com ela, vieram dores de cabeça, enjôos e secura na garganta. Após as primeiras sessões, mal conseguia me levantar.

Comecei a fazer também a radioterapia. Fiquei com muitas aftas na boca, pois o tratamento mexia com o sistema imunológico. Nessa época, quase não sentia fome e só me alimentava com os lanches que minha avó levava.

Em paralelo, minha família fazia os testes para ver quem seria um doador de medula compatível. Foi um desespero quando meus pais foram descartados. Ficamos na maior expectativa pela resposta do teste do meu irmão, que felizmente foi positiva. Quando soube, não cabia em mim tamanha felicidade pela possibilidade da cura.

De volta para casa

Chegou o aguardado dia do transplante e tudo correu bem. Ainda permaneci no hospital por um tempo, mas como a aceitação do meu corpo foi boa, pude ir logo para casa. Que alegria: ver meu lar, minhas coisas, ficar com a família! A partir daí, as visitas ao hospital começaram a ser periódicas e foram diminuindo até eu não precisar mais.

Hoje, olho para trás e vejo que sou uma vencedora. Porém, não ganhei essa batalha sozinha: recebi muito apoio e carinho da minha família e de meus amigos. No ano passado, em minha festa de 15 anos, decidi prestar uma homenagem aos meus convidados e entrei no salão dançando ballet. A emoção foi enorme, pois muitas pessoas sequer acreditavam que me curaria um dia. Tenho uma vida bastante ativa: além do ballet, faço dança flamenca, jazz e adoro sair. Passando por tudo isso, aprendi a dar mais valor à vida e não reclamar pelos problemas corriqueiros. É muito importante acreditar no melhor, fazer do otimismo uma arma contra a doença. Na escola todos conhecem minha história, que contei numa redação vencedora do concurso entre as salas. Conquistei a admiração das pessoas, vivo feliz e realizada!"

Entenda bem
   
A leucemia é um câncer dos leucócitos (glóbulos brancos), que são células sangüíneas responsáveis por defender o organismo de agressões externas. A doença acontece quando eles sofrem mutações genéticas e passam a se proliferar de forma anormal e desorganizada, se acumulando no organismo. "Isso dificulta a formação de outros componentes importantes para o sangue, como as plaquetas e os glóbulos vermelhos", explica o especialista Jacques Tabacof, de São Paulo. O resultado imediato é uma anemia profunda, além da incidência de hemorragias.  

 


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