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Menstruar ou não? Essa é a principal dúvida de boa parte das mulheres, especialmente daquelas que todo mês sofrem com os sintomas da TPM. O problema é que mesmo entre médicos ainda não há um consenso quanto à resposta. Viva Saúde levantou a opinião de especialistas que são a favor e contra a interrupção para tentar esclarecer um pouco mais sobre a polêmica
POR ISABEL TARANTO E DANIELA TALAMONI FOTOS FERNANDO GARDINALI
Por que, então, não parar
Apesar de todos os pontos a favor, boa parte dos médicos ainda se recusa
a receitar a interrupção nos casos de tensão pré-menstrual (TPM) ou quando
a paciente quer deixar de menstruar simplesmente por uma questão de praticidade.
E eles têm suas razões para discordar.
Segundo especialistas, o ciclo menstrual funciona como uma amostra de
como anda nosso organismo. Afinal, para que a menstruação ocorra, é necessário
um perfeito entrosamento entre vários sistemas do corpo, desde o hipotálamo
e a hipófise (estruturas que regem uma série de reações orgânicas) e estão
localizadas no cérebro, até o útero, ovários, vagina e demais glândulas
endócrinas, tais como a supra-renal e a tireóide. A ausência de sangramento,
portanto, quando não indica uma possível gravidez pode sinalizar inúmeros
problemas de saúde.
Mas não é só. Para a ginecologista Mara Solange Carvalho Diegoli, do
Ambulatório de Tensão Pré-Mestrual, do Hospital das Clínicas de São Paulo
(ligado à USP), não existe método hoje disponível que realmente consiga
interromper a menstruação de todas as mulheres (muitas irão apresentar
pequenos sangramentos irregulares). Além disso, ainda não há tratamento
de interrupção que deixe a mulher livre de efeito colateral.
Todos os medicamentos que bloqueiam a menstruação atuam em outros órgãos
interferindo no corpo inteiro. Por isso, segundo ela, os hormônios usados
para interromper o ciclo também podem causar retenção de líquidos, inchaço,
alteração de humor, aumento de apetite e até sintomas semelhantes aos
do climatério, como calores, dores de cabeça, desânimo. Sem contar aqueles
que bloqueiam totalmente a produção de estrogênio, hormônio feminino importante
para a manutenção do metabolismo do osso, da pele, das mamas e do cabelo,
sem falar do humor.
As afirmações da médica têm aval científico. Há três anos, ela coordena
um estudo com 300 mulheres que sofrem de TPM intensa e desejam ficar sem
menstruar para conter o distúrbio. "O objetivo é saber se ao interromper
a menstruação das pacientes haveria melhora dos sintomas típicos e/ou
efeitos colaterais significativos", conta Mara Diegoli. Para isso, as
voluntárias foram divididas em grupos e se submeteram a tratamentos com
injeção trimestral de progesterona, implante de progesterona e pílulas
anticoncepcionais de uso contínuo (tanto aquelas contendo estrogênio e
progesterona de média dosagem quanto as que contêm pequena quantidade
de progesterona).
Resultado: todos os métodos apresentaram vantagens e desvantagens. "Todas
as mulheres que interromperam a menstruação, por exemplo, tiveram os sintomas
de TPM (dores de cabeça, cólicas, irritabilidade, entre outros) amenizados.
Por outro lado, nenhum dos métodos utilizados garantiu com eficácia o
bloqueio da menstruação (os mesmos métodos funcionaram para algumas e
falharam com outras)", revela. E a médica acrescenta: houve sim efeitos
colaterais significativos, entre eles os mais freqüentes foram aumento
de peso e diminuição da libido. "Algumas pacientes, aliás, apresentaram
hemorragia contínua e precisaram suspender o tratamento", conta Mara Diegoli.
Por isso tudo, a médica é relutante: só recomendo a suspensão em casos
extremos, para mulheres com doenças que se agravam com a gravidez, problemas
de coagulação do sangue ou que sofram de convulsões durante a menstruação.
No caso de endometriose, cefaléia intensa e anemia, Mara Diegoli até recomenda
a interrupção, mas só quando os sintomas são muito intensos e outros métodos
tenham falhado.
"Ainda aguardamos a droga milagrosa que acabará com o sofrimento da mulher,
sem provocar nenhum efeito colateral. Até lá, médicos e pacientes devem
conversar e analisar todos os prós e contras de um método antes de optar
por ele. E mais: a paciente deve saber que a reação ao método é individual
e que não há como saber se a paciente deixará de menstruar ou terá sangramento,
por exemplo", alerta.
IMPLANTES
PERSONALIZADOS |
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Diretor da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Ginecologia
Endócrina, da qual o médico Elsimar Coutinho é presidente, Malcolm
Montgomery conta como surgiram os implantes que fizeram sucesso
entre as famosas. "Na década de 80, a equipe de Coutinho, da qual
eu fazia parte, pesquisava anticoncepcionais para tratar da endometriose.
Testávamos contraceptivos de uso contínuo porque observou-se que,
diminuindo os níveis de estrogênio, ocorria uma atrofia do endométrio.
Com o tempo, notamos que o uso do contraceptivo sem a pausa habitual
de uma semana fazia com que as mulheres não sangrassem. Depois,
constatou-se outros benefícios como alívio da TPM e a alegria das
mulheres que não gostavam de menstruar", lembra. Em 1995, ele colocou
um implante em uma atriz global e a novidade se espalhou. Segundo
Malcolm, suspender a menstruação por meio desse tipo de implante
(colocado sob a pele da nádega e que dura de seis meses a um ano)
oferece muitas vantagens. Uma delas é o fato de ele utilizar concentração
hormonal menor do que as pílulas de uso contínuo. "O implante vai
direto para a circulação sangüínea e por isso pode ser manipulado
com uma dose de hormônios menor", explica. "Além disso, eles são
personalizados. A concentração e o tipo de hormônios variam de acordo
com idade, peso e hábitos (fumante ou não) da paciente e dos benefícios
que ela pretende atingir. Combinando estrogênio, progesterona, testosterona,
conseguimos reduzir a celulite, definir a musculatura e aumentar
a libido. Mas há casos em que o ideal para a paciente é um implante
de progesterona. Por isso, após a colocação do produto recomendamos
que as pacientes retornem após dois meses para avaliar a necessidade
de algum ajuste hormonal", conclui.
PRODUÇÃO: LUANA PRADE |
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