Viva Saúde
Edição 24 - Abril/2006
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Menstruar ou não?
Essa é a principal dúvida de boa parte das mulheres, especialmente daquelas que todo mês sofrem com os sintomas da TPM. O problema é que mesmo entre médicos ainda não há um consenso quanto à resposta. Viva Saúde levantou a opinião de especialistas que são a favor e contra a interrupção para tentar esclarecer um pouco mais sobre a polêmica

POR ISABEL TARANTO E DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Por que, então, não parar

Apesar de todos os pontos a favor, boa parte dos médicos ainda se recusa a receitar a interrupção nos casos de tensão pré-menstrual (TPM) ou quando a paciente quer deixar de menstruar simplesmente por uma questão de praticidade. E eles têm suas razões para discordar.

Segundo especialistas, o ciclo menstrual funciona como uma amostra de como anda nosso organismo. Afinal, para que a menstruação ocorra, é necessário um perfeito entrosamento entre vários sistemas do corpo, desde o hipotálamo e a hipófise (estruturas que regem uma série de reações orgânicas) e estão localizadas no cérebro, até o útero, ovários, vagina e demais glândulas endócrinas, tais como a supra-renal e a tireóide. A ausência de sangramento, portanto, quando não indica uma possível gravidez pode sinalizar inúmeros problemas de saúde.

Mas não é só. Para a ginecologista Mara Solange Carvalho Diegoli, do Ambulatório de Tensão Pré-Mestrual, do Hospital das Clínicas de São Paulo (ligado à USP), não existe método hoje disponível que realmente consiga interromper a menstruação de todas as mulheres (muitas irão apresentar pequenos sangramentos irregulares). Além disso, ainda não há tratamento de interrupção que deixe a mulher livre de efeito colateral.

Todos os medicamentos que bloqueiam a menstruação atuam em outros órgãos interferindo no corpo inteiro. Por isso, segundo ela, os hormônios usados para interromper o ciclo também podem causar retenção de líquidos, inchaço, alteração de humor, aumento de apetite e até sintomas semelhantes aos do climatério, como calores, dores de cabeça, desânimo. Sem contar aqueles que bloqueiam totalmente a produção de estrogênio, hormônio feminino importante para a manutenção do metabolismo do osso, da pele, das mamas e do cabelo, sem falar do humor.

As afirmações da médica têm aval científico. Há três anos, ela coordena um estudo com 300 mulheres que sofrem de TPM intensa e desejam ficar sem menstruar para conter o distúrbio. "O objetivo é saber se ao interromper a menstruação das pacientes haveria melhora dos sintomas típicos e/ou efeitos colaterais significativos", conta Mara Diegoli. Para isso, as voluntárias foram divididas em grupos e se submeteram a tratamentos com injeção trimestral de progesterona, implante de progesterona e pílulas anticoncepcionais de uso contínuo (tanto aquelas contendo estrogênio e progesterona de média dosagem quanto as que contêm pequena quantidade de progesterona).

Resultado: todos os métodos apresentaram vantagens e desvantagens. "Todas as mulheres que interromperam a menstruação, por exemplo, tiveram os sintomas de TPM (dores de cabeça, cólicas, irritabilidade, entre outros) amenizados. Por outro lado, nenhum dos métodos utilizados garantiu com eficácia o bloqueio da menstruação (os mesmos métodos funcionaram para algumas e falharam com outras)", revela. E a médica acrescenta: houve sim efeitos colaterais significativos, entre eles os mais freqüentes foram aumento de peso e diminuição da libido. "Algumas pacientes, aliás, apresentaram hemorragia contínua e precisaram suspender o tratamento", conta Mara Diegoli.

Por isso tudo, a médica é relutante: só recomendo a suspensão em casos extremos, para mulheres com doenças que se agravam com a gravidez, problemas de coagulação do sangue ou que sofram de convulsões durante a menstruação. No caso de endometriose, cefaléia intensa e anemia, Mara Diegoli até recomenda a interrupção, mas só quando os sintomas são muito intensos e outros métodos tenham falhado.

"Ainda aguardamos a droga milagrosa que acabará com o sofrimento da mulher, sem provocar nenhum efeito colateral. Até lá, médicos e pacientes devem conversar e analisar todos os prós e contras de um método antes de optar por ele. E mais: a paciente deve saber que a reação ao método é individual e que não há como saber se a paciente deixará de menstruar ou terá sangramento, por exemplo", alerta.

IMPLANTES PERSONALIZADOS
 


Diretor da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina, da qual o médico Elsimar Coutinho é presidente, Malcolm Montgomery conta como surgiram os implantes que fizeram sucesso entre as famosas. "Na década de 80, a equipe de Coutinho, da qual eu fazia parte, pesquisava anticoncepcionais para tratar da endometriose. Testávamos contraceptivos de uso contínuo porque observou-se que, diminuindo os níveis de estrogênio, ocorria uma atrofia do endométrio. Com o tempo, notamos que o uso do contraceptivo sem a pausa habitual de uma semana fazia com que as mulheres não sangrassem. Depois, constatou-se outros benefícios como alívio da TPM e a alegria das mulheres que não gostavam de menstruar", lembra. Em 1995, ele colocou um implante em uma atriz global e a novidade se espalhou. Segundo Malcolm, suspender a menstruação por meio desse tipo de implante (colocado sob a pele da nádega e que dura de seis meses a um ano) oferece muitas vantagens. Uma delas é o fato de ele utilizar concentração hormonal menor do que as pílulas de uso contínuo. "O implante vai direto para a circulação sangüínea e por isso pode ser manipulado com uma dose de hormônios menor", explica. "Além disso, eles são personalizados. A concentração e o tipo de hormônios variam de acordo com idade, peso e hábitos (fumante ou não) da paciente e dos benefícios que ela pretende atingir. Combinando estrogênio, progesterona, testosterona, conseguimos reduzir a celulite, definir a musculatura e aumentar a libido. Mas há casos em que o ideal para a paciente é um implante de progesterona. Por isso, após a colocação do produto recomendamos que as pacientes retornem após dois meses para avaliar a necessidade de algum ajuste hormonal", conclui.

PRODUÇÃO: LUANA PRADE

   

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.