
Toda vez que beijava o filho recém- nascido, Isabel sentia um gostinho
diferente. Aos poucos se deu conta que desgrudava do rosto do bebê com
a sensação de ter levado sal à boca. Foi o suficiente para a pediatra
pedir o teste do suor, exame que confirmou a doença do beijo salgado,
como é popularmente conhecida a fibrose cística (FC) ou mucoviscidose.
Trata-se de um problema genético e transmitido hereditariamente (pai ou
mãe portadores do gene ou com a doença), caracterizado por infecções crônicas
das vias aéreas que levam ao desenvolvimento de inflamações nos brônquios,
insuficiência pancreática e disfunções intestinais, além de anormalidades
das glândulas sudoríparas e disfunção urinária.
O caso relatado acima ocorreu em 1997, quando o conhecimento em torno
da doença ainda engatinhava no Brasil e havia pouquíssimos centros que
prestavam assistência. Na época, o bebê Marco Antonio, então com quatro
meses, foi encaminhado ao recém-criado Serviço Especializado em Fibrose
Cística da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foi o terceiro
serviço inaugurado na capital paulista atrelado a um hospital universitário.
O pioneiro foi o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), há mais de duas décadas.
Em seguida foi fundado o Serviço de Referência em Fibrose Cística da Santa
Casa. As equipes profissionais destes locais e de outros 19 estados brasileiros,
nos quais há médicos com experiência no atendimento à doença, se reúnem
ainda este mês no I Congresso Brasileiro de Fibrose Cística, realizado
pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística.
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