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Edição 24 - Abril/2006
 
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  Menstruar ou não?
Essa é a principal dúvida de boa parte das mulheres, especialmente daquelas que todo mês sofrem com os sintomas da TPM. O problema é que mesmo entre médicos ainda não há um consenso quanto à resposta. Viva Saúde levantou a opinião de especialistas que são a favor e contra a interrupção para tentar esclarecer um pouco mais sobre a polêmica

POR ISABEL TARANTO E DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Há cerca de 15 anos, quando os médicos ginecologistas Malcolm Montegomery, de São Paulo, e Elsimar Coutinho, de Salvador (autor do livro Menstruação, a Sangria Inútil, de 1996), divulgaram em programas de televisão que estavam usando em suas pacientes um método contraceptivo que suspendia a menstruação, a classe médica entrou em polvorosa. A maioria dos ginecologistas e obstetras defendia que bloquear o sangramento mensal era ir contra a natureza da mulher e que o organismo feminino poderia sofrer prejuízos com o método. "Naquela época, não conhecíamos a formulação que esses dois médicos utilizavam (até hoje eles a mantêm em segredo), mas sabíamos que incluíam em seus implantes doses altas de testosterona, hormônio masculino que provoca efeitos colaterais, como o crescimento de pêlos. Por isso havia uma grande preocupação. Hoje, existem novos procedimentos e sabemos que a interrupção não provoca alterações no período fértil nem na menopausa", explica a ginecologista e obstetra Lúcia Helena de Azevedo, professora assistente do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo.

Isto quer dizer que toda mulher nasce com um número determinado de óvulos e que estes são solicitados a cada mês, mesmo que não ocorra a ovulação propriamente dita. "Eles não atingem um estágio de maturação, mas as células envolvidas na sua produção são recrutadas e por isso dizemos que os óvulos vão sendo gastos todo mês", explica a médica. Na prática, isso significa que a ocorrência ou não do sangramento não adianta nem retarda a menopausa. Além disso, assim que o método usado for suspenso há um retorno imediato da fertilidade. Ou seja, mulheres que deixam de menstruar por opção não têm mais dificuldade do que outras para engravidar.

"Isso acontece apenas no caso de ocorrer depósito de progesterona, hormônio utilizado no método de suspensão menstrual feito por meio de injeções aplicadas a cada três meses. Como a substância tem efeito residual no organismo, a mulher que a usa demora mais tempo para voltar a menstruar e ovular e, conseqüentemente, para engravidar", esclarece a especialista.

Também já existe um certo consenso entre os especialistas sobre bloquear a menstruação quando estão em jogo doenças como endometriose (caracterizada pela presença de endométrio - camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação - em locais fora da região uterina). Antigamente, as mulheres tinham de 40 a 80 ciclos menstruais ao longo de toda a vida, o que acontecia porque cada mulher tinha cerca de dez gestações. Hoje, esse número de ciclos é dez vezes maior (uma média de 400 a 500 ciclos) em função do menor número de gestações e também do fato de a mulher moderna menstruar mais cedo e iniciar a menopausa mais tarde. "A endometriose é fruto dessa grande quantidade de ciclos e uma das causas da infertilidade e de câncer ginecológico", diz o especialista Malcom Montgomery

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